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quarta-feira, 25 de março de 2015

Novo tratamento do Alzheimer restaura totalmente a função da memória - estudo em ratos


Pesquisadores australianos criaram uma tecnologia de ultra-som não-invasiva que limpa o cérebro das placas amilóides neurotóxicos responsáveis ​​pela perda de memória e pelo declínio da função cognitiva em pacientes com Alzheimer.

Se uma pessoa tem a doença de Alzheimer, isso é geralmente o resultado de um acúmulo de dois tipos de lesões - placas amilóides e emaranhados neurofibrilares. As placas amilóides ficam entre os neurônios e criam aglomerados densos de moléculas de beta-amilóide.

Os emaranhados neurofibrilares são encontrados no interior dos neurônios do cérebro, e são causados por proteínas Tau defeituosas que se aglomeram numa massa espessa e insolúvel. Isso faz com que pequenos filamentos chamados microtúbulos fiquem torcidos, perturbando o transporte de materiais essenciais, como nutrientes e organelas.

Como não temos qualquer tipo de vacina ou medida preventiva para a doença de Alzheimer - uma doença que afeta 50 milhões de pessoas em todo o mundo - tem havido uma corrida para descobrir a melhor forma de tratá-la, começando com a forma de limpar as proteínas beta-amilóide e Tau defeituosas do cérebro dos pacientes.

Agora, uma equipa do Instituto do Cérebro de Queensland, da Universidade de Queensland, desenvolveu uma solução bastante promissora. Publicando na Science Translational Medicine, a equipe descreve a técnica como a utilização de um determinado tipo de ultra-som chamado de ultra-som de foco terapêutico, que envia feixes feixes de ondas sonoras para o tecido cerebral de forma não invasiva.

Por oscilarem de forma super-rápida, estas ondas sonoras são capazes de abrir suavemente a barreira hemato-encefálica, que é uma camada que protege o cérebro contra bactérias, e estimular as células microgliais do cérebro a moverem-se. As células da microglila são basicamente resíduos de remoção de células, sendo capazes de limpar os aglomerados de beta-amilóide tóxicos.

Os pesquisadores relataram um restauro total das memórias em 75 por cento dos ratos que serviram de cobaias para os testes, havendo zero danos ao tecido cerebral circundante. Eles descobriram que os ratos tratados apresentavam melhor desempenho em três tarefas de memória - um labirinto, um teste para levá-los a reconhecer novos objetos e um para levá-los a relembrar lugares que deviam evitar.

O link do artigo original: http://stm.sciencemag.org/content/7/278/278ra33

Fonte: http://www.ciencia-online.net/2015/03/tratamento-do-alzheimer-restaura-memoria.html?m=1

domingo, 8 de março de 2015

Você sabia que é possível estimular a memória? Vídeo animação do Hospital Israelita Albert Einstein

Nesse video animação do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Eisntein você aprende que quanto mais atividade intelectual você realizar, menor a chance de desenvolver algum declínio de memória.

Mantenha seu cérebro saudável e treinado, estimule-o com diferentes atividades, novos aprendizados, mudanças na rotina, entre outras atividades.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A história da demência sob o olhar de uma voluntária


O amor neste caso se mostrou um poderoso tratamento a favor da demência; doença esta que degenera o cérebro e ainda não tem cura. Para o marido Sr. B. o amor pela esposa transformou-o num exímio e virtuoso cuidador, mesmo com sua esposa não mais o reconhecendo.

A Avoch é a Associação dos Voluntários do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que presta assistência direta a milhares de pacientes internados e em tratamento ambulatorial nos diversos institutos do complexo Hospital das Clínicas, há mais de 50 anos.

Integrante por 12 anos da AVOCH (Associação das Voluntárias do Hospital das Clínicas), essa cuidadora conheceu a senhora R. que me contou a seguinte história:          

Apaixonada, casou-se com o Sr. B., que aos 27 anos sofreu um acidente, o qual, em sua percepção, “a medicina que cuidava dos olhos não conseguiu salvá-lo da escuridão”. Por muitos anos, essa senhora foi os olhos de seu amado; cuidando e direcionando-o em todas as situações.    
     
Em um dia ensolarado passeando pela Av. Dr. Arnaldo seu esposo guiado por ela perguntou: “Veja, o semáforo está verde?”. Ela ficou em silêncio, pois não se recordava mais o que era um semáforo.  Nesse momento o esposo percebeu que sua amada, sua guia, precisava de ajuda, levando-a ao ambulatório da Geriatria para tratamento.          

Sem saber, o Sr. B. buscou o diagnóstico precoce para a alteração de memória de sua esposa.

Sabe-se que nos casos de doença degenerativa, como é o caso da doença de Alzheimer, o diagnóstico deve ser realizado primeiro para eliminar outras causas tratáveis ao comprometimento da memória, como déficit de vitamina B12, hipotireoidismo, entre outras causas.

Atualmente está confirmado que a demência por doença de Alzheimer pode ter uma fase pré-clínica, que começa de 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas de queixa de memória, seguida de uma fase conhecida como comprometimento cognitivo leve. Outras manifestações como alterações de comportamento também serve para se pensar na doença, entre estas as mais comuns são a ansiedade, depressão, desinibição e delírio. Logo, o diagnóstico diferencial e precoce é de suma importância, como assinalam Gil e Busse (2013).          

Mesmo sem seus olhos físicos ele passou a controlar seus agendamentos, medicações e exames, após o diagnóstico de Alzheimer. E com os olhos da alma ele a amou e a protegeu até os últimos dias de sua vida quando a mesma foi acometida por um tumor que a levou.          

O amor neste caso se mostrou um poderoso tratamento a favor da demência; doença esta que degenera o cérebro e ainda não tem cura. Acomete pessoas na faixa etária dos 60 anos e apresenta progressão exponencial e diretamente relacionada com o avanço da idade. As lesões neuronais no âmbito do córtex cerebral produzem déficit de memória e, por consequência, comprometem o pensamento, a atenção e/ou outras funções cerebrais, segundo Gil e Busse. Em decorrência, surge um sujeito para muitos familiares desconhecidos, pois fala e age como se não fosse mais a mesma pessoa.          

Para o marido Sr. B. o amor pela esposa transformou-o num exímio e virtuoso cuidador, mesmo com sua esposa não mais o reconhecendo.          

Essa voluntária, R. foi uma guerreira, humana, mãe, mulher e cuidadora. Foi para seu grande amor seus olhos e ele foi para ela sua motivação regada de muito carinho, compreensão e principalmente sensibilidade. Creio que o que fica gravado na memória é a imagem da doce mulher pelo qual se encantou e foi encantada pelo amor.

Referências:

Gil G. e Busse A.L. (2013). Ensinar a lembrar: guia prático para ajudar a reconhecer e melhorar problemas de memória. São Paulo: Casa Leitura Médica.  

(*) Regina Reis é voluntária da AVOCH e secretária da Clínica Cuidar de Você e Gislaine Gil é neuropsicóloga pelo IPq do HC da FM da USP e Mestre em Gerontologia pela PUC-SP. Coordenadora do Vigilantes da memória: www.vigilantesdamemoria.com.br

Carinho pelo avô doente transforma adolescente em inventor nos EUA

Matéria do Jornal Nacional exibida em 13/11/2014:

Jovem inventou aparelho para evitar que o avô, que sofre de Alzheimer, saia de casa sozinho e fique perambulando pelas ruas.

O carinho pelo avô doente transformou um adolescente em inventor. Quem conta é o correspondente Alan Severiano.

Fã de caligrafia e dos tradicionais carimbos chineses. Deming Shinozuka era um homem ativo até o diagnóstico de Alzheimer, 12 anos atrás. Com o avanço da doença degenerativa que afeta a memória, o geólogo apaixonado pelo neto parou de se comunicar. Quase foi atropelado quando saiu de casa perambulando pelas ruas.

"É muito trágico perder a conexão com seu avô. Ver uma pessoa tão próxima virar uma sombra do que era", conta Kenneth.

Aos 15 anos, Kenneth transformou a dor em ideia. Pesquisando em livros e na internet, inventou um aparelho, que é colocado na meia. Quando o avô se levanta, o sensor detecta a pressão do corpo sobre o pé. E emite um sinal de alerta para o celular do cuidador.

Deu tão certo que o aparelho foi testado em uma casa de repouso. No mundo, 36 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de demência. Muitos saem perambulando sem noção do perigo.

O dispositivo foi patenteado este ano e Kenneth já ganhou cinco prêmios pela invenção. O mais simbólico é o da Associação de Alzheimer de Nova York. De uma revista científica, ele recebeu US$ 50 mil. O dinheiro vai ser investido em pesquisa para melhorar o produto, que deve ser lançado no ano que vem.

Kenneth quer mais. Por causa do avô, vai estudar neurociência, na tentativa de encontrar a cura para o Alzheimer.

"É enorme o meu amor por ele. Espero que a cura chegue a tempo", afirma Kenneth.
Enquanto isso, ele retribui o carinho cantando músicas que o avô aprendeu quando criança e que fez questão de ensinar a ele.


LInk da matéria: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/11/carinho-pelo-avo-doente-transforma-adolescente-em-inventor-nos-eua.html

sábado, 8 de novembro de 2014

Curso em museu usa arte para estimular idosos com problemas de memória - matéria da Folha


Uma excelente iniciativa!

O Projeto Faça Memórias, realizado desde 2009 no MuBE (Museu Brasileiro da Escultura) utiliza os recursos de arte (pintura, escultura) como terapia para estimular lembranças, driblar a depressão e melhorar a qualidade de vida de pacientes com demência.

Como profissional da saúde que trabalho com gerontologia sei os benefícios da estimulação cognitiva em idosos e por isso acho essencial que existam iniciativas como essa.

É uma pena que o  projeto não seja mais gratuito e que falte incentivo/subsídio do governo para essas iniciativas, pois temos que pensar na realidade da maioria da crescente população idosa, que não tem como pagar R$ 420 por mês para participar do curso.

Abaixo, o link com a matéria completa publicada pela Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2014/10/1536962-curso-em-museu-usa-arte-para-estimular-idosos-com-problemas-de-memoria.shtml



terça-feira, 28 de outubro de 2014

Efeitos da Atividade Física na memória declarativa, capacidade funcional e qualidade de vida em idosos - Artigo


Efeitos da atividade física na memória declarativa, capacidade funcional e qualidade de vida em idosos - Effects of physical activity in declarative memory, functional capacity and quality of life in elderly


Resumo:

A expectativa de sobrevida da população idosa tem aumentado nos últimos anos, podendo o processo de envelhecimento ser acompanhado por declínio das capacidades funcionais, físicas e cognitivas dos idosos. Dentro da função cognitiva, a memória apresenta-se como uma das suas principais queixas. Os objetivos do estudo foram analisar a memória declarativa, a capacidade funcional e qualidade de vida de idosos ativos e insuficientemente ativos, a fim de observar se a atividade física interfere 
positivamente nestas variáveis. Trata-se de estudo transversal, do qual fizeram parte dois grupos de comparação, idosos ativos (G1) e insuficientemente ativos (G2), com idade acima de 60 anos, residentes no município de Santa Maria-RS. A avaliação foi composta pelos seguintes instrumentos: Teste de Memória Emocional, Índice de Katz e Avaliação da Qualidade de Vida: SF-36. Como resultados, foi encontrado que os idosos do grupo G1 apresentaram melhores escores tanto na memória como na qualidade de vida quando comparados aos do grupo G2. Já no quesito capacidade 
funcional para atividades básicas de vida diária, avaliado pelo Índice de Katz, não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos, mas quando observados os resultados da variável capacidade funcional avaliado pelo SF-36, o G1 apresentou melhores resultados com diferença estatisticamente significativa quando comparado ao G2. Devido à importância da atividade física no retardo dos declínios decorrentes do envelhecimento, torna-se necessário criar estratégias para a participação dos idosos em grupos de atividades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, 
independência e participação.


Para acessar e baixar o artigo completo clique no link abaixo:

http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v17n3/1809-9823-rbgg-17-03-00541.pdf

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Expressões Idiomáticas - Trabalho de estimulação cognitiva

As fotos abaixo são do livro “Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas”, dos fotógrafos Everton Ballardin e Marcelo Zocchio, publicado em 1999 pela Editora DBA.

Um ótimo recurso para trabalhar na terapia com adultos e idosos com transtorno cognitivo leve, demências, alzheimer, As figuras podem ser impressas em tamanho grande para melhor visualização dos idosos (que normalmente apresentam déficits visuais) ou então mostradas na tela do tablete ou computador.

Essa é uma atividade que pode render muitas risadas e histórias... E até mesmo outras atividades... Um jogo com disputa individual, em duplas, trios, em grupo, uma atividade lúdica associada à interpretação, uma atividade motora associada,  é só soltar a imaginação que dá pra fazer muitas coisas...

Tente adivinhar todos primeiro e no fim do post confira as expressões.
Boa sorte! Não vale espiar hein...


1.

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Acertaram todas?? Algumas expressões são mais fáceis, outras tem que pensar um pouco mais...


Resultado:

1. Acertar na mosca.
2. Agasalhar o croquete.
3. Andar na linha.
4. Arregaçar as mangas.
5. Bater as botas.
6. Carta fora do baralho. 
7. Chá de cadeira.
8. Chorar o leite derramado.
9. Chutar o balde.
10. Com a corda no pescoço.
11. Com a faca e o queijo nas mãos.
12. Com o pé atrás.
13. De calça curta.
14. Descascar o abacaxi.
15. Encher linguiça. 
16. Enfiar o pé na jaca.
17. Engolir sapo.
18. Entrar pelo cano.
19. João sem braço.
20. Mala sem alça.
21. Mão na roda.
22. Marcar touca.
23. Minhoca na cabeça.
24. Molhar o biscoito.
25. Pagar o pato.
26. Pau na máquina.
28. Pedra no sapato.
28. Pendurar a chuteira. 
29. Pentear macaco.
30. Pintar o sete.
31. Pisar em ovos.
32. Pisar na bola.
33. Por a barba de molho.
34. Procurar pelo em ovo.
35. Quebrar o galho.
36. Quebrar o gelo.
37. Queimar a rosca.
38. Segurar vela.
39. Soltar a franga.
40. Tempestade em copo d'água.
41. Testa de ferro.
42. Tirar água do joelho.
43. Trocar as bolas.
44. Trocar os pés pelas mãos.
45. Uma mão lava a outra.


Gostaram da atividade?? Eu adorei e já coloquei em prática com meus pacientes idosos.

Tentem e depois contem o resultado.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Homem perde a memória a cada 4 dias e anota a vida em cadernos - link matéria Estadão

Intoxicação por inseticida pode ter causado lesão no cérebro do aposentado Otávio Aparecido Costa Sanches de 54 anos, morador de Lins, cidade do interior de São Paulo.

O esquecimento começou em 2010, piorou em 2011, com esquecimento a cada 7 dias, então em 2012 começou a escrever os principais fatos em cadernos, e hoje, a cada 4 dias, ele esquece tudo o que aconteceu em sua vida. Não sai mais de casa sozinho, pois já se perdeu algumas vezes sem saber como voltar para casa.

Ainda não há um diagnóstico conclusivo. Fala-se em Alzheimer e  hipoperfusão temporal direita, uma lesão no cérebro, que pode ter sido causada por intoxicação provocada por organofosforado, um tipo de inseticida utilizado no controle de pragas.

Abaixo, o link da matéria completa.
http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,homem-perde-memoria-a-cada-4-dias-e-anota-a-vida-em-cadernos,1527274


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

FMUSP busca voluntários para pesquisa sobre envelhecimento cerebral


O Laboratório de Neuroimagem em Psiquiatria (LIM-21) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) busca voluntários para participar de um projeto sobre envelhecimento cerebral.

O estudo é inédito e quer buscar respostas sobre o declínio da função de memória em idosos sem qualquer diagnóstico neurológico ou psiquiátrico. O objetivo é entender o que ocorre com a memória e o funcionamento do cérebro. A pesquisa inclui adultos jovens, de meia idade e idosos.

Em uma primeira sessão, os voluntários irão passar por uma avaliação de suas funções intelectuais, incluindo a memória; testes de atenção, memorização e raciocínio. Depois, em um outro dia, eles farão um exame de ressonância magnética que permite captar dados sobre o funcionamento do cérebro. Finalmente, com estes dados coletados, os pesquisadores pretendem identificar as relações entre idade, memória e as características do funcionamento cerebral.

O objetivo, a longo prazo, é fazer descobertas que possam ajudar a entender (e, no futuro, prevenir e tratar) os problemas mentais que ocorrem em idosos, como por exemplo a doença de Alzheimer.

Mais informações e inscrições podem ser encontradas no site http://cerebro.med.br/. O LIM-21 fica na Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 785, São Paulo.

Fonte: Agência USP de Notícias

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Alzheimer, a dor do esquecimento - reportagem/documentário revista Época

A rotina e os desafios de pacientes e cuidadores

Após perder a mulher, o engenheiro civil aposentado Adolpho Chvaicer se abandonou. A solidão e falta de vontade de viver abriram espaço para que os sintomas da doença de Alzheimer, responsável pela degeneração progressiva e morte dos neurônios, invadissem sua rotina sem bater. Seus três filhos, adultos e agora com suas próprias famílias e carreiras para se preocupar, tinham dificuldade em oferecer a atenção e cuidados de que o pai necessitava. Um de seus filhos, o carioca Eduardo Chvaicer, de 48 anos, que mora há quase 20 anos em São Paulo, acompanhava de longe as discussões entre os irmãos e o pai, no Rio de Janeiro, sobre como se adaptar à nova condição.

Eduardo, que trabalhava como executivo em uma indústria farmacêutica, viu na crise vivida em família uma oportunidade de abrir o próprio negócio. "Comecei a me perguntar quem cuidaria de mim se eu fosse diagnosticado com a doença", diz o empresário. Em 2010, ele abriu no Brasil a franquia da rede americana Right at Home, que oferece serviços de cuidadores para idosos com Alzheimer e outras doenças da terceira idade. "Percebi como cuidar de um idoso com Alzheimer é trabalhoso para os familiares e quanto a doença é capaz de afetar o dia a dia do lar."

O conflito vivido pela família de Chvaicer é comum. Existem hoje no mundo cerca de 36 milhões de portadores da doença. No Brasil, estima-se que haja cerca de 1,2 milhão. Os casos de Alzheimer devem ser ainda mais recorrentes no futuro. De acordo com estimativas da organização Alzheimer's Desease International, como consequência do maior envelhecimento da população, o número de idosos com demência saltará de 44 milhões, registrados em 2013, para 135 milhões, em 2050.

O Alzheimer é a demência mais frequente entre os idosos. A velocidade e intensidade da progressão da doença variam em cada caso. Como não há cura (ao menos, até o momento) para o Alzheimer, os portadores e seus familiares estão destinados a conviver diariamente com o esquecimento de lembranças recentes, a repetição de histórias antigas, a perda de funções cognitivas e a crescente dependência para atividades de rotina, como alimentação e higiene. Com o passar do tempo, em casos avançados, o tecido cerebral também entra em degeneração, destruindo outras funções do corpo comandadas pelo cérebro, como a locomoção e a deglutição. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), Fernanda Gouveia Paulino, quanto antes se diagnosticar a doença e se iniciar o tratamento, maiores são as chances de se retardar o desenvolvimento dos sintomas. Mas eles não desaparecem.

O pai de Chvaicer continua morando sozinho no Rio de Janeiro, agora sob os cuidados constantes dos profissionais da empresa do filho. Ter um cuidador em casa, optar pela internação em uma clínica especializada ou cuidar do parente sem auxílio de um profissional são caminhos possíveis, que podem funcionar ou não. Não há certo ou errado. "Antes de escolher como cuidar do portador de Alzheimer, os familiares devem avaliar sua disponibilidade de tempo e de recursos financeiros”, diz a presidente da Abraz. "O importante é garantir que o portador se sinta bem acolhido, com acesso a todos os remédios e cuidados necessários ao longo do tratamento."

A dona de casa Maria Petrina, de 76 anos, cuida sozinha de seu marido, Geraldo, de 80, em sua casa no Jardim Egle, na Zona Leste de São Paulo, desde que ele foi diagnosticado com Alzheimer, há cinco anos. Em estágio avançado da doença, Geraldo fala pouco, anda com dificuldade, tem olhar distante e vazio. Mas ainda come e vai ao banheiro sozinho. Sem qualquer ajuda, dona Maria se divide entre os cuidados com o marido e as tarefas do lar. Enquanto nos recebia na poltrona de sua sala, o barulho da panela de pressão interrompia o silêncio das pausas que fazia entre uma pergunta e outra.

À primeira vista não se percebe que a artista plástica aposentada Acrácia Sanchez, de 77 anos, sofre de Alzheimer. Diagnosticada há sete anos, ela é falante, ativa e disposta. Apresenta apenas lapsos de memória. Enquanto o marido, Francisco, trabalha durante o dia, ela tem a companhia de Fabiana Aparecida da Silva, sua cuidadora, na casa onde vive em Jaçanã, na Zona Norte da capital paulista. "Com a convivência, criamos um laço de cumplicidade e parceria. Somos amigas", diz Fabiana. Entre risadas e olhares apaixonados, o casal mostra que é possível encarar a doença de forma leve. Diferentemente da maioria dos portadores do Alzheimer, Acrácia tem consciência de sua doença, mas se diz tranquila. "Não tenho medo. Com todos os cuidados que recebo, me sinto segura e confiante."

No quarto da casa de repouso onde vive no Butantã, Zona Oeste de São Paulo, o aposentado Dawid Cukier coleciona troféus de tênis, porta-retratos e a réplica de um barco de madeira - lembranças de seus hobbies e familiares queridos. Quando foi diagnosticado com Alzheimer, há oito anos, vivia em casa sob cuidados dos familiares e de cuidadores não especializados. A alternativa, que no começo parecia a mais adequada, não funcionou. Com o tempo, Dawid passou a ter dificuldades para comer, andar e se socializar. A família ponderou e decidiu oferecer a Dawid cuidados profissionais 24 horas por dia. Na beira do lago da casa de repouso da Sociedade Beneficente Alemã, seu filho Celso fala sobre a melhora da qualidade de vida do pai desde então. Hoje, além de caminhar, Dawid dança valsa com as funcionárias do local.

As três famílias mostram como é possível conviver com o Alzheimer com força, paciência e alegria. No vídeo abaixo, os principais trechos de nossas conversas.

http://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/01/alzheimer-dor-do-besquecimentob.html


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Células do olho podem ajudar a diagnosticar Mal de Alzheimer

Alterações em células específicas da retina podem ajudar a diagnosticar e acompanhar a progressão do Mal de Alzheimer, segundo uma nova pesquisa conduzida por cientistas americanos.

O Mal de Alzheimer é uma doença degenerativa que afeta os neurônios. Seu sintoma primário é a perda da capacidade de memória.

A equipe de pesquisadores descobriu que camundongos com a doença perderam espessura na camada das células oculares.

Como a retina é uma extensão direta do cérebro, eles acreditam que a perda de neurônios retinais pode estar relacionada à diminuição de células do cérebro devido ao Alzheimer.

As descobertas foram reveladas durante uma conferência de neurociência ocorrida nos Estados Unidos.
A equipe prevê que, futuramente, os oftalmologistas, munidos dos devidos aparelhos, consigam detectar o Mal de Alzheimer durante um exame de vista periódico.

Segundo o estudo dos cientistas, alterações nas células da retina também poderiam ajudar a detectar o glaucoma – que leva à cegueira – e que é considerado uma doença neurodegenerativa similar ao Alzheimer.
Scott Turner, diretor do programa de transtornos de memória do Centro Médico da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos, afirmou: " A retina é uma extensão do cérebro, por isso faz sentido que os mesmos processos patológicos encontrados no cérebro de Alzheimer também sejam observados no olho. "

Turner e sua equipe analisaram a espessura da retina em uma área que anteriormente não havia sido investigada. O estudo incluiu camada nuclear interna e a camada de células ganglionares da retina (um tipo de neurônio encontrado na retina).

Eles concluíram que uma perda de espessura ocorreu apenas em camundongos com Mal de Alzheimer. A camada de células ganglionares da retina foi reduzida à metade de seu tamanho e a camada nuclear interna diminuiu em mais de um terço.

"Nossa descoberta sugere uma nova compreensão do processo da doença em seres humanos e pode levar a novas formas de diagnosticar ou prever a doença de Alzheimer que poderiam ser tão simples como um exame de vista", explicou Turner.

Não-invasivo
Turner acrescentou que, eventualmente, os tratamentos desenvolvidos para frear a progressão do Mal de Alzheimer também poderiam ser usados para tratar o glaucoma.

"Esperamos que isso se traduza em pacientes humanos e suspeitamos que o afinamento da retina, assim como o afinamento cortical, ocorre muito antes do início do processo de demência", disse Tuner à BBC News.

"Porém, estudos em humanos ainda são necessários para comprovar nossa tese. O problema é que os biomarcadores principais da doença de Alzheimer são muito caros ou invasivos. Já um exame minucioso da espessura da retina – por tomografia de coerência ótica – seria um procedimento barato e não-invasivo".
A causa do Mal de Alzheimer , uma das principais causadoras da demência, ainda é desconhecida.

Apesar de ainda não haver cura, médicos acreditam que o tratamento precoce do Alzheimer é a maneira mais eficaz para evitar a perda de memória, seu principal sintoma.

Para Laura Phipps, do Alzheimer Research UK, centro de pesquisa para a doença baseado no Reino Unido, há cada vez mais evidências ligando a perda de células da retina ao Mal de Alzheimer.

"Diagnosticar a doença de Alzheimer com precisão pode ser uma tarefa difícil. Por isso, é vital para continuar investindo em pesquisa para melhorar os métodos de diagnóstico", afirmou Phipps.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131114_alzheimer_retina_lgb.shtml