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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Artigo - Análise de protocolos com intervenção motora domiciliar para pacientes com doença de Alzheimer: uma revisão sistemática

Análise de protocolos com intervenção motora domiciliar para pacientes com doença de Alzheimer: uma revisão sistemática

Protocol analysis with home-based motor intervention for patients with Alzheimer's disease: a systematic review


Julimara Gomes dos Santos; Larissa Pires de Andrade; Jessica Rodrigues Pereira; Angelica Miki Stein; Renata Valle Pedroso; José Luiz Riani Costa

Departamento de Educação Física, Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento, Instituto de Biociências. Universidade Estadual Paulista. Rio Claro, SP, Brasil



RESUMO

A prática regular de atividade física é indicada como uma terapia não farmacológica ao tratamento da doença de Alzheimer por promover benefícios cognitivos, comportamentais e funcionais. Pouco se sabe, porém, sobre os protocolos com intervenção motora domiciliar para essa população. Pensando nisso, esta revisão teve como objetivo investigar e analisar os protocolos de intervenção motora domiciliar para idosos com doença de Alzheimer descritos em artigos científicos. Realizou-se busca sistemática, sem limite de data, nas seguintes bases de dados: Web of Science, PubMed, PsycINFO e Scopus. Utilizaram-se os seguintes operadores booleanos e palavras-chave: "home-based exercise" OR "home-based physical exercise" OR "home-based physical fitness" OR "home-based rehabilitation" OR "home-based physical therapy" OR "home-based physical activity" OR "home-based motor intervention" and "AD" OR "Alzheimer's disease" OR "Alzheimer" OR "Alzheimer's dementia". Realizou-se também uma busca manual nas listas de referência dos artigos selecionados. Dos cinco artigos que atenderam aos critérios de inclusão adotados, três realizaram um protocolo de intervenção motora domiciliar, conseguindo boa adesão ao programa, melhora geral da saúde e diminuição de sintomas depressivos. Os outros dois estudos limitaram-se a descrever os protocolos. Apesar de serem necessários mais estudos, com protocolos mais detalhados, esta revisão permitiu mostrar que protocolos de intervenção motora domiciliar também podem produzir efeitos positivos tanto para pacientes quanto para cuidadores.

Palavras-chave: Exercício Físico. Atividade Motora. Tratamento Domiciliar. Intervenção Domiciliar. Doença de Alzheimer. Revisão.

ABSTRACT

The regular practice of physical therapy is indicated as a non-pharmacological treatment of Alzheimer's disease by promoting cognitive, behavioral and functional benefits. However, little is known about the protocols with home-based motor intervention for this population. Thinking about it, this review aimed to investigate and analyze the protocols for home-based motor intervention for elderly with Alzheimer's disease described in scientific articles. A systematic search was performed in the following databases: Web of Science, PubMed, PsycINFO, and Scopus, using the following keywords and Boolean operators: "home-based exercise" OR "home-based physical exercise" OR "home-based physical fitness" OR "home-based rehabilitation" OR "home-based physical therapy" OR "home-based physical activity" OR "home-based engine Intervention" and "AD" OR "Alzheimer's disease" OR "Alzheimer " OR "Alzheimer's dementia". We also conducted a manual search of reference lists of selected articles. Of the five articles that met the inclusion criteria adopted, three performed a protocol for home motor intervention, achieving good compliance with the program, improvement of general health and reduction of depressive symptoms. The other two studies were limited to describing the protocols. Although more studies are needed, with detailed protocols, this review allowed to show that protocols for home motor intervention can also produce positive effects for both patients and caregivers.

Key words: Physical Exercise. Motor Activity. Residential Treatment. Home Intervention. Alzheimer Disease. Review.





INTRODUÇÃO

O aumento do envelhecimento populacional ocorrido nas últimas décadas tem provocado um crescimento na prevalência de doenças crônicas e neurodegenerativas, como é o caso da doença de Alzheimer (DA). Só no ano de 2010, estimou-se que mais de 35 milhões de pessoas estavam vivendo com esse tipo de doença. 1

Estudos post mortem indicam que a neuropatologia da DA envolve a presença de emaranhados neurofibrilares, formados pela hiperfosforilação da proteína tau, e placas senis, formadas pelo acúmulo de proteína beta-amiloide externas ao neurônio. Como consequência, ocorre a atrofia do hipocampo e, depois, de áreas corticais associativas, fazendo com que, no decorrer do seu quadro clínico, surjam alterações cognitivas e comportamentais. Nas fases mais avançadas da doença, ocorre também o declínio de capacidades funcionais, comprometendo a realização das atividades de vida diária e tornando o idoso dependente de cuidados.2-5

Para o tratamento, indica-se terapia farmacológica, mas também a não farmacológica, que pode incluir: estimulação cognitiva, convívio social6,7 e prática regular de atividade física.8 A literatura científica tem mostrado que, de uma forma geral, a prática regular de atividade física é capaz de proporcionar benefícios cognitivos, comportamentais e funcionais,9-11 além de contribuir para um bom desempenho nas atividades de vida diária.12

Nota-se, no entanto, que a maioria das estratégias não farmacológicas, sobretudo a intervenção motora, em geral são desenvolvidas em clínicas ou universidades, o que pode dificultar o acesso ao tratamento, principalmente para aqueles que se encontram no estágio avançado da doença, por apresentarem maior comprometimento cognitivo e motor e, consequentemente, maior dificuldade de acesso a tratamentos fora de seu domicílio.

Nesses casos, uma alternativa que parece viável é a utilização de intervenções domiciliares. A literatura apresenta uma série de trabalhos que estudaram intervenções domiciliares13-17 com protocolos envolvendo, por exemplo, treinamento cognitivo e treinamento para cuidadores. Pouco se sabe, no entanto, sobre os protocolos que utilizaram intervenções motoras para esses pacientes, se esse tipo de estratégia não farmacológica é eficiente para o tratamento da doença de Alzheimer ou, ainda, que tipos de protocolo têm sido propostos e que resultados têm sido encontrados.

Este artigo teve como objetivo principal investigar e avaliar artigos científicos que descreveram e/ou utilizaram protocolos com intervenção motora domiciliar para pacientes com doença de Alzheimer.



MÉTODOS

Esta revisão sistemática foi desenvolvida a partir da busca por artigos científicos, sem limite de data, em quatro bases de dados da área da saúde: Web of Science, PubMed, PsycINFO e Scopus. O período de busca foi de agosto a novembro de 2011, e foram utilizadas as seguintes palavras-chave e operadores booleanos: "home-based exercise" OR "home-based physical exercise" OR "home-based physical fitness" OR "home-based rehabilitation" OR "home-based physical therapy" OR "home-based physical activity" OR "home-based motor intervention" and "AD" OR "Alzheimer's disease" OR "Alzheimer" OR "Alzheimer's dementia".

O processo de busca e seleção dos artigos ocorreu de forma sistemática, sendo realizado por um avaliador que selecionou primeiramente aqueles que apresentassem no título alguma das palavras-chave citadas. Depois foi feita a leitura dos resumos daqueles que passaram pela filtragem anterior. Por fim, foi realizada a leitura completa dos artigos que se enquadravam no tema proposto, para verificar se atendiam aos critérios de inclusão. Em um segundo momento, fez-se também uma busca manual nas listas de referência dos artigos selecionados.

Para que o artigo fosse incluído na revisão, deveria: (1) apresentar participantes com diagnóstico de doença de Alzheimer; (2) ter realizado ou descrito um protocolo com intervenção motora domiciliar como estratégia não farmacológica para pacientes com doença de Alzheimer; e (3) estar escrito nos idiomas inglês, espanhol ou português.

Respeitados os critérios de inclusão, foram excluídos da análise os artigos que: (1) não apresentavam um protocolo com intervenção motora domiciliar; (2) cuja amostra não era de pacientes com doença de Alzheimer; (3) a intervenção era voltada apenas para os cuidadores; e (4) apareceram duplicados em mais de uma base de dados.

A análise dos artigos baseou-se na descrição dos protocolos encontrados, explicitando seus pontos fortes e fracos, vislumbrando o desenvolvimento de estudos futuros.



RESULTADOS

A busca inicial com a utilização das palavras-chave e operadores booleanos mencionados resultou em 60 artigos. Destes, 22 foram encontrados na PsycINFO, seis na Pubmed, 20 na Scopus e 12 na Web of Science.

Após a filtragem pela leitura dos títulos, 44 artigos foram excluídos por não se enquadrarem ao tema proposto, restando assim, 16 artigos. Em seguida, realizou-se a leitura dos resumos, e este número passou para dez artigos (incluindo os que apareceram em mais de uma base). Excluindo os que apareceram repetidamente nas bases de dados, restaram quatro artigos para serem lidos na íntegra. A partir da leitura, observou-se que todos esses artigos estavam de acordo com o objetivo deste estudo e atendiam aos critérios de inclusão. A busca manual na lista de referências bibliográficas dos artigos selecionados resultou em um artigo. A figura 1 apresenta de forma resumida a triagem dos artigos.

Segue a descrição dos cinco estudos que foram analisados nesta revisão sistemática:

1) Teri et al.18 publicaram estudo realizado com 30 idosos com DA (78,7±6,4 anos) e seus cuidadores (69,7±14,1 anos). O objetivo foi fornecer informações sobre a saúde física dessa população e estimulá-los à prática de exercício físico, e não avaliar a eficiência do programa sobre as capacidades físicas dos participantes. O programa abrangeu exercícios de equilíbrio, flexibilidade, força e resistência aeróbia. Para isso, os cuidadores receberam treinamento para que pudessem auxiliar os pacientes na execução dos exercícios. O protocolo de treinamento foi realizado na casa dos participantes, por profissionais da área da saúde (fisioterapeuta e assistente social). A duração do estudo foi de 12 semanas, sendo que nas primeiras três semanas, foram realizadas duas sessões semanais; nas quatro semanas seguintes, uma sessão semanal; e depois, quinzenais nas últimas quatro semanas. Os exercícios foram demonstrados pela primeira vez pelo treinador, depois o cuidador auxiliava o idoso a executar o exercício, sendo observado e assistido pelo treinador. Os componentes da capacidade funcional trabalhados durante as sessões, foram:

- Força: o treinamento de força ocorreu três vezes por semana em dias não consecutivos, intercalados com treinamento de resistência aeróbia. Os exercícios foram destinados aos membros inferiores (flexão plantar, dorsiflexão, flexão e extensão de joelho, abdução, extensão de quadril e marcha). Inicialmente, os exercícios foram realizados sem carga e depois, chegou-se à execução de duas séries de 12 repetições em cada exercício, com carga igual a cinco libras (aproximadamente 2,5 quilogramas).

- Equilíbrio e flexibilidade: foram indicados 10 a 15 minutos desse tipo de exercício e foram usados como aquecimento ou relaxamento para as atividades de fortalecimento ou de resistência aeróbia. O treinamento de equilíbrio contou com exercícios de transferência, exercícios de apoio e diferentes modos de andar (para trás, por exemplo). Os exercícios respeitaram uma progressão gradativa, partindo do mais fácil para o mais complexo. O treinamento de flexibilidade foi focado nas costas, ombros, quadris, isquiotibiais, gastrocnêmio, pescoço e mãos.

- Resistência aeróbia: foi indicado aos participantes que caminhassem ao menos 30 minutos em um mínimo de três dias não consecutivos por semana (alternados com dias de exercício de fortalecimento). Foi recomendado que começassem a andar no seu ritmo natural, aumentando gradualmente a velocidade da marcha. Aqueles que já estavam envolvidos em alguma forma alternativa de exercícios aeróbios regulares (por exemplo, dança de salão ou uso de bicicleta ergométrica) foram autorizados a substituir um ou mais dos dias de caminhada, por essa atividade alternativa.

Os exercícios recomendados foram descritos e ilustrados para facilitar o entendimento e execução dos mesmos. Além disso, os cuidadores receberam um diário onde deveriam registrar detalhadamente tudo o que ocorreu em cada sessão de intervenção (exercícios, quedas, ou qualquer informação sobre a saúde geral dos indivíduos). Os treinadores monitoraram semanalmente a adesão ao programa, por meio dos registros realizados nos diários.

Os pacientes foram avaliados quanto à velocidade de caminhada e equilíbrio. Além disso, o estado físico e funcional também foi avaliado utilizando-se duas escalas - Sickness Impact Profile (SIP) e Physical Functioning and Role Functioning (SF-36) - respondidas pelos cuidadores. Os cuidadores também foram questionados quanto aos dias em que seus familiares tiveram as atividades restritas e/ou ficaram de cama, nas últimas duas semanas, bem como quanto às situações de queda do último mês. A prática de exercício físico foi avaliada perguntando-se aos cuidadores o tempo gasto caminhando ou fazendo outra atividade aeróbia na última semana.

Os resultados mostraram que a amostra estudada apresentou um desempenho físico inferior quando comparado ao de idosos sem comprometimento cognitivo. Mas, de forma positiva, ao final do estudo foi alcançada uma boa adesão por parte dos participantes e os cuidadores mostraram-se capazes de aprender e auxiliar seus familiares com DA na execução de exercícios físicos.

2) Teri et al.19 deram continuidade ao trabalho anterior, realizando um estudo controlado randomizado com 153 idosos com DA (78±6 anos) que abrangia um programa de exercícios domiciliares associado ao treinamento de cuidadores (70±13 anos) em técnicas de manejo comportamental. O estudo contou também com um grupo controle composto por idosos com DA (78±8 anos) e seus cuidadores (70±13 anos), mas que receberam apenas atendimento médico de rotina. Todos os participantes foram avaliados no momento da seleção da amostra (baseline), após três meses (período pós-tratamento) e aos seis, 12, 18 e 24 meses (follow-up) por meio de uma avaliação "cega". O programa de exercícios domiciliares incluía exercícios de resistência aeróbia, de força, equilíbrio e flexibilidade. Foram realizadas 12 sessões supervisionadas, com duração de uma hora cada. Nas primeiras três semanas, a frequência foi de duas sessões por semana. Nas quatro semanas seguintes, realizou-se uma sessão por semana; e durante as quatro últimas semanas, a frequência foi quinzenal. O objetivo era que os participantes realizassem ao menos 30 minutos diários de exercícios.

O treinamento de gestão comportamental envolveu instruções aos cuidadores sobre como identificar e modificar os distúrbios de comportamento apresentados pelos pacientes, assim como orientação sobre a própria doença. Além disso, foi sugerido que estimulassem os pacientes a aumentar sua atividade física e social. Após o tratamento, os participantes do grupo intervenção apresentaram melhora geral da saúde, avaliada pelo SF-36 e SIP mobilidade (mobility), bem como diminuição dos sintomas depressivos avaliados pela escala de Cornell, enquanto o grupo controle piorou. Observou-se que os participantes do grupo intervenção realizaram atividades físicas extras àquelas recomendadas pelo protocolo, havendo, portanto, aumento do nível de atividade física semanal desse grupo. Além disso, parece que o programa contribuiu para retardar a institucionalização dos pacientes, geralmente causada pela dificuldade dos cuidadores em gerir os distúrbios comportamentais.

Terminado o estudo, sessões extras de intervenção foram realizadas visando ajudar os cuidadores e os pacientes a manterem o que foi ensinado. Dos 153 idosos que começaram o estudo, 89 concluíram as avaliações do follow-up, cujos resultados mostraram que as diferenças significativas entre o grupo intervenção e o grupo controle foram novamente obtidas sobre a subescala de funcionamento físico SF-36 e a escala SIP mobilidade (mobility). A principal causa que levou os pacientes a não cumprirem todas as avaliações foi a institucionalização, não havendo diferenças significativas entre os grupos (67% do grupo controle e 68% do grupo intervenção; p=0,84). Apesar disso, os autores notaram que um maior número de participantes do grupo controle foi institucionalizado devido à presença de distúrbios comportamentais, quando comparado ao grupo que recebeu intervenção domiciliar.

3) O estudo de Steinberg et al.20 avaliou um programa de exercício domiciliar com características de um estudo piloto. Participaram 27 idosos com DA divididos em grupo intervenção (76,5±3,9anos) e grupo controle (74,0±8,1anos). O programa de exercícios foi desenvolvido por um profissional da área da Fisiologia do Exercício, que instruiu os participantes para a prática diária de exercícios que trabalhavam quatro componentes: aeróbio, força, flexibilidade e equilibrio. Quando realizavam a tarefa completa, os participantes ganhavam dois pontos, e quanto faziam apenas uma parte, computavam um ponto. O objetivo era somar seis pontos de atividade aeróbia por semana e quatro pontos nos componentes restantes. O grupo controle recebeu visitas para avaliação da segurança em casa e a partir disso foram feitas algumas recomendações de adaptação domiciliar.

Quanto à atividade física, foi solicitado aos participantes deste grupo que registrassem três atividades físicas que realizassem regularmente. Cuidadores de ambos os grupos receberam diários para que descrevessem as tarefas concluídas semanalmente. Os resultados mostraram que o programa teve boa adesão. Pacientes do grupo exercício apresentaram tendência para melhora nos testes manuais e de força de membros inferiores. Esse grupo, no entanto, apresentou pior desempenho nas avaliações de depressão e qualidade de vida.

4) Cyarto et al.21 descreveram o protocolo de um estudo futuro, que será controlado e randomizado. Para este estudo, pretendem-se recrutar 230 idosos com DA que serão divididos em:

- Grupo de intervenção domiciliar: abrangerá programa de atividade física (AF), intervenção comportamental e monitoramento por telefone, com duração total de 24 semanas. O programa de atividade física compreenderá 150 minutos de AF moderada por semana. Para esse grupo, será realizado também um workshop de atividade física, envolvendo cuidadores e pacientes, onde será entregue um manual do programa contendo instruções sobre os exercícios e como realizá-los com segurança, além de um diário para que registrem as sessões. O programa será individualizado, baseado nos interesses pessoais dos participantes, bem como suas limitações de saúde. Assim, os pacientes serão instruídos a progredirem gradualmente até que atinjam a meta de AF em oito semanas. Aqueles que já realizarem 150 minutos de AF por semana serão incentivados a adicionar uma sessão de 50 minutos. Os cuidadores serão convidados a realizar os exercícios junto aos participantes e, a fim de reduzir a sobrecarga sobre os mesmos, será permitido aos participantes realizar as atividades em centros comunitários.

Após as 24 semanas de intervenção, os participantes serão convidados a continuar com o programa de AF por mais 24 semanas, mas sem acompanhamento ou contato com os pesquisadores, exceto para as avaliações subsequentes. Assim, ao final dos 12 meses, eles responderão um questionário quanto à sua adesão ao programa anterior, mantendo as atividades desenvolvidas nos primeiros seis meses. A intervenção comportamental será baseada nas etapas de um modelo de mudança de comportamento para adoção da prática de AF. Serão oferecidas oficinas que abordem temas como os benefícios e as recompensas do exercício físico, a fixação de metas, a gestão do tempo, entre outros, buscando motivar os participantes e aumentar a adesão ao programa.

Regularmente, durante as 24 semanas do programa, serão enviados boletins com informações motivacionais, além de telefonemas para monitorar e dar feedback sobre o progresso de cada um e incentivar a adesão contínua. Ao final do estudo, todos os participantes receberão um relatório de suas avaliações.

- Grupo de cuidados habituais: receberá material educativo sobre a DA e recomendações sobre um estilo de vida saudável. Também serão contatados por telefone para garantir que ambos os grupos recebam tratamento semelhante. Ao final do estudo, esses participantes terão o direito de acompanhar uma sessão de atividade física.

5) Pitkala et al.22 descreveram o protocolo de um estudo de intervenção que será controlado e randomizado, com duração total de um ano ou até que o paciente precise ser internado para cuidado institucional permanente. A amostra será composta por 210 pacientes com DA e dividida em três grupos, sendo dois de intervenção ativa (um deles com tratamento de reabilitação realizado em casa e outro em um centro-dia) e um terceiro grupo que manterá o tratamento usual - grupo controle). As avaliações ocorrerão no início, e aos três, seis e 12 meses. Um geriatra será responsável pela avaliação e montagem do programa de reabilitação, incluindo também a parte nutricional. O grupo de intervenção domiciliar receberá duas visitas por semana de uma hora de duração, quando serão orientados exercícios de acordo com as necessidades do paciente e do cuidador, incluindo, por exemplo, orientações sobre como realizar transferências, treinamento de equilíbrio, treinamento para funções executivas e tarefa dupla.

O grupo do centro-dia receberá um treinamento físico diversificado de quatro horas/dia e duas vezes por semana, com exercícios de resistência, equilíbrio, força, tarefa dupla e exercícios direcionados para melhorar o funcionamento das funções executivas. Ambos os grupos de intervenção terão orientação de fisioterapeutas para realização das atividades. Os pacientes do grupo controle não receberão intervenção, mas manterão os cuidados habituais oferecidos pelo sistema de saúde e receberão também aconselhamento sobre nutrição e exercício.

As características gerais e resultados dos estudos estão apresentados no quadro 1.



DISCUSSÃO

Como se observa, os poucos estudos encontrados foram publicados recentemente, demonstrando a escassez de estudos nessa linha, bem como a dificuldade em colocar em prática protocolos que contam com tamanha especificidade. Estes demandam intensa colaboração dos cuidadores familiares e profissionais, além de um controle rigoroso para que as atividades sejam feitas como planejado e de maneira segura, principalmente quando não há presença de um profissional em todas as sessões.

Assim, dos cinco estudos incluídos na análise desta revisão, verificou-se que apenas dois (estudos 2 e 3) apresentavam os resultados do efeito da intervenção motora. O estudo 1 foi caracteristicamente um estudo piloto que não teve como objetivo principal avaliar o efeito da intervenção sobre as variáveis motoras, e os estudos 4 e 5 ficaram restritos à descrição de protocolos, o que de certa forma dificulta tecer maiores críticas sobre a eficácia dos métodos.

No entanto, como o objetivo central desta revisão sistemática foi investigar e analisar os protocolos de intervenção motora domiciliar descritos na literatura, foi dada atenção ao caráter metodológico de cada um deles, enfatizando-se os protocolos descritos.

Para facilitar a análise, os artigos foram expostos seguindo uma linha cronológica, onde se discutiu primeiro o que já foi feito em termos de protocolo de intervenção e, depois, as propostas feitas pelos estudos mais recentes. Com base nisso, buscou-se chegar o mais próximo possível ao protocolo de intervenção motora domiciliar mais adequado para idosos com doença de Alzheimer e quais caminhos os estudos futuros deverão seguir.

O trabalho de Teri et al.,18 apesar de não ter como foco avaliar o efeito da intervenção motora domiciliar sobre os pacientes com DA, pode ser considerado um trabalho inovador e de extrema importância, já que de acordo com esta revisão, foi o primeiro a abordar essa temática e acabou servindo de base para estudos posteriores. Com ele foi possível atestar a viabilidade de protocolos desse tipo.

Os estudos de Teri et al.19 (estudo 2) e Steinberg et al.20 (estudo 3) apresentaram algumas semelhanças, como: avaliação primária da funcionalidade motora, presença de grupo controle, randomização da amostra, avaliadores cegos quanto ao tratamento e um período de intervenção de 12 semanas.

Apesar de o estudo 2 ter contado com maior número de participantes que o do estudo 3, este, por sua vez, realizou um protocolo de avaliação mais completo, incluindo avaliação da cognição, dos sintomas neuropsiquiátricos e da qualidade de vida. Além disso, avaliaram também o efeito da intervenção sobre a sobrecarga do cuidador.

Com relação aos testes escolhidos, verificou-se que eram destinados à população idosa, mas poucos eram específicos para idosos com DA, o que reforça a dificuldade de se encontrar instrumentos validados para esse público na literatura atual.

Quanto ao protocolo de intervenção, ambos os programas indicaram exercícios diários que trabalhassem os mesmos componentes: resistência aeróbia, força, flexibilidade e equilíbrio, assim como recomenda o Colégio Americano de Medicina e Esporte para idosos (ACSM).23 No entanto, apenas os estudos 1 e 2 apresentaram os protocolos de maneira mais detalhada; os outros poderiam ter sido mais claros quanto à descrição dos materiais utilizados, bem como os exercícios realizados e as repetições adotadas. Isso facilitaria a replicação de um protocolo inovador como esse.

Ainda sobre a intervenção, o estudo 2 mostrou-se diversificado, abrangendo tanto o aspecto motor quanto o comportamental, enquanto o estudo 3 foi puramente motor. Os participantes do estudo 2 tinham como meta realizar ao menos 30 minutos de exercícios diários. O estudo 3, por sua vez, apresentou de maneira hierárquica como deveria ser a realização dos exercícios, priorizando os aeróbios.

O estudo 3, como não contou com a supervisão de um profissional em todas as sessões domiciliares, buscou uma alternativa para controlar a realização das tarefas, entregando uma espécie de diário aos cuidadores para que anotassem as atividades concluídas durante a semana.

Comparando-se os grupos controle, percebe-se que apenas o grupo do estudo 2 não recebeu intervenção alguma. Já no estudo 3, apesar de não ter havido orientação quanto à prática de atividade física, de certa forma tratou de outro grupo de intervenção, já que estes receberam visitas onde foram dadas instruções sobre adaptação do domicílio. Dessa forma, os grupos desse estudo diferenciaram-se apenas quanto à realização ou não dos exercícios.

De forma geral, ambos os estudos apresentaram resultados positivos quanto à estratégia de intervenção, demonstrando a viabilidade da realização de estudos como estes e a eficácia dos mesmos, melhorando o desempenho funcional dos participantes. No entanto, só o programa do estudo 2 foi capaz de reduzir sintomas depressivos, dando indícios de que protocolos diversificados talvez sejam os mais indicados para o tratamento tanto de aspectos físicos quanto psíquicos desses pacientes. Os autores do estudo 3, no qual se observou "piora" nos sintomas depressivos e na qualidade de vida, justificam esses resultados pela natureza piloto do estudo; o pequeno tamanho da amostra, que provavelmente limitou a inferência estatística, ou ainda, a possibilidade de terem sido descobertas casuais. Tais resultados, no entanto, podem estar relacionados ao próprio processo progressivo da doença de Alzheimer.

Mais tarde, em 2010, outros dois estudos foram publicados descrevendo protocolos de intervenções semelhantes: Cyarto et al.21 (estudo 4) e Pitkala et al.22 (estudo 5). Já de antemão, esses dois protocolos se diferenciam dos demais na intenção de recrutar um grande número de participantes, mais de 200 em cada um. Para isso, os autores usarão como estratégia a descentralização do estudo, contando com o apoio de outros centros de pesquisa.

O tempo de intervenção também será maior nos estudos 4 e 5: 12 meses no estudo 4 e 24 semanas no estudo 5, com possibilidade de se estender por mais 24 semanas, porém sem presença da equipe de pesquisa. Cabe ressaltar que longos períodos de pesquisa demandam rigoroso controle por parte dos pesquisadores para que a perda amostral não seja grande.

Ambos os estudos procurarão randomizar a amostra e utilizar grupo controle para comparação. Porém, o estudo 5 incluirá um segundo grupo de intervenção, a ser desenvolvido em um centro-dia. Dessa forma, mais do que comparar intervenções realizadas em locais diferentes, eles irão aplicar protocolos diferentes quanto aos exercícios e duração das sessões.

No estudo 5, durante a descrição do protocolo do grupo que receberá intervenção domiciliar, os autores não incluíram - ao menos não de forma explícita - o treinamento de componentes da capacidade funcional (resistência aeróbia, equilíbrio, força e flexibilidade), ficando o grupo do centro-dia com uma intervenção mais abrangente. No entanto, não há no texto uma justificativa para adoção de tais procedimentos.

Sobre os grupos controle, nota-se que, de certa forma, ambos receberão intervenção, aqui tratada como educacional, já que terão acesso a informações sobre exercícios físicos e nutrição (estudo 5) ou material educativo sobre a DA, recomendações sobre um estilo de vida saudável, além de contato por telefone (estudo 4). Ao mesmo tempo em que essa abordagem se mostra importante e necessária, pode-se questionar o porquê de o estudo 5 não pretender levar esse tipo de informação também ao grupo de intervenção domiciliar, tendo em vista a grande dificuldade que os cuidadores enfrentam para cuidar de seus familiares, na maioria das vezes sem possuir instrução suficiente e apoio adequado.

Já o estudo 4 terá um delineamento mais simplificado, contando com apenas dois grupos, no qual o grupo intervenção deverá realizar 150 minutos de AF moderada por semana, o que é recomendado para pessoas idosas. No entanto, os autores não relatam quais exercícios serão prescritos, nem quais componentes da capacidade física serão treinados; mencionam apenas que a prescrição levará em conta a capacidade física e os interesses dos participantes. Eles justificam a utilização dessa estratégia como alternativa para manter a adesão e o interesse dos participantes no programa.

Alguns outros pontos interessantes do estudo 4 merecem destaque:

• Todo o programa estará descrito sob a forma de um manual, que será entregue aos cuidadores, facilitando a execução das atividades.

• Os cuidadores também serão incentivados a realizar as atividades junto com os pacientes. Como em sua grande maioria os cuidadores são também idosos, estratégias para adoção de uma vida mais saudável se torna muito importante, devido ao desgaste físico e mental causado pela função de cuidar de alguém dependente, que pode fazer dependente também o cuidador.24

• Haverá um monitoramento por telefone. Além de contribuir para o controle da execução das atividades e servir como meio motivacional dos participantes, essa abordagem aproxima o pesquisador do sujeito da pesquisa, podendo servir ainda como um momento para que as dúvidas sejam sanadas e o protocolo seja seguido com mais segurança.

Com relação aos instrumentos de avaliação utilizados nos dois estudos, observa-se que ambos tiveram o cuidado de incluir testes também para os cuidadores, indo o estudo 5 além, ao propor avaliação da funcionalidade desses cuidadores. Como já mencionado, cuidadores idosos necessitam de atenção ainda maior, por apresentarem os efeitos deletérios do envelhecimento potencializado pelo desempenho dessa árdua função. Uma avaliação da capacidade funcional de cuidadores pode ainda ser utilizada como critério de inclusão em estudos futuros, já que protocolos como esses necessitam da participação ativa dos cuidadores, devendo estes apresentar condições físicas de auxiliar os pacientes na execução dos exercícios.

Sobre a bateria de avaliação destinada aos pacientes, o estudo 4 apresentou uma diversidade de testes que vão desde testes cognitivos, de qualidade de vida, distúrbios neuropsiquiátricos, funcionalidade motora, até teste para verificação da expressão gênica da apoE para analisar uma possível relação entre esse genótipo e os benefícios da atividade física. Apesar de outros genes estarem relacionados com a doença de Alzheimer, a literatura tem demonstrado que o alelo ε4 do gene apoE é tido como o de maior suscetibilidade para o surgimento da doença.25,26 Isso demonstra a dimensão do estudo e o quanto os autores estão atualizados quanto às recentes linhas de investigação sobre a doença de Alzheimer. Resta, porém, esperar novas publicações desses autores com a divulgação dos resultados de protocolos tão inovadores.

Embora esta revisão apresente uma importante limitação quanto ao reduzido número de estudos, em contrapartida traz à tona uma discussão atual e relevante, que poderá servir de incentivo para a produção de novos estudos na área.



CONCLUSÃO

Com base nesta revisão, foi possível perceber que estudos com intervenção motora domiciliar para idosos com doença de Alzheimer são recentes e escassos, evidenciando a necessidade de mais investigação sobre o tema. Apesar disso, os estudos aqui apresentados evidenciam que esse tipo de tratamento não farmacológico é benéfico, tanto para pacientes quanto para seus cuidadores, e que estes, se receberem treinamento e orientação adequados, são capazes de auxiliar no tratamento de seus familiares, estimulando e ajudando na execução das atividades prescritas pelo profissional da saúde.

Sugere-se que os estudos posteriores atentem para a resposta a algumas questões, a fim de preencherem as lacunas ainda existentes, como por exemplo:

• Será que os benefícios relatados nos estudos seriam alcançados em pacientes mais debilitados, que estivessem no estágio avançado da doença? Para isso, é preciso que os próximos estudos apresentem as amostras separadas, de acordo com o estágio da doença.

• A inclusão de estimulação cognitiva no protocolo traria benefícios mais evidentes nessas funções?

• A inclusão de um treinamento específico das atividades da vida diária, como destinar um tempo da intervenção para auxiliar/estimular o paciente a pentear os cabelos, vestir-se ou escovar os dentes, afetaria de forma positiva e direta o desempenho para essas atividades?

• Mesmo que, às vezes, os testes não consigam mostrar objetivamente a melhora de determinada função, será que de maneira qualitativa esses resultados não poderiam ser vistos?



AGRADECIMENTOS

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP (nº do processo 2012/13813-7) e ao Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento (LAFE).



REFERÊNCIAS

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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-98232013000300018#.VfFlHl5ihWY.facebook


terça-feira, 2 de junho de 2015

Pessoas depressivas têm chances maiores de desenvolver Parkinson, diz estudo


Pesquisadores suecos relataram em novo estudo publicado na revista “Neurology” que pessoas com depressão são muito mais propensas a desenvolver doença de Parkinson anos depois. A pesquisa reforça a teoria de trabalhos anteriores mostrando que depressão e Parkinson estão ligadas.

A equipe da Universidade de Umea, na Suécia, mostrou que a depressão vem primeiro, e não o contrário.

“Vimos esta relação entre depressão e doença de Parkinson ao longo de um período de tempo de mais de duas décadas, de modo que a depressão pode ser um sintoma precoce da doença de Parkinson ou um fator de risco para a doença”, informou Peter Nordstrom, da Universidade de Umea, em um comunicado.

Para os cientistas, o estudo é forte porque seguiu toda a população sueca que tinha 50 anos até o final de 2005. A equipe de Nordstrom encontrou mais de 140 mil que foram diagnosticadas com depressão, entre 1987 e 2012. Eles compararam com pessoas semelhantes que não foram diagnosticadas com depressão.

Em seguida, verificaram para ver quem tinha a doença de Parkinson. A análise foi possível porque a Suécia tem um extenso banco de dados sobre a saúde dos seus cidadãos.

Mais de 26 anos depois, 1.485 das pessoas tinham sido diagnosticadas com mal de Parkinson. Cerca de 1% das pessoas que tiveram depressão em algum momento passou a desenvolver Parkinson, contra apenas 0,4% da população que nunca teve depressão.

Isso não significa necessariamente que a depressão provoca Parkinson, diz James Beck, vice-presidente de assuntos científicos da Fundação Americana da Doença de Parkinson, que não estava envolvido no estudo.

“Acho que a mensagem maior é que a depressão e a doença de Parkinson realmente andam de mãos dadas”, Beck disse à “NBC News”. “Nós já sabíamos disso, mas este é um estudo muito grande.”

Beck afirmou, ainda, que as pessoas que estão deprimidas precisam prestar muita atenção se desenvolver tremor ou outros sintomas iniciais de Parkinson. A maioria das pessoas esperam até que os sintomas fiquem mais evidentes antes de procurar ajuda médica.

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/pessoas-depressivas-tem-chances-maiores-de-desenvolver-parkinson-diz-estudo-16223564

domingo, 12 de abril de 2015

Abril - Mês de Conscientização da Doença de Parkinson

Abril é o mês de conscientização do Parkinson. E ontem, dia 11/04 foi o Dia Mundial da Doença de Parkinson. Um bom momento para aprender mais sobre a doença e compartilhar conhecimento.
Assista o vídeo abaixo:



Mais informações: www.vivabemcomparkinson.com.br

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Oliver Sacks publica carta comovente sobre a vida com câncer terminal


Oliver Sacks, escritor, neurologista e professor do curso de medicina da Universidade de Nova York, publicou uma carta aberta no jornal americano The New York Times sobre seus últimos meses de vida. Diagnosticado com câncer em fase de metástase, Sacks, de 81 anos, conta que se sentia bem e com saúde, até descobrir a disseminação do tumor pelo seu corpo. "Há nove anos fui diagnosticado com um tumor raro no olho, um melanoma ocular. A radiação e a cirurgia que removeu o tumor me deixaram cego daquele olho, porém, em casos raros ele se torna uma metástase. Eu estou entre os 2% desafortunados", diz no início do texto.

Apesar da doença terminal, Sacks se mostra grato pela vida e fez de sua carta um comovente texto de despedida. "Eu me sinto feliz por ter usufruído mais nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou face a face com a morte. O câncer ocupa um terço do meu fígado, e mesmo que ele avance devagar, este tipo da doença não pode ser parado."

"Agora, cabe a mim escolher como viver os anos que me restam. Tenho que viver da maneira mais rica, intensa e produtiva possível", diz Sacks antes de citar o filósofo David Hume, que ao descobrir que morreria aos 65 anos, escreveu sua autobiografia em um dia, em 1776. O escritor se diz sortudo por ter vivido mais de 80 anos, tendo trabalhado no que amava e sendo produtivo. "Nos últimos 15 anos publiquei cinco livros e terminei minha autobiografia (um pouco maior que as poucas páginas de Hume) que será publicada este ano. Também tenho diversos outros livros quase finalizados."

"Nos últimos dias, pude ver minha vida de outro ângulo, como uma paisagem, e com um forte senso de conexão entre as partes. Isso não significa que me entreguei. Pelo contrário, me sinto intensamente vivo, e eu quero e espero, no tempo que me resta, aprofundar minhas amizades, me despedir das pessoas que amo, escrever mais, viajar se eu tiver forças, e alcançar novos conhecimentos. Mas também haverá tempo para um pouco de diversão (e até algumas tolices)."

"Tenho um novo senso de perspectiva. Não há tempo para o que é trivial. Tenho que focar em mim, no meu trabalho e nos meus amigos", diz o escritor que promete ficar distante do noticiário, da política e dos problemas ambientais em seus últimos meses de vida. "Isto não é indiferença, mas desapego - ainda me importo com o Oriente Médio, com o aquecimento global, com a igualdade, mas estas coisas não são mais para mim, elas pertencem ao futuro. E eu fico feliz de ver jovens talentosos - como o que diagnosticou minha metástase. Sinto que o futuro está em boas mãos."

"Não posso fingir que não tenho medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Eu amei e fui amado; doei-me e muito me foi dado; eu li, viajei, pensei e escrevi. Eu me relacionei com o mundo, o relacionamento especial entre escritores e leitores. Acima de tudo, eu fui um ser humano ciente, um animal pensante, neste belo planeta, e só isso já foi um enorme privilégio e aventura", finaliza o escritor.

Abaixo a carta original (em inglês)

My Own Life - Oliver Sacks on Learning He Has Terminal Cancer
Publicado originalmente no NYT em 19 de fevereiro de 2015


A MONTH ago, I felt that I was in good health, even robust health. At 81, I still swim a mile a day. But my luck has run out — a few weeks ago I learned that I have multiple metastases in the liver. Nine years ago it was discovered that I had a rare tumor of the eye, an ocular melanoma. The radiation and lasering to remove the tumor ultimately left me blind in that eye. But though ocular melanomas metastasize in perhaps 50 percent of cases, given the particulars of my own case, the likelihood was much smaller. I am among the unlucky ones.

I feel grateful that I have been granted nine years of good health and productivity since the original diagnosis, but now I am face to face with dying. The cancer occupies a third of my liver, and though its advance may be slowed, this particular sort of cancer cannot be halted.

It is up to me now to choose how to live out the months that remain to me. I have to live in the richest, deepest, most productive way I can. In this I am encouraged by the words of one of my favorite philosophers, David Hume, who, upon learning that he was mortally ill at age 65, wrote a short autobiography in a single day in April of 1776. He titled it “My Own Life.”

“I now reckon upon a speedy dissolution,” he wrote. “I have suffered very little pain from my disorder; and what is more strange, have, notwithstanding the great decline of my person, never suffered a moment’s abatement of my spirits. I possess the same ardour as ever in study, and the same gaiety in company.”

I have been lucky enough to live past 80, and the 15 years allotted to me beyond Hume’s three score and five have been equally rich in work and love. In that time, I have published five books and completed an autobiography (rather longer than Hume’s few pages) to be published this spring; I have several other books nearly finished.

Hume continued, “I am ... a man of mild dispositions, of command of temper, of an open, social, and cheerful humour, capable of attachment, but little susceptible of enmity, and of great moderation in all my passions.”

Here I depart from Hume. While I have enjoyed loving relationships and friendships and have no real enmities, I cannot say (nor would anyone who knows me say) that I am a man of mild dispositions. On the contrary, I am a man of vehement disposition, with violent enthusiasms, and extreme immoderation in all my passions.

And yet, one line from Hume’s essay strikes me as especially true: “It is difficult,” he wrote, “to be more detached from life than I am at present.”

Over the last few days, I have been able to see my life as from a great altitude, as a sort of landscape, and with a deepening sense of the connection of all its parts. This does not mean I am finished with life.

On the contrary, I feel intensely alive, and I want and hope in the time that remains to deepen my friendships, to say farewell to those I love, to write more, to travel if I have the strength, to achieve new levels of understanding and insight.

This will involve audacity, clarity and plain speaking; trying to straighten my accounts with the world. But there will be time, too, for some fun (and even some silliness, as well).

I feel a sudden clear focus and perspective. There is no time for anything inessential. I must focus on myself, my work and my friends. I shall no longer look at “NewsHour” every night. I shall no longer pay any attention to politics or arguments about global warming.

This is not indifference but detachment — I still care deeply about the Middle East, about global warming, about growing inequality, but these are no longer my business; they belong to the future. I rejoice when I meet gifted young people — even the one who biopsied and diagnosed my metastases. I feel the future is in good hands.

I have been increasingly conscious, for the last 10 years or so, of deaths among my contemporaries. My generation is on the way out, and each death I have felt as an abruption, a tearing away of part of myself. There will be no one like us when we are gone, but then there is no one like anyone else, ever. When people die, they cannot be replaced. They leave holes that cannot be filled, for it is the fate — the genetic and neural fate — of every human being to be a unique individual, to find his own path, to live his own life, to die his own death.

I cannot pretend I am without fear. But my predominant feeling is one of gratitude. I have loved and been loved; I have been given much and I have given something in return; I have read and traveled and thought and written. I have had an intercourse with the world, the special intercourse of writers and readers.

Above all, I have been a sentient being, a thinking animal, on this beautiful planet, and that in itself has been an enormous privilege and adventure.


Fonte: http://www.nytimes.com/2015/02/19/opinion/oliver-sacks-on-learning-he-has-terminal-cancer.html?_r=1







segunda-feira, 30 de março de 2015

Documentário da HBO - The Alzheimer´s Project - What´s happening to grandpa? - Projeto Alzheimer - O que está acontecendo com o vovô?


Um documentário de cerca de 30 minutos, dirigido e produzido por Eamon Harrington e John Watkin; baseado no livro "What’s Happening to Grandpa?" - “O que está acontecendo com o vovô?” de Mary Shriver. 

O documentário faz parte de um projeto maior do canal HBO, THE ALZHEIMER’S PROJECT, que apresenta produções dedicadas a causa do Alzheimer em um site robusto com o intuito da informação e sensibilização da comunidade.

“O que está acontecendo com o vovô?” conta cinco histórias de crianças, com idades entre 6-15 anos, que estão lidando com avôs ou avós que sofrem da doença de Alzheimer. Mary Shriver comenta e oferece valiosas “lições” para as crianças, pedindo-lhes para não se culpar por aquilo que seus avós fazem ou dizem. “Somos todos filhos da doença de Alzheimer”, diz Shriver que com simpatia deixa claro que “se é muito doloroso para visitar, você não tem para onde ir.” O próprio pai de Mary, Sargent Shriver, sofre com a doença; “Comparar sua vitalidade anterior à sua condição atual é difícil, mas tudo isso é compensado por boas lembranças e por um “presente” inesperado: laços entre as gerações que não poderiam ser feitos de outra forma.” Em última análise, o filme mostra o quanto é importante “ir com a maré”, oferecendo uma variedade de perspectivas sobre a forma como as crianças podem lidar com a perda da memória através da bondade, paciência e compaixão com os avós.

Assista abaixo e emocione-se:

Parte 1:




Parte 2:




Parte 3:





Fonte: Reab.me

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dia 1 de dezembro - Dia Mundial de Luta Contra AIDS


Hoje, dia 01 de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Um dia para conscientização e esclarecimento sobre a doença.

Mesmo com o número de novos casos de AIDS diminuindo, infelizmente, nos últimos anos houve aumento dos casos de AIDS na população jovem e também entre idosos, o que indica necessidade de uma abordagem mais específica nessas faixas etárias.


AIDS é a sigla de síndrome da imunodeficiência adquirida. Ela é causada pelo vírus HIV (virus da imunodeficiência humana) que ataca o sistema imunológico.

Ter o HIV não é a mesma coisa que ter a aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, podem transmitir o vírus a outros pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.

Transmissão: Como o HIV, vírus causador da aids, está presente no sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno, a doença pode ser transmitida de várias formas:
Sexo sem camisinha - pode ser vaginal, anal ou oral.
De mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação - também chamado de transmissão vertical.
Uso da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa.
Transfusão de sangue contaminado com o HIV.
Instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados.

Evitar a doença não é difícil. Basta usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar seringa, agulha e outro objeto cortante com outras pessoas.
Grávidas soropositivas devem fazer tratamento e acompanhamento médico e pré natal.

O preservativo está disponível gratuitamente na rede pública de saúde.

A AIDS não tem cura mas tem tratamento e para que haja sucesso, deve ser feito de maneira adequada com acompanhamento médico e uso de medicamentos.



 Foto: Adriana Bertini - facebook



Saiba mais nos links:

http://www.aids.gov.br/

http://www.aids.gov.br/pagina/aids-no-brasil

http://saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia2.php?id=238685&c=6

http://site.medicina.ufmg.br/inicial/aids-tambem-e-prevalente-em-idosos/

http://drauziovarella.com.br/sexualidade/os-novos-numeros-da-aids/


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tratamento Gratuito para Pacientes com Parkinson


O Ministério da Saúde através de suas políticas de saúde disponibiliza no Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos para a Doença de Parkinson. Estes medicamentos estão divididos em 2 grupos.

O primeiro grupo são medicamentos disponibilizados pelas Farmácias de Alto Custo das Secretarias Estaduais de Saúde sendo eles:

Amantadina 100 mg
Bromocriptina 2,5 mg e 5 mg
Cabergolina 0,5 mg
Entacapona 200 mg
Pramipexol 0,125 mg, 0,25 mg e 1 mg
Selegilina 5 mg e 10 mg
Tolcapona 100 mg

O segundo grupo de medicamentos é disponibilizado através dos postos municipais de saúde, sendo eles:

Biperideno 2 mg
Biperideno 4 mg
Levodopa + benserazida 200/50 mg
Levodopa + benserazida 100/25 mg
Levodopa + carbidopa 250/25 mg
Levodopa + carbidopa 200/50 mg

Fonte:
PORTARIA Nº 3.916, DE 30 DE OUTUBRO DE 1998
PORTARIA Nº 2.981, DE 26 DE NOVEMBRO DE 2009
PORTARIA Nº 4.217, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2010

http://www.vivabemcomparkinson.com.br/tratamento/tratamento-gratuito/

O que você sabe sobre a Doença de Parkinson?


Fonte: vibrarcomparkinson.blogspot.com

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A história da demência sob o olhar de uma voluntária


O amor neste caso se mostrou um poderoso tratamento a favor da demência; doença esta que degenera o cérebro e ainda não tem cura. Para o marido Sr. B. o amor pela esposa transformou-o num exímio e virtuoso cuidador, mesmo com sua esposa não mais o reconhecendo.

A Avoch é a Associação dos Voluntários do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que presta assistência direta a milhares de pacientes internados e em tratamento ambulatorial nos diversos institutos do complexo Hospital das Clínicas, há mais de 50 anos.

Integrante por 12 anos da AVOCH (Associação das Voluntárias do Hospital das Clínicas), essa cuidadora conheceu a senhora R. que me contou a seguinte história:          

Apaixonada, casou-se com o Sr. B., que aos 27 anos sofreu um acidente, o qual, em sua percepção, “a medicina que cuidava dos olhos não conseguiu salvá-lo da escuridão”. Por muitos anos, essa senhora foi os olhos de seu amado; cuidando e direcionando-o em todas as situações.    
     
Em um dia ensolarado passeando pela Av. Dr. Arnaldo seu esposo guiado por ela perguntou: “Veja, o semáforo está verde?”. Ela ficou em silêncio, pois não se recordava mais o que era um semáforo.  Nesse momento o esposo percebeu que sua amada, sua guia, precisava de ajuda, levando-a ao ambulatório da Geriatria para tratamento.          

Sem saber, o Sr. B. buscou o diagnóstico precoce para a alteração de memória de sua esposa.

Sabe-se que nos casos de doença degenerativa, como é o caso da doença de Alzheimer, o diagnóstico deve ser realizado primeiro para eliminar outras causas tratáveis ao comprometimento da memória, como déficit de vitamina B12, hipotireoidismo, entre outras causas.

Atualmente está confirmado que a demência por doença de Alzheimer pode ter uma fase pré-clínica, que começa de 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas de queixa de memória, seguida de uma fase conhecida como comprometimento cognitivo leve. Outras manifestações como alterações de comportamento também serve para se pensar na doença, entre estas as mais comuns são a ansiedade, depressão, desinibição e delírio. Logo, o diagnóstico diferencial e precoce é de suma importância, como assinalam Gil e Busse (2013).          

Mesmo sem seus olhos físicos ele passou a controlar seus agendamentos, medicações e exames, após o diagnóstico de Alzheimer. E com os olhos da alma ele a amou e a protegeu até os últimos dias de sua vida quando a mesma foi acometida por um tumor que a levou.          

O amor neste caso se mostrou um poderoso tratamento a favor da demência; doença esta que degenera o cérebro e ainda não tem cura. Acomete pessoas na faixa etária dos 60 anos e apresenta progressão exponencial e diretamente relacionada com o avanço da idade. As lesões neuronais no âmbito do córtex cerebral produzem déficit de memória e, por consequência, comprometem o pensamento, a atenção e/ou outras funções cerebrais, segundo Gil e Busse. Em decorrência, surge um sujeito para muitos familiares desconhecidos, pois fala e age como se não fosse mais a mesma pessoa.          

Para o marido Sr. B. o amor pela esposa transformou-o num exímio e virtuoso cuidador, mesmo com sua esposa não mais o reconhecendo.          

Essa voluntária, R. foi uma guerreira, humana, mãe, mulher e cuidadora. Foi para seu grande amor seus olhos e ele foi para ela sua motivação regada de muito carinho, compreensão e principalmente sensibilidade. Creio que o que fica gravado na memória é a imagem da doce mulher pelo qual se encantou e foi encantada pelo amor.

Referências:

Gil G. e Busse A.L. (2013). Ensinar a lembrar: guia prático para ajudar a reconhecer e melhorar problemas de memória. São Paulo: Casa Leitura Médica.  

(*) Regina Reis é voluntária da AVOCH e secretária da Clínica Cuidar de Você e Gislaine Gil é neuropsicóloga pelo IPq do HC da FM da USP e Mestre em Gerontologia pela PUC-SP. Coordenadora do Vigilantes da memória: www.vigilantesdamemoria.com.br

Carinho pelo avô doente transforma adolescente em inventor nos EUA

Matéria do Jornal Nacional exibida em 13/11/2014:

Jovem inventou aparelho para evitar que o avô, que sofre de Alzheimer, saia de casa sozinho e fique perambulando pelas ruas.

O carinho pelo avô doente transformou um adolescente em inventor. Quem conta é o correspondente Alan Severiano.

Fã de caligrafia e dos tradicionais carimbos chineses. Deming Shinozuka era um homem ativo até o diagnóstico de Alzheimer, 12 anos atrás. Com o avanço da doença degenerativa que afeta a memória, o geólogo apaixonado pelo neto parou de se comunicar. Quase foi atropelado quando saiu de casa perambulando pelas ruas.

"É muito trágico perder a conexão com seu avô. Ver uma pessoa tão próxima virar uma sombra do que era", conta Kenneth.

Aos 15 anos, Kenneth transformou a dor em ideia. Pesquisando em livros e na internet, inventou um aparelho, que é colocado na meia. Quando o avô se levanta, o sensor detecta a pressão do corpo sobre o pé. E emite um sinal de alerta para o celular do cuidador.

Deu tão certo que o aparelho foi testado em uma casa de repouso. No mundo, 36 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de demência. Muitos saem perambulando sem noção do perigo.

O dispositivo foi patenteado este ano e Kenneth já ganhou cinco prêmios pela invenção. O mais simbólico é o da Associação de Alzheimer de Nova York. De uma revista científica, ele recebeu US$ 50 mil. O dinheiro vai ser investido em pesquisa para melhorar o produto, que deve ser lançado no ano que vem.

Kenneth quer mais. Por causa do avô, vai estudar neurociência, na tentativa de encontrar a cura para o Alzheimer.

"É enorme o meu amor por ele. Espero que a cura chegue a tempo", afirma Kenneth.
Enquanto isso, ele retribui o carinho cantando músicas que o avô aprendeu quando criança e que fez questão de ensinar a ele.


LInk da matéria: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/11/carinho-pelo-avo-doente-transforma-adolescente-em-inventor-nos-eua.html

sábado, 8 de novembro de 2014

Só 30% dos idosos com mais de 80 anos envelhecem bem em São Paulo - matéria da Folha


Estudo inédito feito pela USP mostra que só 30% dos idosos com mais de 80 anos envelhecem bem em São Paulo.

A pesquisa avaliou 363 idosos de várias regiões do município, acompanhado no SABE (Projeto Saúde, Bem Estar e Envelhecimento). A amostra representa a população octogenária da cidade, população esta que mais cresce entre os idosos.


Matéria completa:

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/10/1527138-so-30-dos-idosos-com-mais-de-80-anos-envelhecem-bem-em-sao-paulo.shtml

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Doença de Parkinson





A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa neurológica que pode causar tremores e lentidão. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que aproximadamente 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença. Só no Brasil, estima-se que cerca de 200 mil pessoas sofram com o problema. A cura ainda não foi alcançada, mas há estudos em nível experimental sobre o tratamento com células tronco.

A Doença de Parkinson (DP), descrita por James Parkinson em 1817, é uma das doenças neurológicas mais comuns e intrigantes dos dias de hoje. Tem distribuição universal e atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas. Estima-se uma prevalência de 100 a 200 casos por 100.000 habitantes.

Ela é causada pela deterioração de neurônios dopaminérgicos da substância negra cerebral e também pelo comprometimento de outras regiões, como o núcleo dorsal do vago, sistema olfatório e alguns neurônios periféricos. Fatores genéticos também devem ser considerados, principalmente em casos precoces (antes dos 50 anos), que são mais raros.

 O corpo fala - A Doença de Parkinson é caracterizada basicamente por tremor de repouso, tremor nas extremidades, instabilidade postural, rigidez de articulações e lentidão nos movimentos. Há também outros sintomas não motores, como a diminuição do olfato, distúrbios do sono, alteração do ritmo intestinal e depressão.

Para diagnosticar o problema, é preciso estar atento. A doença pode iniciar entre 10 e 15 anos antes dos sintomas se evidenciarem. Quem apresenta tremores deve procurar ajuda médica, pois eles também podem ser causados por outros motivos e por efeito colateral de alguns medicamentos. A constatação do problema é feita por exames neurológicos e pela avaliação do histórico do pacientes. Inicialmente, a ressonância magnética e a tomografia podem ser realizadas com o intuito de descartar outras doenças. Feito isso, pode-se partir para os radiotraçadores PET e SPECT, que avaliam a função dos neurônios dopaminérgicos.

Pensando em qualidade de vida – Caso a doença seja constatada, o tratamento deve ser feito à base de medicamentos, com o intuito da redução da progressão de sintomas. A escolha do medicamento mais adequado deverá levar em consideração fatores como estágio da doença, a sintomatologia presente, ocorrência de efeitos colaterais, idade do paciente, medicamentos em uso e seu custo.

Pacientes com incapacidade funcional causada pelos sintomas parkinsonianos também podem se beneficiar de programas terapêuticos de reabilitação, envolvendo fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte psicológico e familiar, buscando evitar e/ou retardar a perda de suas funcionalidade e habilidades motoras. Quando o paciente com Parkinson não responde bem aos remédios prescritos, há ainda possibilidade de alguns tratamentos cirúrgicos e com estimuladores cerebrais profundos.

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica do SUS para pessoas com Doença de Parkinson, publicado pela portaria nº 228, de 10 de maio de 2010, os medicamentos disponíveis no SUS para o tratamento são: Levodopa/carbidopa; Levodopa/benserazida; Bromocriptina; Pramipexol; Amantadina; Biperideno; Triexifenidil; Selegilina; Tolcapona e Entacapona.



Fonte: Blog da Saúde 


quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Demência é principal causa de morte entre mulheres na Inglaterra



A doença que mais mata mulheres na Inglaterra e no País de Gales é a demência, segundo números oficiais.

De acordo com os dados, a demência mata três vezes mais que o câncer de mama e milhares de vezes mais que um infarto ou um derrame.

Os analistas dizem que o número crescente de mortes por essa doença acontece porque agora os médicos estão mais conscientes dela e estão incluindo a demência nos certificados de óbito com mais frequência.

No caso dos homens, porém, a causa mais comum de morte é problema cardíaco, e a demência é a terceira na lista de doenças que mais matam.

O fato de o cérebro ir ‘atrofiando’ aos poucos na demência faz a vida dele ser mais curta. A doença pode ser registrada como a única causa da morte, mas é frequentemente considerada uma condição subjacente. Muitas pessoas com demência acabam morrendo de pneumonia.

Dados

Os dados, publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (ONS, na sigla em inglês), mostraram que mais de meio milhão de pessoas morreram na Inglaterra e no País de Gales em 2013 em decorrência da doença.

O câncer ainda é a causa principal de morte dos dois gêneros quando se considera todos os tipos de câncer juntos. Perto de uma em cada três mortes no ano passado foram de algum tipo de câncer.

Os dados mais recentes confirmam uma mudança dramática nas causas de morte na última década.
Entre 2003 e 2013, a porcentagem de mortes por doenças cardíacas – que incluem infartos - caiu de 22% para 16% entre as mortes em homens. Nas mulheres, o índice caiu de 15% para 10%.

Tratamento e prevenção dessas doenças também melhoraram nesse período, o que significa que as pessoas estão mais propensas a sobreviverem a infartos e mais pessoas conseguem até preveni-los.
Enquanto isso, a demência aumentou de 2% para 6% nas causas de morte em homens e de 5% para 12% nas causas de morte em mulheres.

O relatório do Instituto Nacional de Estatística diz que "parte do aumento dessa porcentagem nas últimas décadas deve-se a uma melhor compreensão do que é a doença."

"Isso significa que os médicos podem estar mais preparados para registrar a demência como causa da morte", prossegue o relatório.

Para Hilary Evans, do grupo de pesquisa em Alzheimer no Reino Unido, "os números evidenciam que a demência é um grande problema e que não podemos escondê-lo mais".

"Precisamos agora voltar nossas atenções para a demência, nosso grande desafio de saúde, e investir em pesquisas que vão nos levar a uma melhor prevenção da doença e a um melhor tratamento dela."

Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141028_demencia_mulheres_rm.shtml?ocid=socialflow_facebook

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Dia 20 de outubro - Dia Mundial de Luta Contra Osteoporose




Hoje, dia 20 de outubro é celebrado mundialmente o dia de conscientização e luta contra a osteoporose, doença que atinge milhares de pessoas entre homens e mulheres.

O tema desse ano da International Osteoporosis Foundation (IOF)/Fundação Internacional de Osteoporose é Osteoporose em Homens. Com o título: Homens Reais Constroem Sua Força de Dentro para Fora a Fundação pretende desmistificar que a osteoporose seja uma doença de mulheres e fazer com que os homens cuidem melhor da sua saúde, em virtude do envelhecimento.

Faça de sua saúde óssea uma prioridade! 

Alguns dados:

Até 2050, o número esperado de fraturas de quadril deve quadruplicar.

O risco de fratura ao longo da vida é maior do que o risco de desenvolver câncer de próstata: poucos homens mais velhos estão alertados para a osteoporose.

Um terço de todas as fraturas de quadril do mundo todo ocorre em homens: os estudos também mostram que 37% dos pacientes masculinos morrem no primeiro ano após uma fratura de quadril.

Os homens têm maior probabilidade do que as mulheres de sofrer consequências sérias ou morte.

Um em cada cinco homens com mais de 50 anos de idade partirá um osso devido à osteoporose. Conheça o seu risco de sofrer futuras fraturas efetuando o teste rápido de risco de osteoporose no site.


Abaixo, alguns materiais disponíveis para download e outros links sobre o tema:

Kit da campanha 2014: 
http://share.iofbonehealth.org/WOD/2014/campaign-toolkit/WOD_2014-campaign_toolkit-PT_BR.pdf

Relatório Anual 2014:
http://share.iofbonehealth.org/WOD/2014/thematic-report/WOD14-Report-PT_BR.pdf

Infográfico 2014:
http://share.iofbonehealth.org/WOD/2014/infographic/WOD14-infographic-A4.pdf

Livreto para pacientes:
http://share.iofbonehealth.org/WOD/2014/patient-brochure/WOD14-patient_brochure-PT_BR.pdf

International Osteoporosis Foundation:
http://www.iofbonehealth.org/



Outros links sobre osteoporose:

http://biafisio.blogspot.com.br/2013/07/campanha-mundial-em-hospitais-publicos.html

http://biafisio.blogspot.com.br/2012/08/cartilha-osteoporose-para-pacientes.html

http://biafisio.blogspot.com.br/2011/10/dia-20-de-outubro-dia-mundial-de.html

http://biafisio.blogspot.com.br/2012/11/musculacao-e-o-exercicio-fisico-mais.html

domingo, 21 de setembro de 2014

21 de setembro - Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Hoje é o Dia Mundial da Doença de Alzheimer.
Um dia para lembrar e conscientizar a respeito dessa doença, que não tem cura mas tem tratamento.
Alzheimer: Quanto antes souber, mais tempo terá pra lembrar...
Eu não esqueço!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Vídeo ABRAZ - O que você precisa saber


Abaixo vídeo "O que você precisa saber" feito pela ABRAZ

Neste vídeo você encontrará informações importantes sobre o tratamento e cuidados necessários aos pacientes de Alzheimer e doenças similares.

Profissionais de diferentes áreas abordam os diversos aspectos da doença e os procedimentos adequados em cada uma delas.

1 - 0:00 Introdução e informações: Dr. Paulo Bertolucci
2 - 5:38 Tratamento farmacológico: Dr. Paulo Canineu
3 - 9:03 Atendimento SUS: Lilian Alicke
4 - 13:41 Reabilitação cognitiva: Viviane Abreu
5 - 17:01 Arteterapia: Sônia Fortuna
6 - 19:38 Fonoaudiologia: Andréa Viúde
7 - 22:39 Aspectos jurídicos: Sônia Regina Volpe
8 - 26:37 Odontologia: Denise Tibério
9 - 30:39 Fisioterapia: Denise Yuaso
10 - 33:20 Cuidadora: Maria Lúcia de Mello Santos
11 - 34:33 Encerramento: Ana Paula Lieb

Apoio: Novartis Neurociências - www.novartis.com.br





VIII Congresso Brasileiro de Alzheimer - ABRAZ - 11 à 14 de setembro de 2014



Realizado entre os dias 11 e 14 de setembro de 2014 (setembro é o mês de conscientização da doença), no Club Homs, o VIII Congresso Brasileiro de Alzheimer. Com o tema: "Cuidando do Presente e Tecendo o Amanhã"o congresso, contou com centenas de pessoas, entre familiares, cuidadores e profissionais da área discutindo e trocando experiências.

Abaixo, informações sobre a doença de Alzheimer, extraída do site da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer.


O que é Alzheimer

A Doença de Alzheimer é uma enfermidade incurável que se agrava ao longo do tempo, mas pode e deve ser tratada. Quase todas as suas vítimas são pessoas idosas. Talvez, por isso, a doença tenha ficado erroneamente conhecida como “esclerose” ou “caduquice”.

A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais. Quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família.

Seu nome oficial refere-se ao médico Alois Alzheimer, o primeiro a descrever a doença, em 1906. Ele estudou e publicou o caso da sua paciente Auguste Deter, uma mulher saudável que, aos 51 anos, desenvolveu um quadro de perda progressiva de memória, desorientação, distúrbio de linguagem (com dificuldade para compreender e se expressar), tornando-se incapaz de cuidar de si. Após o falecimento de Auguste, aos 55 anos, o Dr. Alzheimer examinou seu cérebro e descreveu as alterações que hoje são conhecidas como características da doença.

Não se sabe por que a Doença de Alzheimer ocorre, mas são conhecidas algumas lesões cerebrais características dessa doença. As duas principais alterações que se apresentam são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-amiloide, anormalmente produzida, e os emaranhados neurofibrilares, frutos da hiperfosforilação da proteína tau. Outra alteração observada é a redução do número das células nervosas (neurônios) e das ligações entre elas (sinapses), com redução progressiva do volume cerebral.

Estudos recentes demonstram que essas alterações cerebrais já estariam instaladas antes do aparecimento de sintomas demenciais. Por isso, quando aparecem as manifestações clínicas que permitem o estabelecimento do diagnóstico, diz-se que teve início a fase demencial da doença.

As perdas neuronais não acontecem de maneira homogênea. As áreas comumente mais atingidas são as de células nervosas (neurônios) responsáveis pela memória e pelas funções executivas que envolvem planejamento e execução de funções complexas. Outras áreas tendem a ser atingidas, posteriormente, ampliando as perdas.

Estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

Demência

A demência é uma doença mental caracterizada por prejuízo cognitivo que pode incluir alterações de memória, desorientação em relação ao tempo e ao espaço, raciocínio, concentração, aprendizado, realização de tarefas complexas, julgamento, linguagem e habilidades visuais-espaciais. Essas alterações podem ser acompanhadas por mudanças no comportamento ou na personalidade (sintomas neuropsiquiátricos).

Os prejuízos, necessariamente, interferem com a habilidade no trabalho ou nas atividades usuais, representam declínio em relação a níveis prévios de funcionamento e desempenho e não são explicáveis por outras doenças físicas ou psiquiátricas. Muitas doenças podem causar um quadro de demência. Entre as várias causas conhecidas, a Doença de Alzheimer é a mais frequente.

Quais são os sinais da Doença de Alzheimer?

O paciente com Alzheimer pode apresentar:

Perda de memória recente com repetição das mesmas perguntas ou dos mesmos assuntos.
Esquecimento de eventos, de compromissos ou do lugar onde guardou seus pertences.
Dificuldade para perceber uma situação de risco, para cuidar do próprio dinheiro e de seus bens pessoais, para tomar decisões e para planejar atividades mais complexas.
Dificuldade para se orientar no tempo e no espaço.
Incapacidade em reconhecer faces ou objetos comuns, podendo não conseguir reconhecer pessoas conhecidas.
Dificuldade para manusear utensílios, para vestir-se, e em atividades que envolvam autocuidado.
Dificuldade para encontrar e/ou compreender palavras, cometendo erros ao falar e ao escrever.
Alterações no comportamento ou na personalidade: pode se tornar agitado, apático, desinteressado, isolado, desinibido, inadequado e até agressivo.
Interpretações delirantes da realidade, sendo comuns quadros paranoicos ao achar que está sendo roubado, perseguido ou enganado por alguém. Esquecer o que aconteceu ou o que ficou combinado pode contribuir para esse quadro.
Alucinações visuais (ver o que não existe) ou auditivas (ouvir vozes) podem ocorrer, sendo mais frequentes da metade para o final do dia.
Alteração do apetite com tendência a comer exageradamente, ou, ao contrário, pode ocorrer diminuição da fome.
Agitação noturna ou insônia com troca do dia pela noite.
Os sintomas não são os mesmos para todos os pacientes com demência, mesmo quando a causa de demência é a mesma. Nem todos os sintomas aparecerão em todos os pacientes. Como uma doença de curso progressivo, o quadro clínico do paciente com demência sofre modificações. Com a evolução da doença, há o aparecimento de novos sintomas ou o agravamento dos sintomas existentes.

Outras demências

Além da Doença de Alzheimer, existem muitos outros tipos de demência.

Demência vascular 

Pode ser considerada a segunda maior causa de demência. A demência vascular é causada por lesões cerebrais de origem vascular e as manifestações clínicas dependem da localização e do número de lesões cerebrais. As lesões vasculares cerebrais podem ocorrer como infartos silenciosos, que não resultam em ataque reconhecido clinicamente, e como acidentes vasculares encefálicos, conhecidos popularmente como “derrame”. Os fatores de risco são: hipertensão arterial, diabetes mellitus, hipercolesterolemia, doença cardiovascular, fibrilação atrial, tabagismo, trombose, abuso de álcool e fatores genéticos.

Demência com corpos de Lewy

Causada pela presença de alterações cerebrais chamadas de corpos de Lewy. Os critérios para o diagnóstico clínico da doença incluem demência com sintomas da Doença de Parkinson (rigidez da musculatura, movimentos mais lentos; tremores são mais raros); alucinações visuais (ver coisas que não existem, geralmente pessoas, animais, objetos e crianças) e oscilação dos sintomas ao longo do dia. Os sintomas parkinsonianos e alucinações ocorrem no estágio inicial, quando alterações importantes na memória podem não ocorrer. Outras características da doença incluem quedas repetidas, desmaios, delírios (acreditar em coisas que não existem), outras formas de alucinações (auditivas, ouvir coisas que não existem) e sensibilidade importante, com reações adversas intensas, ao uso de medicações para delírios e alucinações (antipsicóticos).

Demência na Doença de Parkinson

Cerca de 40% dos pacientes com Doença de Parkinson podem evoluir para quadros demenciais. Também é causada pela presença de corpos de Lewy, mas estão presentes em locais diferentes do cérebro. Para esse diagnóstico, é necessário que o quadro demencial ocorra após um ano do início do quadro da Doença de Parkinson. Se a demência ocorrer em menos de um ano após o início dos sinais de Parkinson, a hipótese clínica principal passa a ser de demência por corpos de Lewy. A atenção é uma das funções mais prejudicadas. A memória também pode estar afetada, mas em um grau menos intenso do que é observado na Doença de Alzheimer. Outra capacidade muito comprometida é a de planejar, organizar e regular um comportamento motor (função executiva). Também são comuns os quadros de depressão e de alucinações visuais (ver animais, pessoas).

Demência frontotemporal

Quadro caracterizado por deterioração na personalidade e na cognição. A alteração típica no exame de neuroimagem é a redução da região frontal e temporal do cérebro. As mudanças no comportamento são mais importantes que os problemas na memória e orientação. As mudanças podem incluir: desinibição, impulsividade, inquietude, perda do julgamento, oscilação emocional, apatia, desinteresse, perda de motivação, isolamento, sentimentalismo excessivo, hipocondria, comportamento exaltado, choro fácil, risos inadequados, irritabilidade, comentários sexuais inadequados, atos indecentes, comportamento muito inadequado como urinar em público, alterações importantes do hábito alimentar (por exemplo, preferência por doces), negligência da higiene pessoal. As alterações cognitivas são menos evidentes que na Doença de Alzheimer e ocorrem após dois anos, aproximadamente, do início das alterações de comportamento. Ansiedade e depressão são comuns. O paciente pode apresentar atos violentos, comportamentos ruins que não apresentava antes da doença.

Fatores de Risco

A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento de demência da Doença de Alzheimer (DA). Após os 65 anos, o risco de desenvolver a doença dobra a cada cinco anos.

As mulheres parecem ter risco maior para o desenvolvimento da doença, mas talvez isso aconteça pelo fato de elas viverem mais do que os homens.

Os familiares de pacientes com DA têm risco maior de desenvolver essa doença no futuro, comparados com indivíduos sem parentes com Alzheimer. No entanto, isso não quer dizer que a doença seja hereditária.

Embora a doença não seja considerada hereditária, há casos, principalmente quando a doença tem início antes dos 65 anos, em que a herança genética é importante. Esses casos correspondem a 10% dos pacientes com Doença de Alzheimer.

Pessoas com histórico de complexa atividade intelectual e alta escolaridade tendem a desenvolver os sintomas da doença em um estágio mais avançado da atrofia cerebral, pois é necessária uma maior perda de neurônios para que os sintomas de demência comecem a aparecer. Por isso, uma maneira de retardar o processo da doença é a estimulação cognitiva constante e diversificada ao longo da vida.

Outros fatores importantes referem-se ao estilo de vida. São considerados fatores de risco: hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo. Esses fatores relacionados aos hábitos são considerados modificáveis. Alguns estudos apontam que se eles forem controlados podem retardar o aparecimento da doença.

Diagnóstico

É muito comum que os sintomas iniciais da Doença de Alzheimer (DA) sejam confundidos com o processo de envelhecimento normal. Essa confusão tende a adiar a busca por orientação profissional e, não tão raro, a doença é diagnosticada tardiamente. Recomenda-se que, diante dos primeiros sinais, as famílias procurem profissionais e/ou serviços de saúde especializados para diagnóstico precoce no estágio inicial da doença, o que favorecerá a evolução e o prognóstico do quadro.

Nos quadros de demência da Doença de Alzheimer, normalmente observa-se um início lento dos sintomas (meses ou anos) e uma piora progressiva das funções cerebrais.

A certeza do diagnóstico só pode ser obtida por meio do exame microscópico do tecido cerebral do doente após seu falecimento. Antes disso, esse exame não é indicado, por apresentar riscos ao paciente. Na prática, o diagnóstico da Doença de Alzheimer é clínico, isto é, depende da avaliação feita por um médico, que irá definir, a partir de exames e da história do paciente, qual a principal hipótese para a causa da demência.

Exames de sangue e de imagem, como tomografia ou, preferencialmente, ressonância magnética do crânio, devem ser realizados para excluir a possibilidade de outras doenças.

Faz parte da bateria de exames complementares uma avaliação aprofundada das funções cognitivas. A avaliação neuropsicológica envolve o uso de testes psicológicos para a verificação do funcionamento cognitivo em várias esferas. Os resultados, associados a dados da história e da observação do comportamento do paciente, permitem identificar a intensidade das perdas em relação ao nível prévio, e o perfil de funcionamento permite a indicação de hipóteses sobre a presença da doença.

O mapeamento pode ser útil ainda para a programação do tratamento de estimulação cognitiva, que considera as habilidades que merecem investimentos para serem preservadas e aquelas que precisam ser compensadas.

A Doença de Alzheimer não deve ser a principal hipótese para o quadro demencial quando houver evidências de outras doenças que justifiquem a demência (por exemplo, doença vascular cerebral ou características típicas de outras causas de demência), ou quando há uso de medicação que possa prejudicar a cognição.

É reconhecida uma fase da Doença de Alzheimer anterior ao quadro de demência. Essa fase é chamada de comprometimento cognitivo leve devido à Doença de Alzheimer. Essa hipótese é feita quando ocorre alteração cognitiva relatada pelo paciente ou por um informante próximo, com evidência de comprometimento, mas ainda há a preservação da independência nas atividades do dia a dia.

Pode haver problemas leves para executar tarefas complexas anteriormente habituais, tais como pagar contas, preparar uma refeição ou fazer compras. O paciente pode demorar mais para executar atividades ou ser menos eficiente e cometer mais erros. No entanto, ainda é capaz de manter sua independência com mínima assistência. Não é possível saber se pacientes que apresentam esse quadro evoluirão para a demência.

Muitos pacientes apresentam um comprometimento cognitivo leve que não tem como causa a Doença de Alzheimer, e muitos não evoluem para a demência, mas é importante que o paciente e seu familiar procurem um profissional para a avaliação cuidadosa e seguimento.

Uma novidade nas pesquisas científicas é a análise de biomarcadores de beta-amiloide (das placas senis) e de proteína tau (dos emaranhados neurofibrilares) que estão sendo estudados para auxiliar no diagnóstico preciso da Doença de Alzheimer. Porém, essa análise ainda não é indicada para a prática clínica. Por enquanto, ela está restrita a pesquisas. No campo das pesquisas na área da genética, sabe-se que alguns genes estão relacionados a maior risco de desenvolvimento da doença.

Tratamento

Até o momento, não existe cura para a Doença de Alzheimer. Os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e uma qualidade de vida melhor, mesmo na fase grave da doença.

As pesquisas têm progredido na compreensão dos mecanismos que causam a doença e no desenvolvimento das drogas para o tratamento. Os objetivos dos tratamentos são aliviar os sintomas existentes, estabilizando-os ou, ao menos, permitindo que boa parte dos pacientes tenha uma progressão mais lenta da doença, conseguindo manter-se independentes nas atividades da vida diária por mais tempo. Os tratamentos indicados podem ser divididos em farmacológico e não farmacológico.

Tratamento farmacológico

Na Doença de Alzheimer, acredita-se que parte dos sintomas decorra de alterações em uma substância presente no cérebro chamada de acetilcolina, que se encontra reduzida em pacientes com a doença. Um modo possível de tratar a doença é utilizar medicações que inibam a degradação dessa substância.

A primeira medicação, testada há mais de 30 anos, foi a fisostigmina, que apesar de proporcionar melhora da memória foi inutilizada por provocar muitos efeitos colaterais.

A primeira droga utilizada em larga escala e aprovada pela agências reguladoras, em 1993, foi a tacrina. Porém, essa medicação caiu em desuso com o advento de novas medicações, pela dificuldade na administração e pelo risco de complicações e efeitos adversos.

As medicações que atuam na acetilcolina, e que estão aprovadas para uso no Brasil nos casos de demências leve e moderada, são a rivastigmina, a donepezila e a galantamina (conhecidas como inibidores da acetilcolinesterase ou anticolinesterásicos).

As vantagens e as desvantagens de cada medicação e o modo de administração devem ser discutidos com o médico que acompanha o paciente. Teoricamente, a resposta esperada com o uso dessas medicações é uma melhora inicial dos sintomas, que será perdida com a progressão da doença, mas há evidências de que essas drogas podem estabilizar parcialmente essa progressão, de modo que a evolução torne-se mais lenta. Os efeitos positivos, que visam à melhoria ou à estabilização, foram demonstrados para a cognição, o comportamento e a funcionalidade. A resposta ao tratamento é individual e muito variada.

A memantina é outra medicação aprovada para o tratamento da demência da Doença de Alzheimer. Ela atua reduzindo um mecanismo específico de toxicidade das células cerebrais. É possível também que facilite a neurotransmissão e a neuroplasticidade. O uso da memantina, isoladamente ou associada aos anticolinesterásicos, é indicado no tratamento das pessoas com Doença de Alzheimer nas fases moderada a grave.

Para o tratamento da demência da Doença de Alzheimer nas fases leve a moderada, até o momento, a memantina tem demonstrado resultados conflitantes entre os estudos. Portanto, não há respaldo na literatura científica para o uso da memantina nos estágios iniciais da Doença de Alzheimer.

Os sintomas comportamentais e psicológicos podem ser tratados com medicações específicas e controladas. Muitas medicações, com expectativa de bons resultados, podem ser indicadas para o tratamento e o controle de agitação, agressividade, alterações do sono, depressão, ansiedade, apatia, delírios e alucinações.

É importante que doses e horários das medicações prescritas sejam seguidas com rigor. Alterações ou reações não esperadas devem ser comunicadas ao médico responsável pelo tratamento, para possíveis ajustes. É terminantemente desaconselhável que pacientes ou familiares testem modificações, sob risco de efeitos indesejáveis e prejuízo no controle de sintomas.

Outras medicações e substâncias

Não são incomuns prescrições de outras substâncias e medicações para o tratamento da demência da Doença de Alzheimer. As evidências, até o momento, são de ineficácia do tratamento com ginkgo biloba, selegilina, vitamina E, Ômega 3, redutores da homocisteína, estrogênio, anti-inflamatórios e estatina. Sendo assim, o uso dessas substâncias e medicações, com fim específico de tratamento para a demência, não é recomendado.

Tratamento não farmacológico

Há evidências científicas que indicam que atividades de estimulação cognitiva, social e física beneficiam a manutenção de habilidades preservadas e favorecem a funcionalidade.

O treinamento das funções cognitivas como atenção, memória, linguagem, orientação e a utilização de estratégias compensatórias são muito úteis para investimento em qualidade de vida e para estimulação cognitiva.

Pacientes mais ativos utilizam o cérebro de maneira mais ampla e frequente e sentem-se mais seguros e confiantes quando submetidos a tarefas prazerosas e alcançáveis. A seleção, frequência e distribuição de tarefas deve ser criteriosa e, preferencialmente, orientada por profissionais.

Com o intuito de auxiliar os pacientes, algumas famílias ou cuidadores tendem a sobrecarregá-los com atividades que julgam poder ajudar no tratamento, desfavorecendo resultados e correndo o risco de criar resistência ou de tornar o ambiente tenso.

A qualidade e a quantidade de estímulos devem ser monitoradas e avaliadas a partir da resposta dos pacientes. É de fundamental importância para a adesão às propostas que essas atividades sejam agradáveis e compatíveis com as capacidades dos pacientes.

O intuito dos tratamentos não farmacológicos não é fazer com que a pessoa com demência volte a funcionar como antes da instalação da doença, mas que funcione o melhor possível a partir de novos e evolutivos parâmetros.

Quando estimulados e submetidos a atividades que conseguem realizar, os pacientes apresentam ganho de autoestima e iniciativa, e assim tendem a otimizar o uso das funções ainda preservadas.

As intervenções oferecidas podem ser de três áreas diversas. Quando combinadas, podem obter melhores resultados. Embora sejam importantes, sugere-se cautela na oferta de tratamento com intervalo entre atividades.

1. Estimulação cognitiva
Consiste em atividades ou programas de intervenção que visam a potencializar as habilidades cognitivas mediante a estimulação sistemática e continuada em situações práticas que requerem o uso de pensamento, raciocínio lógico, atenção, memória, linguagem e planejamento.

O objetivo geral desse tipo de estimulação é minimizar as dificuldades dos pacientes a partir de estratégias compensatórias, para que possam fazer uso de recursos intelectuais presentes de maneira consistente. Podem ser feitas atividades grupais ou individuais. Em ambos os casos, deve-se atentar para as necessidades dos pacientes, para situações do dia a dia que promovam autonomia e capacidade decisória, a partir de novas estratégias, para o cumprimento de tarefas.

Durante as atividades são utilizadas técnicas que resgatam memória antiga, exploram alternativas de aprendizado, promovem associação de ideias, exigem raciocínio e atenção dirigida, favorecem planejamento com sequenciamento em etapas e antecipação de resultados e consequências, proporcionam treino de funções motoras e oferecem controle comportamental relacionado aos impulsos e reações.

Pode ser praticada em tarefas variadas como jogos, desafios mentais, treinos específicos, construções, reflexões, resgate de histórias e uso de materiais que compensem dificuldades específicas (por exemplo, calendário para problemas de orientação temporal).

2. Estimulação social
São iniciativas que priorizam o contato social dos pacientes estimulando as habilidades de comunicação, convivência e afeto, promovendo integração e evitando a apatia e a inatividade diante de dificuldades. Além de intervenções em grupo para estimulação cognitiva e física, podem ser realizadas atividades de lazer, culturais, celebração de datas importantes e festivas. É essencial que sejam organizadas a partir das experiências anteriores do paciente e que envolvam temas que despertem seu interesse e motivação. Lugares muito movimentados e com muitas pessoas podem dificultar o aproveitamento dos pacientes, pois estímulos simultâneos podem deixá-los confusos. Sugere-se que a família observe o comportamento de pacientes em situações sociais e que verifique se estão à vontade e aproveitando. Caso o idoso com Alzheimer tenha dificuldade em acompanhar conversas paralelas ou fique agitado com a movimentação, a conduta deve ser a de tornar o ambiente mais propício para ele, com menos estímulos simultâneos. Nesse caso, não há necessidade de cancelar compromissos, mas de proporcionar ambiente mais calmo e com menos pessoas a cada encontro.

Para o idoso, o contato com a família tende a ser a principal fonte de convívio e satisfação a partir de interação social. Diante das dificuldades dos idosos com Alzheimer, pode parecer que as alternativas de contato fiquem limitadas a ponto de inviabilizar o relacionamento. Isso não é verdade. Há muitas maneiras de relacionamento de qualidade com alcance mútuo de satisfação: resgatar histórias antigas, especialmente envolvendo lembranças agradáveis e que tenham relevância familiar, contato físico e afetuoso bem como acompanhamento de rotina e atividades diárias. São esses os tipos de tarefas que o paciente tende a ficar mais à vontade e aproveitar melhor o momento de encontro com familiares.

3. Estimulação física
A prática de atividade física e de fisioterapia oferece benefícios neurológicos e melhora na coordenação, força muscular, equilíbrio e flexibilidade. Contribui para o ganho de independência, favorece a percepção sensorial, além de retardar o declínio funcional nas atividades de vida diária. Alguns estudos mostram que atividades regulares estão associadas a evolução mais lenta da Doença de Alzheimer. Além de alongamentos, podem ser indicados exercícios para fortalecimento muscular e exercícios aeróbicos moderados, sob orientação e com acompanhamento dirigido.

4. Organização do ambiente
O ambiente da pessoa com Doença de Alzheimer influencia seu humor, sua relação com as pessoas e até sua capacidade cognitiva. Diante de situações agitadas ou desorganizadas, pode haver uma tendência à confusão mental que prejudica o funcionamento de modo geral. Por isso, oferecer ambiente adequado pode ser uma forma de minimizar sintomas, bem como favorecer a qualidade de vida.

Organizar o ambiente tem como objetivo inibir ou controlar as manifestações de sintomas comportamentais como ansiedade e agitação, delírios e alucinações e inadequações sociais. O ambiente deve ser tranquilo, com situações previsíveis, evitando características que possam ser interpretadas como ameaçadoras. Sugere-se utilizar tom de voz ameno e evitar confrontos e conflitos desnecessários, repetitivos e duradouros, diminuir e evitar barulhos e ruídos, amenizar estímulos luminosos muito intensos, deixar o ambiente claro, limpo e organizado, estabelecer uma rotina estável e simplificada.

5. Tratamentos específicos para problemas específicos
Nos estágios iniciais da Doença de Alzheimer são esperadas reações emocionais negativas, assim como dificuldade de adaptação a mudanças, com prejuízos sociais progressivos. Lidar com as perdas associadas ao processo de adoecimento envolve o confronto com déficits e, consequentemente, com frustrações. Nessa etapa da doença, é esperado que o paciente identifique, pelo menos parcialmente, os prejuízos e tente evitá-los. Por isso, pode acontecer de ficar menos motivado para atividades e encontros sociais.

Em fases mais avançadas da doença, em que os sintomas passam a ser mais evidentes, o confronto com prejuízos que interferem na autonomia é mais presente. Alguns pacientes podem precisar de monitoramento constante, para evitar exposição a situações de risco. Em algumas famílias, pode ser necessário o auxílio de cuidadores profissionais ou de mais integrantes na equipe de cuidados.

Além de auxílio dos cuidadores, podem ser necessários tratamentos específicos, envolvendo a busca pela minimização de dificuldades que passam a interferir nas atividades diárias. Os tratamentos mais frequentes são os que requerem estímulo à locomoção e motricidade, deglutição, comunicação e nutrição.

A cada etapa da doença, profissionais especializados podem ser indicados para minimizar problemas e orientar a família, com o objetivo de favorecer a superação de perdas e enfrentar o processo de adoecimento, mantendo a qualidade de contato e relacionamento. Muitos são os profissionais que cuidam de pessoas com Doença de Alzheimer. Além de médicos (geralmente neurologistas, geriatras, psiquiatras ou clínicos gerais), há a atuação de outros profissionais de saúde: psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, educadores, educadores físicos, assistentes sociais e dentistas.

Evolução da doença

A Doença de Alzheimer é caracterizada pela piora progressiva dos sintomas. Entretanto, muitos pacientes podem apresentar períodos de maior estabilidade. A evolução dos sintomas da Doença de Alzheimer pode ser dividida em três fases: leve, moderada e grave *.

Na fase leve, podem ocorrer alterações como perda de memória recente, dificuldade para encontrar palavras, desorientação no tempo e no espaço, dificuldade para tomar decisões, perda de iniciativa e de motivação, sinais de depressão, agressividade, diminuição do interesse por atividades e passatempos.

Na fase moderada, são comuns dificuldades mais evidentes com atividades do dia a dia, com prejuízo de memória, com esquecimento de fatos mais importantes, nomes de pessoas próximas, incapacidade de viver sozinho, incapacidade de cozinhar e de cuidar da casa, de fazer compras, dependência importante de outras pessoas, necessidade de ajuda com a higiene pessoal e autocuidados, maior dificuldade para falar e se expressar com clareza, alterações de comportamento (agressividade, irritabilidade, inquietação), ideias sem sentido (desconfiança, ciúmes) e alucinações (ver pessoas, ouvir vozes de pessoas que não estão presentes).

Na fase grave, observa-se prejuízo gravíssimo da memória, com incapacidade de registro de dados e muita dificuldade na recuperação de informações antigas como reconhecimento de parentes, amigos, locais conhecidos, dificuldade para alimentar-se associada a prejuízos na deglutição, dificuldade de entender o que se passa a sua volta, dificuldade de orientar-se dentro de casa. Pode haver incontinência urinária e fecal e intensificação de comportamento inadequado. Há tendência de prejuízo motor, que interfere na capacidade de locomoção, sendo necessário auxílio para caminhar. Posteriormente, o paciente pode necessitar de cadeira de rodas ou ficar acamado.

Estágio inicial

O estágio inicial raramente é percebido. Parentes e amigos (e, às vezes, os profissionais) veem isso como "velhice", apenas uma fase normal do processo do envelhecimento. Como o começo da doença é gradual, é difícil ter certeza exatamente de quando a doença começa. A pessoa pode:

Ter problemas com a propriedade da fala (problemas de linguagem).
Ter perda significativa de memória – particularmente das coisas que acabam de acontecer.
Não saber a hora ou o dia da semana.
Ficar perdida em locais familiares.
Ter dificuldade na tomada de decisões.
Ficar inativa ou desmotivada.
Apresentar mudança de humor, depressão ou ansiedade.
Reagir com raiva incomum ou agressivamente em determinadas ocasiões.
Apresentar perda de interesse por hobbies e outras atividades.

Estágio intermediário

Como a doença progride, as limitações ficam mais claras e mais graves. A pessoa com demência tem dificuldade com a vida no dia a dia e:

Pode ficar muito desmemoriada, especialmente com eventos recentes e nomes das pessoas.
Pode não gerenciar mais viver sozinha, sem problemas.
É incapaz de cozinhar, limpar ou fazer compras.
Pode ficar extremamente dependente de um membro familiar e do cuidador.
Necessita de ajuda para a higiene pessoal, isto é, lavar-se e vestir-se.
A dificuldade com a fala avança.
Apresenta problemas como perder-se e de ordem de comportamento, tais como repetição de perguntas, gritar, agarrar-se e distúrbios de sono.
Perde-se tanto em casa como fora de casa.
Pode ter alucinações (vendo ou ouvindo coisas que não existem).

Estágio avançado

O estágio avançado é o mais próximo da total dependência e da inatividade. Distúrbios de memória são muito sérios e o lado físico da doença torna-se mais óbvio. A pessoa pode:

Ter dificuldades para comer.
Ficar incapacitada para comunicar-se.
Não reconhecer parentes, amigos e objetos familiares.
Ter dificuldade de entender o que acontece ao seu redor.
É incapaz de encontrar o seu caminho de volta para a casa.
Ter dificuldade para caminhar.
Ter dificuldade na deglutição.
Ter incontinência urinária e fecal.
Manifestar comportamento inapropriado em público.
Ficar confinada a uma cadeira de rodas ou cama.
*Alertamos para o fato de que essa divisão tem caráter didático e, muitas vezes, sintomas classificados em diferentes fases se mesclam em um mesmo período.

Atualizações científicas

Exame de marcadores biológicos

O diagnóstico da Doença de Alzheimer continua sendo clínico, mas a diferença verificada desde o início da atual década foi a constatação de que marcadores biológicos podem auxiliar a tornar o diagnóstico da DA mais preciso. Os marcadores biológicos que passam a fazer parte da investigação clínica são o beta-amiloide e a proteína fosfo-tau. A proteína beta-amiloide, como se sabe, é acumulada nas placas senis, um dos marcos patológicos da doença. Essa proteína é produzida normalmente no cérebro e há evidências de que quantidades muito pequenas dela são necessárias para manter os neurônios viáveis. O problema na DA é que sua produção aumenta muito e moléculas acumulam-se como oligômeros, levando à alteração nas sinapses, o primeiro passo para a série de eventos que leva à perda de neurônios e aos sintomas da doença.

Normalmente, a beta-amiloide é eliminada pelo liquor, mas na DA sua acumulação no cérebro faz com que sua concentração no liquor caia. Simultaneamente, ocorre fosforilação da proteína tau, que forma os emaranhados neurofibrilares dentro dos neurônios, que é outra alteração patológica conhecida da DA. Com a morte neuronal, a fosfo-tau é eliminada pelo liquor, aumentando sua concentração. Dessa forma, na DA ocorre diminuição da concentração de beta-amiloide e aumento da concentração de fosfo-tau no liquor.

É necessário ter em mente algumas implicações desse exame:

A alteração das concentrações de marcadores por si não garante o diagnóstico de DA, que deve ter a correlação com sintomas clínicos.
Essas alterações podem ser úteis no diagnóstico diferencial entre DA e outras demências, quando o que ocorre com frequência é a superposição de sintomas.
Com os marcadores biológicos, é possível fazer o diagnóstico da doença prodrômica, isto é, de pessoas com queixa e dificuldade objetivamente verificadas, mas que não preenchem os critérios para o diagnóstico de demência como, por exemplo, as que não têm prejuízo em suas atividades. Pessoas com doença prodrômica têm chance muito elevada de vir a desenvolver a demência da DA.

Essa mudança nos paradigmas do diagnóstico levou também a uma mudança na busca de novos tratamentos, que agora são dirigidos para a produção e agregação de moléculas de beta-amiloide e para a inibição da produção de fosfo-tau.

A Doença de Alzheimer antes dos sintomas

Os marcadores biológicos e os estudos sistemáticos do cérebro deixaram claro que, por um período de 15 a 20 anos, estão acontecendo alterações no cérebro antes do diagnóstico da demência da Doença de Alzheimer, ainda que seja em sua fase inicial. Assim, poderíamos falar em:

Envelhecimento normal: não há alterações clínicas ou queixa de mau funcionamento cognitivo. Perdas referentes ao processo de envelhecimento envolvem principalmente alterações físicas e sensoriais.

Doença pré-clínica: as pessoas não apresentam alteração clínica alguma e sua avaliação clínica será normal, exceto no final desta fase, quando testes de memória e de outras áreas da cognição podem mostrar alterações muito sutis. Por outro lado, verifica-se uma mudança nos marcadores biológicos, com queda na concentração de beta-amiloide e aumento na concentração de fosfo-tau. Exame de ressonância com marcador para beta-amiloide mostrará que esta substância está se acumulando no cérebro. A não ser por esses exames especiais, e que ainda estão disponíveis em poucos lugares, não se pode fazer o diagnóstico de doença pré-clínica.

Doença prodrômica: aqui começam as queixas de memória, que se tornarão mais acentuadas ao longo do tempo. A avaliação clínica mostra objetivamente que há alteração, a mais comum sendo nos testes de memória. Nesta fase, a ressonância com marcador para beta-amiloide mostra maior acúmulo e a ressonância convencional começa a mostrar atrofia cerebral, particularmente para os hipocampos, que constituem uma área central da memória. Nesta fase, as pessoas continuam com suas atividades e, portanto, não se pode falar em demência, apesar de no final desta fase manterem as atividades, principalmente as mais complexas, que requerem mais memória e planejamento, como gerenciar finanças ou planejar viagens, que exigem um esforço maior. Para essas pessoas, portanto, o diagnóstico pode ser feito pelo exame clínico, ajudado pelo exame de liquor e pela ressonância de cérebro.

Demência da Doença de Alzheimer: a DA, como a conhecemos, envolve perdas significativas de capacidades com interferência nas atividades cotidianas.
Nesse sentido, as mudanças previsíveis para diagnóstico e tratamento da DA serão:

O diagnóstico será mais precoce, preferencialmente na fase prodrômica.
O tratamento será mais precoce, preferencialmente na fase prodrômica.
Caso se chegue de fato a medicações mais eficientes, então a perspectiva para as pessoas com DA mudará radicalmente.


Para mais informações acesse o site: www.abraz.org.br