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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Depois de amputação de braços e pernas, jovem lança livro de superação


Pedro Pimenta era saudável, estudioso, esportista e baladeiro, como todo adolescente de 18 anos. Em 2009 ele foi internado e diagnosticado com meningococcemia - infecção generalizada causada por uma bactéria. Os médicos deram 1% de chance de sobreviver. Pedro conseguiu, mas amputou os quatro membros - os braços, acima do cotovelo, e as pernas acima do joelho. Dez meses depois nunca mais sentou numa cadeira de rodas, mora sozinho na Flórida, Estados Unidos, onde faz faculdade de economia, e acaba de lançar o livro Superar é Viver (Leya). "Essa bactéria não é rara e nosso corpo a elimina, mas o meu sistema imunológico estava muito baixo", explica Pedro. No hospital, ele ficou em coma induzido por uma semana e, quando acordou ouviu e viu a notícia. "Quando abri os olhos meus braços e pernas estavam gangrenados. Num dia sou um cara de 1,80 metros, no outro meus membros estavam apodrecidos. Foi um choque", afirma ele, que teve que fazer enxertos tirando pele da barriga e colocando nas pernas. Mas nada desanimou o rapaz. "Quando acordei do segundo coma perguntei sobre o show do AC/DC que teria em São Paulo. Minha família já tinha comprado ingressos duas semanas antes. Consegui a liberação do meu médico para ir de ambulância e voltar imediatamente - isso dois meses depois da cirurgia. Isso me deu mais energia para suportar o resto", diz Pedro.

"Fui condenado a uma vida na cadeira de rodas, sem ter independência. Uma das coisas que me ajudou muito foi estudar música eletrônica no hospital no computador - eu conseguia mexer com os restos dos braços. Até ganhei um concurso internacional de remixes. Por isso não tive depressão, porque tracei metas para manter minha cabeça distraída". Sua 'nova vida' com próteses começou em 2010, seis meses depois de sair da internação. "Comecei a assistir à vídeos de amputados que andavam uma barbaridade. No fim, sempre via a logotipo de uma empresa - poxa, eu sou um baita cliente para uma empresa de próteses. Conheci o vice-presidente da empresa e comecei a fazer um tratamento em Oklahoma (EUA), para ex-soldados feridos do Iraque e Afeganistão que viviam sem cadeira de rodas. Ele me disse: 'você tem que se adaptar o mundo e não o contrário'. Isso mudou minha vida. Foi um treinamento bruto e saí de lá muito mais forte. Desde dezembro de 2010 não uso mais cadeira de rodas. Se você quer chegar a esse nível tem que ser uma pessoa regrada, porque gastamos cinco vezes mais energia do que uma pessoa normal para andar", diz ele.

Quando entrava num restaurante ou lugares públicos fazendo tudo sozinho, as pessoas olhavam para Pedro com ar de admiração e foi assim que começou a receber convites para dar palestras. Em 2012 se mudou para a Flórida para fazer faculdade de economia, conseguiu uma namorada, dirige carro sem adaptação, escova os dentes, faz sua própria comida, enfim, vive uma vida normal. "No início eu colocava minhas próteses em 40 minutos, hoje consigo em cinco minutos. Cheguei num nível de independência que não poderia imaginar", diz ele, que vê mais problema em subir escadas e não em encontrar namoradas. "Arrumei uma namorada muito rápido e isso é como você se enxerga, tendo ou não mãos e pernas", afirma. O que mais mudou dentro de você? "Hoje sou um cara mais atento às dificuldades alheias, ao sofrimento do outro. Quero fazer algo filantrópico porque tenho muito prazer quando sirvo de mentor a outro amputado. Isso para mim é uma missão de vida, servir de exemplo positivo para as pessoas. Na minha casa não tem nada adaptado, lavo, cozinho, limpo a casa e, em vez de ficar desesperado e mandar tudo para o inferno, quebrei tudo em desafios pequenos. Uso a mentalidade para me considerar um cara normal e dizer não às adaptações. Nunca fiz terapia na vida. Sou muito teimoso, mas acredito que quem resolve meus problemas sou eu mesmo", diz.

Trechos do livro:

“Neste livro vou contar minha história de vida: como um garoto paulista de classe média, que como tantos outros ainda não tinha definido que carreira seguir, sofreu uma terrível fatalidade, aprendeu a encarar as consequências e se tornou um homem que supera suas dificuldades com determinação e trabalho duro. Mas não se engane: apesar do curto espaço de tempo — pouco mais de quatro anos — esse foi um processo árduo repleto de momentos de medo, insegurança e muita dor. Encaro meus braços e pernas como ferramentas que perdi. Elas foram substituídas por outras que não funcionam tão bem, mas que me possibilitam fazer quase tudo que fazia antes. De modo diferente, mas que de forma alguma condicionam a minha felicidade”.

“Não há nada mais compensador que testemunhar a transformação das personalidades ao fim do trabalho, saber como fui importante para mudar suas mentalidades. Minha vida é uma luta diária, acompanhada sempre pela dor. Não mato um leão, mas um zoológico por dia. Em vez de me entregar à tristeza, penso em como posso dedicar ainda mais tempo e esforço para avançar com meus projetos e planos”.

http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/bruno-astuto/noticia/2014/08/depois-de-ter-bracos-e-pernas-bamputadosb-jovem-lanca-livro-de-superacao.html

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Quem tem direito de Prescrever Órteses e Próteses??

Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais têm mais uma grande razão para comemorar: a partir de agora, o Sistema Único de Saúde (SUS) reconhece o direito desses profissionais de prescrever “órteses, próteses e materiais especiais não relacionados ao ato cirúrgico”, por meio da publicação da Portaria SAS/MS N° 661, de 2 de dezembro de 2010.

Tal conquista amplia significativamente a atuação dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais no SUS e em clínicas e hospitais particulares por todo o país. Essa vitória é fruto do empenho do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), que atua nesta causa há mais de um ano, realizando diversas reuniões junto ao Ministério da Saúde.

“A inclusão das órteses, próteses e materiais especiais não relacionados ao ato cirúrgico na Classificação Brasileira de Ocupação (CBO) dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais significa o reconhecimento da atuação desses profissionais nestas áreas pelos ministérios da Saúde e do Trabalho e Emprego” afirma o conselheiro do Coffito, Adamar Nunes. Entre os procedimentos incluídos, estão a prescrição de calçados ortopédicos, muleta axilar, prótese mamária, cadeira de rodas, andador, palmilhas, coletes, cintas e outros.

Para acessar a lista completa das órteses, próteses e materiais especiais não relacionados ao ato cirúrgico, incluídos na CBO dos fisioterapeutas e dos terapeutas ocupacionais, siga as orientações abaixo:

1. Acesse sigtap.datasus.gov.br;

2. Clique em “Acessar tabela unificada";


3. Clique em “Procedimentos”;

4. Clique em “Publicados”;

5. Clique em “Consultar”;

6. Na guia “Grupo”, selecione a opção “07 – Órteses, próteses e materiais especiais”;

7. Na guia “Sub-Grupo”, selecione a opção “01 - Órteses, próteses e materiais especiais não relacionados ao ato cirúrgico”;

8. Na guia “Forma de Organização”, selecione a opção “01 – OPM auxiliares da locomoção” ou a opção “02 – OPM ortopédicas”;

9. Na guia “Competência”, selecione “01/2011”;

10. Clique na lupa (localizar);

11. Após isso, clique nas órteses, próteses e materiais especiais de sua escolha quando, então, abrirá uma página com todo histórico deste instrumento;

12. Clique, então, na guia “CBO”, localizada na parte de baixo da página.



Fonte: COFFITO

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Sul-africano biamputado faz índice para correr Mundial e Olimpíada

O atleta biamputado Oscar Pistorius, 24, conseguiu fazer o tempo necessário para disputar os Jogos Olímpicos de Londres, ano que vem, e o Mundial de Daegu, na Coreia do Sul, em agosto próximo.

O sul-africano Oscar Pistorius compete nos 400 metros na República Tcheca, em maio passado

O sul-africano que usa próteses de fibra de carbono nas duas pernas correu os 400 metros em 45s07 nesta terça-feira, em Ligano, na Itália, batendo seu recorde pessoal que era de 45s61 (o índice necessário era de 45s25).

Como comparação, o tempo de 45s07 daria ao atleta a quinta colocação na Olimpíada de Pequim, em 2008. O recorde mundial é do americano Michael Johnson, com 43s18, batido em 1999.

Com quatro medalhas de ouro na Paraolimpíada (três em Pequim-08 e uma em Atenas-04), Pistorius se tornou o primeiro amputado a conseguir classificação para um Campeonato Mundial. Para Londres-12, apesar do índice, ele ainda depende de seleção do comitê olímpico da África do Sul.

"Sinto algo surreal ao ter o tempo de qualificação A na mochila para os Jogos Olímpicos do ano que vem. Obrigado a todos pelo apoio", escreveu o sul-africano em sua conta no Twitter. "Não pude dormir de tão feliz", completou.

HISTÓRICO

Pistorius ganhou notoriedade ao ganhar o direito de lutar por uma vaga na Olimpíada de Pequim após decisão favorável da CAS (Corte Arbitral do Esporte).

Antes, sua participação estava vetada pela Associação Internacional das Federações de Atletismo, porque suas próteses de fibra de carbono, conhecidas como Cheetah Flex-Foot, supostamente dariam a ele uma vantagem competitiva diante de atletas sem deficiência.

Apesar de ter obtido o direito de competir nos Jogos Olímpicos, Pistorius não obteve o índice necessário para participar do evento e tampouco foi convocado pela África do Sul para integrar o revezamento do país na disputa do 4 x 400 m.

O sul-africano compete na categoria T44 (amputados abaixo do joelho em apenas um perna), mesmo fazendo parte da T43 (amputados abaixo do joelho nas duas pernas). Além dos 400m, Pistorius também conquistou o ouro paraolímpico nos 100 m e 200 m rasos, ambas na categoria T44.

Nascido sem a fíbula --osso que conecta o joelho ao calcanhar-- nas duas pernas, Pistorius teve que amputá-las sob o joelho quando tinha somente 11 meses de idade.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/esporte/946135-sul-africano-biamputado-faz-indice-para-correr-mundial-e-olimpiada.shtml