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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Robô japonês é considerado uma ajuda incansável no cuidado a pacientes com demência




Em uma sala do terceiro andar em uma casa de repouso em Tokyo ocidental, pacientes idosos com demência recentemente passaram um tempo com Pimenta, um robô humanóide com inteligência artificial a ser desenvolvido pela SoftBank Mobile.

Como o Japão enfrenta um número crescente de pessoas que sofrem de demência, mais empresas começaram a desenvolver produtos e serviços para ajudar os pacientes e suas famílias a viverem mais confortavelmente. Tais produtos e serviços também estão se tornando uma importante indústria. A Softbank Mobile espera desenvolver seu robô para atuar como um parceiro de conversa para aqueles que sofrem de demência. Durante a sua visita nesse dia, Pimenta participou de um jogo e mostrou suas habilidades de dança, graças à instalação de um programa no protótipo. Vendo os idosos residentes sorrirem enquanto eles conversavam com Pimenta, um funcionário da casa, Harue Ishikawa, expressou grandes esperanças, dizendo: “Mesmo com a escassez de mão de obra no campo dos cuidados, podemos oferecer um serviço de maior qualidade se esses robôs pudessem assumir algumas dessas tarefas. ”

O número de pessoas que sofrem ou estão dentro da faixa de risco para demência foi estimada em 8 milhões em 2014, e o número deve aumentar ainda mais. Enquanto isso, o percentual de domicílios que compreende uma única pessoa com pelo menos 65 ou um casal de idosos, sem os membros mais jovens da família, deverá aumentar de 20% em 2010 e chegar a 28% em 2035. Há também muitos idosos que vivem com membros mais jovens da família, mas que ficam sozinhos em casa durante o dia, enquanto os outros estão no trabalho.

Kaname Hayashi, que está envolvido no desenvolvimento de Pimenta na SoftBank, disse: “Vemos uma demanda por produtos para a comunicação e apoio de vida no cotidiano, em questões como, perguntar aos idosos se eles tomaram”. A empresa espera que esses robôs ajudem na manutenção do pontifical e dos cuidados aos idosos, evitando que a fase de cuidados de enfermagem chegue rápido.
A SoftBank pretende desenvolver um programa para oferecer melhor suporte para pacientes com demência, como pela adição de uma função para estimular o idoso a falar sobre suas memórias. “Pepper, que é incansável, sempre pode estar lá como um parceiro de conversa“, disse Hayashi.

Em 2011, a Fujitsu Laboratories Ltd. escolheu a demência como objeto de pesquisa. Primeiro, a equipe do laboratório estudou os pacientes com demência e suas famílias para relacionar os tipos de dificuldades que essas pessoas enfrentam em suas vidas diárias. “Os produtos projetados para pessoas com demência devem ser fácil para qualquer um usar“, disse Makoto Okada, líder de projeto do laboratório.

PaPeRo, um robô de comunicação desenvolvida pela NEC Corp. e outros já estão tendo um papel ativo em lugares como instalações de cuidados de enfermagem. A empresa espera tornar este novo robô disponível para o consumidor médio por menos de 20.000 ienes (cerca de US $ 204) por mês. “O uso de produtos especialmente desenvolvidos para pacientes com demência tem sido limitada a lugares como casas de repouso“, disse a empresa. “Mas acreditamos que eles em breve se espalharão para as famílias comuns.”

“Várias empresas se interessaram na demência nos últimos anos, e nós temos recebidos pedidos de mais informações“, disse Takenobu Inoue, diretor do departamento de tecnologia assistiva no Instituto de Pesquisa do Centro Nacional de Reabilitação para Pessoas com Deficiência. “Se os fabricantes conhecidos começarem  a vender produtos e serviços que são amigáveis para demência, isso desempenhará um papel importante na prevenção de doenças. Estamos dispostos a cooperar com empresas que podem disseminar esse tipo de cuidado.”


Fonte:
http://www.thestar.com/life/health_wellness/2015/01/19/japanese-robot-a-tireless-aid-in-dementia-care.html

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A história da demência sob o olhar de uma voluntária


O amor neste caso se mostrou um poderoso tratamento a favor da demência; doença esta que degenera o cérebro e ainda não tem cura. Para o marido Sr. B. o amor pela esposa transformou-o num exímio e virtuoso cuidador, mesmo com sua esposa não mais o reconhecendo.

A Avoch é a Associação dos Voluntários do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que presta assistência direta a milhares de pacientes internados e em tratamento ambulatorial nos diversos institutos do complexo Hospital das Clínicas, há mais de 50 anos.

Integrante por 12 anos da AVOCH (Associação das Voluntárias do Hospital das Clínicas), essa cuidadora conheceu a senhora R. que me contou a seguinte história:          

Apaixonada, casou-se com o Sr. B., que aos 27 anos sofreu um acidente, o qual, em sua percepção, “a medicina que cuidava dos olhos não conseguiu salvá-lo da escuridão”. Por muitos anos, essa senhora foi os olhos de seu amado; cuidando e direcionando-o em todas as situações.    
     
Em um dia ensolarado passeando pela Av. Dr. Arnaldo seu esposo guiado por ela perguntou: “Veja, o semáforo está verde?”. Ela ficou em silêncio, pois não se recordava mais o que era um semáforo.  Nesse momento o esposo percebeu que sua amada, sua guia, precisava de ajuda, levando-a ao ambulatório da Geriatria para tratamento.          

Sem saber, o Sr. B. buscou o diagnóstico precoce para a alteração de memória de sua esposa.

Sabe-se que nos casos de doença degenerativa, como é o caso da doença de Alzheimer, o diagnóstico deve ser realizado primeiro para eliminar outras causas tratáveis ao comprometimento da memória, como déficit de vitamina B12, hipotireoidismo, entre outras causas.

Atualmente está confirmado que a demência por doença de Alzheimer pode ter uma fase pré-clínica, que começa de 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas de queixa de memória, seguida de uma fase conhecida como comprometimento cognitivo leve. Outras manifestações como alterações de comportamento também serve para se pensar na doença, entre estas as mais comuns são a ansiedade, depressão, desinibição e delírio. Logo, o diagnóstico diferencial e precoce é de suma importância, como assinalam Gil e Busse (2013).          

Mesmo sem seus olhos físicos ele passou a controlar seus agendamentos, medicações e exames, após o diagnóstico de Alzheimer. E com os olhos da alma ele a amou e a protegeu até os últimos dias de sua vida quando a mesma foi acometida por um tumor que a levou.          

O amor neste caso se mostrou um poderoso tratamento a favor da demência; doença esta que degenera o cérebro e ainda não tem cura. Acomete pessoas na faixa etária dos 60 anos e apresenta progressão exponencial e diretamente relacionada com o avanço da idade. As lesões neuronais no âmbito do córtex cerebral produzem déficit de memória e, por consequência, comprometem o pensamento, a atenção e/ou outras funções cerebrais, segundo Gil e Busse. Em decorrência, surge um sujeito para muitos familiares desconhecidos, pois fala e age como se não fosse mais a mesma pessoa.          

Para o marido Sr. B. o amor pela esposa transformou-o num exímio e virtuoso cuidador, mesmo com sua esposa não mais o reconhecendo.          

Essa voluntária, R. foi uma guerreira, humana, mãe, mulher e cuidadora. Foi para seu grande amor seus olhos e ele foi para ela sua motivação regada de muito carinho, compreensão e principalmente sensibilidade. Creio que o que fica gravado na memória é a imagem da doce mulher pelo qual se encantou e foi encantada pelo amor.

Referências:

Gil G. e Busse A.L. (2013). Ensinar a lembrar: guia prático para ajudar a reconhecer e melhorar problemas de memória. São Paulo: Casa Leitura Médica.  

(*) Regina Reis é voluntária da AVOCH e secretária da Clínica Cuidar de Você e Gislaine Gil é neuropsicóloga pelo IPq do HC da FM da USP e Mestre em Gerontologia pela PUC-SP. Coordenadora do Vigilantes da memória: www.vigilantesdamemoria.com.br

terça-feira, 26 de julho de 2011

Manter boa postura aumenta a tolerância à dor e reduz o nivel de stress

Andar com a coluna ereta transmite uma imagem positiva, elegante e ainda reduz a sensibilidade à dor, diz pesquisa das universidades do Sul da Califórnia e de Toronto divulgada esta semana. No estudo, publicado na revista "Journal of Experimental Social Psychology", os autores afirmam que adotar uma postura dominante faz com que as pessoas se sintam poderosas e fortes emocionalmente. Estes novos dados reforçam outros que indicam que a postura correta eleva o nível de testosterona, que aumenta a tolerância à dor, e reduz o de cortisol, o hormônio do estresse.

Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que, ao longo da vida, 80% da população mundial têm pelo menos um episódio de dor na coluna. E o sintoma, que era mais comum a partir dos 40 anos, hoje é queixa também entre adolescentes e jovens: 5,3 milhões de brasileiros sofrem de hérnia de disco.

Medidas simples em casa, no trânsito e no trabalho podem evitar os desvios e as dores nas costas. O fisioterapeuta Eduardo Cadidé, do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral (ITC), lembra que a prevenção inclui manter o peso corporal correto, fortalecer a musculatura e reeducação postural, medidas que podem ser tomadas em qualquer idade.

- Má postura, inclusive durante o sono, exercícios mal feitos, repetição de movimentos e hereditariedade são as principais causas de dores nas costas - diz Cadidé, que em parceria com o fisioterapeuta Helder Montenegro, lançou a cartilha "Guia de postura Dr. Coluna", da qual selecionamos algumas dicas para os leitores.

Cirurgia de coluna só em último caso
Para as pessoas que já sofrem com as dores de coluna há opções de tratamento eficazes, diz Cadidé, incluindo medicamentos, técnicas de fisioterapia, como reeducação postural global (RPG), pilates, acupuntura e, em poucos casos, as cirurgias.

- Uma alternativa eficaz é o método Reconstrução Músculo Articular (RMA), com índice de sucesso de até 87%, especialmente em casos de hérnia de disco - afirma Cadidé. A técnica associa fisioterapia manual, mesas de tração e descompressão, aparelho que trabalha o músculo transverso do abdômen e exercícios de musculação.

Ilídio Pinheiro, chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital São Vicente de Paulo, no Rio, reforça que é preciso corrigir a postura e evitar a sobrecarga nas vértebras, devido a movimentos inadequados e esforços físicos, como, por exemplo, inclinar o tronco para frente ao levantar um peso. E lembra que fatores psicológicos, entre eles ansiedade e estresse, influenciam no aparecimento ou na persistência das dores de coluna:  Erros de postura muitas vezes estão associados ao estado emocional.

Antes de indicar qualquer tratamento, é preciso ter o diagnóstico exato, que dependerá de exame clínico detalhado e de imagens - sempre iniciando com radiografia simples - e testes laboratoriais. Drogas só com receita médica, alerta o especialista.

- Medicamentos, principalmente anti-inflamatórios, devem ser usados com moderação e em pacientes sem contraindicações, como úlcera, cardiopatias e alergias. A cirurgia é reservada para os casos graves ou pacientes que não respondem ao tratamento convencional - comenta.

Medicamentos só por pouco tempo

Já o médico Renato Tavares, do Centro de Tratamento das Doenças da Coluna do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), diz que uma das principais queixas é a lombalgia, que pode ser causada por contraturas musculares, artrose, estreitamento do canal lombar, traumatismos, hérnia, infecções, osteoporose e outras doenças reumatológicas. Além da dor pode haver sintoma de dormência e fraqueza das pernas ou dos pés.

- A lombalgia é comum em pessoas ansiosas e estressadas - diz Tavares, acrescentando que prevenir a dor nas costas é mais fácil do que tratar uma lesão; e que os exercícios de alongamento e fortalecimento da musculatura da coluna, do abdômen e das pernas devem ser feitos pelo menos três vezes por semana.
Outra reclamação frequente é o bico de papagaio (a osteofitose ), a formação óssea anormal na proximidade das articulações das vértebras devido à sobrecarga local. Dores fortes e sensação de queimação nas costas são alguns de seus sintomas.

- Nesses casos, a prática de RPG traz excelentes resultados - diz o médico Marcio Taubman, do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo. - Cuidar da postura é fundamental. Dormir de bruços, por exemplo, pode causar o bico de papagaio.

Os médicos reforçam que os medicamentos devem ser usados com receita e apenas para aliviar a dor nos períodos de crise, pois não são isentos de efeitos colaterais, como, por exemplo, gastrite ou problemas nos rins. E quando a queixa persiste além de seis meses, mesmo com tratamento clínico, deve-se considerar a necessidade de cirurgia, diz Tavares