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segunda-feira, 18 de março de 2013

Britânica vive com enjoo permanente após cruzeiro há 5 anos


A britânica Michele-Marie Roberts não poderia imaginar que um cruzeiro dos sonhos de duas semanas no Havaí, acompanhada de seu marido e seus dois filhos, deixaria seu mundo de ponta cabeça assim que ela chegasse a terra firme.

"Assim que desci a plataforma de desembarque, desmaiei, apaguei completamente", conta. "Tomei o voo de volta para casa e não conseguia parar em pé. Eu comecei a ter dificuldades de fala. Em uma ocasião, desmaiei enquanto cortava legumes na cozinha", relata.


A viagem de férias terminou em janeiro de 2008, mas Michele-Marie ainda sente como se estivesse em um cruzeiro. Ela vem se sentindo mareada constantemente há cinco anos.

"É como a sensação desorientadora que você tem depois de sair de um daqueles brinquedos de parque de diversões com movimentos rápidos. É horrível", diz. 

A síndrome de mal de débarquement (MdDS), como o problema é conhecido, é extremamente rara. Sabe-se muito pouco sobre suas causas e o tratamentos. Poucos médicos já ouviram falar sobre ela.

Michele-Marie passou por um exame de ressonância magnética e por testes para esclerose múltipla e para uma série de outras desordens até ser finalmente diagnosticada, seis meses após o cruzeiro, graças aos médicos do Royal Berkshire Hospital, no sul da Grã-Bretanha, que reconheceram seus sintomas.

Mas nem todos os pacientes com MdDS têm a mesma sorte - alguns passam anos procurando um diagnóstico.

Divórcio
A sensação de enjoo e de movimento constante a todo instante de sua vida deixou sua marca em Michele-Marie. Ela diz que o problema arruinou seu casamento, porque ela não pode mais cuidar de seus dois filhos, que têm autismo, deixando a seu marido a tarefa de cuidar deles em tempo integral.

Após seu divórcio, aos 49 anos, ela teve que procurar emprego pela primeira vez em vários anos, apesar de se sentir fisicamente e mentalmente exausta pelo enjoo permanente.

Ela arrumou um emprego por algum tempo, mas a experiência foi tão exaustiva que ela decidiu estabelecer seu próprio negócio - uma agência de encontros para pais solteiros de crianças com necessidades especiais.

"Há dias em que eu sinto pena de mim mesma, e há dias em que acordo e me pergunto se o problema foi embora. Mas então ele vem e diz: 'não, não, aqui estou'", afirma.


Há horas em que a síndrome pode parecer particularmente debilitante, como quando ela se sente estressada, ao fazer compras em supermercados ou ao usar um computador. Luz fluorescente também pode agravar as sensações de balanço.

Mas há algumas atividades que podem aliviar os sintomas também, segundo ela, incluindo exercícios vigorosos, nadar e dirigir. Ela faz pelo menos duas horas de exercícios diários para ajudá-la a lidar com o problema.

"Quanto mais movimento eu faço, melhor eu fico", ela explica. "Mas quando eu paro, é como se tivesse bebido."

Ela nunca mais entrou em um barco, apesar de seu amor pelo mar, por conta do risco de que seu problema piore ainda mais.

Pré-disposição
Michele-Marie acredita que era suscetível ao MdDS por ser uma mulher de 40 e poucos anos que sofria com enxaquecas - o que foi sugerido em um estudo científico em 2009, apesar de a ligação não ser direta.

Ela agora quer contar sua história para que outras mulheres possam decidir se também têm risco de desenvolver o mesmo problema.

O mesmo estudo de 2009 descobriu em o MdDS era uma desordem da plasticidade do cérebro, o que significa que os caminhos neurais no cérebro são incapazes de mudar em resposta a mudanças de comportamento ou ambientais.

Em um mar particularmente revolto durante o cruzeiro, Michele-Marie diz que todos estavam caindo e sofrendo de enjoo, menos ela. Mas em terra firme, ela é quem se atrapalha com as palavras e parece bêbada aos olhos dos outros.

"Você acha que está ficando maluca, se sente muito isolada. Os médicos fizeram muitos testes em mim, mas há muito pouco que eles podem fazer", ela explica.

"Eu acho que eu tinha predisposição para a doença, e que outras mulheres deveriam saber mais sobre isso", diz.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/03/130317_sindrome_enjoo_permanente_mulher_rw.shtml


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Quem são as maiores vítimas da enxaqueca?



Por Sbed Brasil

As mulheres são as maiores vítimas da enxaqueca, por causa da variação hormonal. A prevalência geral da enxaqueca ao longo da vida nos seres humanos é de aproximadamente 12% (18% entre as mulheres, 6% nos homens e 4% nas crianças). “Uma pesquisa antiga (de 1978) avaliou o ciclo hormonal de várias mulheres. Durante a menstruação, o nível de estrógeno cai. Ao injetar mais deste hormônio em algumas mulheres, se observou que elas não tiveram dor, enquanto outras que não receberam esta dose extra de estrógeno tiveram crises de enxaqueca. Ou seja, a queda do nível de estrógeno facilita o início de uma crise”, revela o neurologista José Geraldo Speciali, coordenador científico do Comitê da Cefaleia da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. Isso vale também para a dor de cabeça comum.
Segundo a Sociedade Brasileira da Cefaleia, a prevalência da queixa de dor de cabeça ao longo da vida é de 93% nos homens e 99% nas mulheres, sendo que 76% das mulheres e 57% dos homens têm pelo menos um episódio de dor de cabeça por mês.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Metade dos casos de dor de cabeça está ligada à mandíbula


 A dor é na cabeça, mas a causa pode estar na boca, ou melhor, na mandíbula. Especialistas estimam que 50% das cefaleias estejam ligadas a distúrbios da ATM (articulação temporomandibular).

Esses problemas podem causar dores de cabeça, às vezes confundidas com enxaqueca. E o caminho até o diagnóstico pode ser longo.

Segundo o dentista Paulo Conti, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP de Bauru, poucas pessoas associam a dor de cabeça à mandíbula.

Mesmo assim, um terço da população tem pelo menos um dos sintomas do distúrbio, como dor, estalo ou dificuldade para abrir a boca.

"Muitas vezes nem os médicos fazem essa associação. O paciente chega ao consultório do neurologista com dor e ele não imagina que o problema possa estar na ATM."

Ele preside a SBDOF (Sociedade Brasileira de Disfunções Temporomandibulares e Dor Orofacial), criada por ele há alguns meses para dar orientações sobre a ATM.

De acordo com o dentista Rodrigo Bueno, consultor científico da ABO (Associação Brasileira de Odontologia), a diferença entre a dor de cabeça da ATM e a da enxaqueca está na localização.

"A dor causada pelos distúrbios da ATM está mais na região lateral. E é tão aguda que a pessoa fica em dúvida se o incômodo é na cabeça, no ouvido ou nos dois."

Foi graças à dor de ouvido que a professora Marisa Rogati, 56, de São Paulo, descobriu, há dois anos, a causa de sua dor de cabeça, com a qual conviveu por quase 20 anos.

O otorrino disse que poderia ser algo relacionado à ATM, e a ortodontista confirmou a suspeita. "Nunca imaginei que a dor pudesse ter algo a ver com os dentes."

Desde os 35 anos, ela acordava com fortes dores de cabeça. "Achava que era o travesseiro. Saía um modelo novo e eu comprava." Como tratamento, usou aparelho ortodôntico por cerca de um ano.




DOSE DUPLA

Segundo a ortodontista Leda Losso, os problemas de ATM podem vir junto com a enxaqueca. "Mas solucionar os distúrbios da ATM já faz com que a pessoa lide melhor com a enxaqueca."

É o caso de Julieta Anazetti, 58, que tem enxaqueca desde criança, assim como outros membros da família.

"Depois dos 38 anos, as crises ficaram mais fortes e aconteciam de madrugada."

Julieta travava a boca ao ficar tensa, o que desencadeou os distúrbios da ATM. Hoje, usa uma placa no céu da boca que a impede de pressionar os dentes. O tratamento acabou com as dores na ATM e melhorou a enxaqueca.

"Em 20 anos fiz muitas tomografias e ressonâncias magnéticas e tomei remédios. Fui a vários médicos, que nunca suspeitaram da ATM."

Para quem convive com fortes dores de cabeça, o ideal, segundo Losso, é consultar também um ortodontista.



"Só faltou mencionar a atuação da fisioterapia, tão importante no quadro álgico e na educação e manutenção da melhora. Nos próximos post vamos falar um pouco mais sobre ATM, disfunções e tratamento fisioterapêutico." 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

17 de Outubro de 2011 - Dia Mundial Contra a Dor

Dia 17 de outubro de 2011, a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) comemora o Dia Mundial Contra a Dor. A iniciativa faz parte de uma campanha mundial com foco no tratamento da dor crônica, que acontece em todo o mundo no mesmo dia e foi idealizada pela International Association for the Study of Pain (IASP). A data tem como objetivo conscientizar a população sobre o tema, cada ano enfocando um aspecto diferente. Desta vez, o tema é a Dor de Cabeça.



















Quem nunca teve dor de cabeça? Estudos populacionais mostram que mais de 90% da população mundial teve ou terá pelo menos uma dor de cabeça na vida e 50% as tem regularmente. Nesses casos a cefaleia é responsável por perda de 4 a 5 dias de trabalho, ou lazer ao ano, e diminui a qualidade de vida, sendo considerada uma questão de saúde publica.

Dentre as cefaleias, a mais incapacitante é a enxaqueca, uma doença familiar que acomete 15% da população, nas idades mais produtivas da vida. É mais frequente entre as mulheres, sendo relacionada, na maioria delas, ao ciclo menstrual. A enxaqueca é uma doença benigna, mas às vezes pode gerar complicações: provocar crises epilépticas, acidentes vasculares cerebrais e torna-se diária. Quando é diária, leva ao uso abusivo de analgésicos com efeitos colaterais graves, tais como hemorragias gástricas, doenças hepáticas, renais e anemias com diminuição das defesas do organismo contra infecções. O neurologista José Geraldo Speciali, coordenador científico do Comitê de Cefaleia da SBED, é enfático: “As cefaleias devem ser tratadas, mesmo as menos frequentes. Nos últimos 20 anos, os avanços nesse sentido foram enormes e hoje nenhum médico diz ao pacientes uma frase que era comum anos passados: você tem que se acostumar a viver com sua dor de cabeça!”

Após o dia, campanha do Ano Mundial Contra a Dor de Cabeça será realizada no país até outubro de 2012, pela SBED, divulgando de forma ampla o tema dor de cabeça ou cefaleia. “Queremos alertar e estimular mais as discussões sobre o tema em todo o Brasil, chamando a atenção das autoridades sanitárias e, principalmente, de quem sofre em silêncio por desconhecer a doença”, afirma João Batista Santos Garcia, presidente da SBED.

Fonte: http://www.dor.org.br/