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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Paracetamol não é eficiente contra dores lombares, diz estudo - The Lancet



O paracetamol não é eficaz contra dores lombares, afirma um estudo que envolveu mais de 1.600 pacientes afetados por lombalgias agudas realizado na Austrália.

Os pacientes "tratados" com placebo apresentaram recuperação mais rápida - um dia em média - em comparação aos que tomaram paracetamol, um tratamento corrente contra esta "dor na parte inferior das costas", afirmam os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira na revista médica "The Lancet".

Estes "resultados sugerem que o paracetamol não influi em nada no tempo de restabelecimento de uma lombalgia comum aguda" e "a prescrição universal do paracetamol para este grupo de pacientes levanta uma questão", destaca a equipe australiana que realizou o estudo.

O paracetamol também não tem qualquer efeito sobre a dor, função, mudança geral dos sintomas, sono ou qualidade de vida do paciente com lombalgia. As dores lombares são a principal causa de invalidez no mundo, e o paracetamol é prescrito "universalmente" como tratamento de primeira linha, segundo "The Lancet".

O estudo, batizado de "PACE", avaliou 1.652 indivíduos de 235 centros de cuidados primários de Sydney (Austrália), durante três meses. Um primeiro grupo recebeu doses regulares de paracetamol (3 vezes ao dia por até 4 semanas), um segundo, doses em caso de necessidade (até 4g/dia), e um terceiro foi submetido a placebo.

Ao final de sete dias seguidos sem dores ou quase sem dor, o paciente era considerado restabelecido. O prazo médio de recuperação foi de 17 dias para os dois primeiros grupos e de 16 dias para o grupo que tomava placebo.

O artigo original (em inglês):

http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(14)60805-9/fulltext

terça-feira, 26 de julho de 2011

Manter boa postura aumenta a tolerância à dor e reduz o nivel de stress

Andar com a coluna ereta transmite uma imagem positiva, elegante e ainda reduz a sensibilidade à dor, diz pesquisa das universidades do Sul da Califórnia e de Toronto divulgada esta semana. No estudo, publicado na revista "Journal of Experimental Social Psychology", os autores afirmam que adotar uma postura dominante faz com que as pessoas se sintam poderosas e fortes emocionalmente. Estes novos dados reforçam outros que indicam que a postura correta eleva o nível de testosterona, que aumenta a tolerância à dor, e reduz o de cortisol, o hormônio do estresse.

Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que, ao longo da vida, 80% da população mundial têm pelo menos um episódio de dor na coluna. E o sintoma, que era mais comum a partir dos 40 anos, hoje é queixa também entre adolescentes e jovens: 5,3 milhões de brasileiros sofrem de hérnia de disco.

Medidas simples em casa, no trânsito e no trabalho podem evitar os desvios e as dores nas costas. O fisioterapeuta Eduardo Cadidé, do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral (ITC), lembra que a prevenção inclui manter o peso corporal correto, fortalecer a musculatura e reeducação postural, medidas que podem ser tomadas em qualquer idade.

- Má postura, inclusive durante o sono, exercícios mal feitos, repetição de movimentos e hereditariedade são as principais causas de dores nas costas - diz Cadidé, que em parceria com o fisioterapeuta Helder Montenegro, lançou a cartilha "Guia de postura Dr. Coluna", da qual selecionamos algumas dicas para os leitores.

Cirurgia de coluna só em último caso
Para as pessoas que já sofrem com as dores de coluna há opções de tratamento eficazes, diz Cadidé, incluindo medicamentos, técnicas de fisioterapia, como reeducação postural global (RPG), pilates, acupuntura e, em poucos casos, as cirurgias.

- Uma alternativa eficaz é o método Reconstrução Músculo Articular (RMA), com índice de sucesso de até 87%, especialmente em casos de hérnia de disco - afirma Cadidé. A técnica associa fisioterapia manual, mesas de tração e descompressão, aparelho que trabalha o músculo transverso do abdômen e exercícios de musculação.

Ilídio Pinheiro, chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital São Vicente de Paulo, no Rio, reforça que é preciso corrigir a postura e evitar a sobrecarga nas vértebras, devido a movimentos inadequados e esforços físicos, como, por exemplo, inclinar o tronco para frente ao levantar um peso. E lembra que fatores psicológicos, entre eles ansiedade e estresse, influenciam no aparecimento ou na persistência das dores de coluna:  Erros de postura muitas vezes estão associados ao estado emocional.

Antes de indicar qualquer tratamento, é preciso ter o diagnóstico exato, que dependerá de exame clínico detalhado e de imagens - sempre iniciando com radiografia simples - e testes laboratoriais. Drogas só com receita médica, alerta o especialista.

- Medicamentos, principalmente anti-inflamatórios, devem ser usados com moderação e em pacientes sem contraindicações, como úlcera, cardiopatias e alergias. A cirurgia é reservada para os casos graves ou pacientes que não respondem ao tratamento convencional - comenta.

Medicamentos só por pouco tempo

Já o médico Renato Tavares, do Centro de Tratamento das Doenças da Coluna do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), diz que uma das principais queixas é a lombalgia, que pode ser causada por contraturas musculares, artrose, estreitamento do canal lombar, traumatismos, hérnia, infecções, osteoporose e outras doenças reumatológicas. Além da dor pode haver sintoma de dormência e fraqueza das pernas ou dos pés.

- A lombalgia é comum em pessoas ansiosas e estressadas - diz Tavares, acrescentando que prevenir a dor nas costas é mais fácil do que tratar uma lesão; e que os exercícios de alongamento e fortalecimento da musculatura da coluna, do abdômen e das pernas devem ser feitos pelo menos três vezes por semana.
Outra reclamação frequente é o bico de papagaio (a osteofitose ), a formação óssea anormal na proximidade das articulações das vértebras devido à sobrecarga local. Dores fortes e sensação de queimação nas costas são alguns de seus sintomas.

- Nesses casos, a prática de RPG traz excelentes resultados - diz o médico Marcio Taubman, do Centro de Reumatologia e Ortopedia Botafogo. - Cuidar da postura é fundamental. Dormir de bruços, por exemplo, pode causar o bico de papagaio.

Os médicos reforçam que os medicamentos devem ser usados com receita e apenas para aliviar a dor nos períodos de crise, pois não são isentos de efeitos colaterais, como, por exemplo, gastrite ou problemas nos rins. E quando a queixa persiste além de seis meses, mesmo com tratamento clínico, deve-se considerar a necessidade de cirurgia, diz Tavares

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Orientações posturais


O dia a dia das vértebras não é fácil: elas precisam sustentar o tronco e ainda se dobrar aos nossos desejos, por mais triviais que eles sejam. Para piorar, tamanha labuta geralmente é recompensada com falta de consideração — afinal, quantas pessoas se preocupam, nas suas próprias tarefas, em não forçar esse conjunto de ossos? E a união entre sobrecarga e descaso costuma ter apenas um desfecho: dor.

Com o intuito de assegurar o direito à saúde da espinha dorsal, a Associação Brasileira de Reabilitação da Coluna elaborou um novo guia que visa corrigir posturas do nosso cotidiano, como sentar-se em frente ao computador e até escovar os dentes.

80% das pessoas ao redor do globo já tiveram ou terão, ao longo da vida, ao menos um episódio de dor na coluna;

5,3 milhões de brasileiros sofrem com a hérnia de disco;

13% das consultas médicas são decorrentes de incômodos na região lombar.

O novo aliado da coluna
Um aparelho faz o próprio corpo aprender a preservar as costas de maneira eficaz
Seu nome, Stabilizer, já sugere o que ele faz. apesar de simples — trata-se de uma almofada especial colocada na região lombar durante a fisioterapia —, o equipamento "ensina" o corpo a contrair os músculos multífidos, localizados ao longo das vértebras. Treinada, essa musculatura é capaz de manter a espinha alinhada e de amortecer impactos. Só para citar um caso, pesquisadores australianos descobriram que quase todos os indivíduos com hérnia de disco tinham esses auxiliares da coluna atrofiados.

Como funciona
Ele faz as costas aguentarem as exigências do cotidiano.
Os multífidos são músculos profundos. Para acioná-los, é preciso estimular uma cadeia muscular que começa pelo transverso do abdômen. Só que contrair o transverso não é fácil — e mais, cada um o ativa de um jeito diferente. O Stabilizer ajuda a detectar quando o músculo é exigido. a partir daí, basta repetir o movimento que deu certo até que ele seja automatizado.

Orientações Práticas

1. Levantar-se da cama

Usar os músculos próximos do umbigo e os das costas para se erguer pode agredir as vértebras logo ao raiar do dia. Em vez disso, apoie-se nos braços, mais fortes e preparados, enquanto coloca as pernas para fora do leito. É importante realizar movimentos vagarosos quando se acorda. Após várias horas de sono, a musculatura não responde bem aos nossos pedidos e uma exigência intensa costuma terminar em incômodo.
Quando despertar, cuidado com o pescoço. Uma levantada brusca aumenta o risco de torcicolo.

2. Amarrar os sapatos

Inclinar-se demais para alcançar o cadarço é proibido. Quanto ao que se recomenda, há quem sugira cruzar as pernas. E isso é efetivo, porém, na prática, as pessoas têm dificuldades para adotar essa posição dos dois lados. Uma alternativa simples é buscar um apoio que eleve bastante o pé.

3. Escovar os dentes

De pé, a inclinação para a frente típica da escovação joga toda a pressão da gravidade diretamente nos discos vertebrais. Para acabar com a mania, coloque uma mão na pia e mantenha esse braço estendido. Deixar um dos membros inferiores dobrado, como na ilustração à direita, ativa uma musculatura do abdômen apta a suportar cargas, distribuindo melhor o peso corporal.

4. Dirigir

O caminho ao trabalho, quando percorrido de carro, apresenta ameaças específicas. A primeira — e talvez a maior delas — é o senso comum. Grande parte da população acha que o encosto deve ficar a 90 graus com relação ao banco. Isso aumenta a compressão sobre as vértebras. O ideal é abrir essa angulação um pouquinho, em torno de 100 a 110 graus. Certifique-se também de que os braços estejam suavemente dobrados e que as mãos fiquem logo acima da metade do volante. Se estiverem firmadas na parte de baixo, o trapézio reclama. Se ficarem muito no alto, é a região cervical que padece.
Em torno de 80% das dores lombares não têm razão conhecida. O jeito é se precaver em toda situação.

5. Mexer no computador


O escritório é um dos ambientes que mais causam transtornos à coluna pelo tempo sentado de maneira errada em frente ao monitor. Se em muitos casos não dá para fugir desse cara a cara prolongado com o computador, pelo menos é possível se relacionar com ele sem machucar tanto as costas. Comece pela tela: deixe-a a um braço de distância e certifique-se de que o topo dela esteja alinhado com a sua linha de visão. As coxas devem estar paralelas ao chão. E você reparou no apoio para os pés? Ele auxilia o retorno venoso e impede que as nádegas venham para a frente. mas não pode possuir mais do que 15 centímetros, sob o risco de desalinhar as pernas. Os braços devem estar em ângulo de 90 graus, apoiados e alinhados para evitar sobrecarga e dores nos punhos, porém a figura acima não mostra tal orientação.

6. Pegar uma criança no colo


Nada melhor do que tirar seu filho do chão e abraçá-lo assim que chegar em casa, não? Para não ter que abdicar desse hábito, ajoelhe-se em vez de dobrar o tronco quando for envolvê-lo em seus braços. E, na hora de se levantar, deixe-o bem junto do tórax.

7. Dormir

Para permitir que a coluna descanse, prefira repousar de lado e lance mão de um travesseiro que deixe o pescoço reto. Uma almofada entre as pernas alinha os ossos, diminuindo a probabilidade de uma lombalgia. Agora, atenção! Nada disso faz efeito se o colchão for mole ou duro demais.

Logo mais vou postar orientações de travesseiros e colchões também penssando em evitar dores nas costas e melhorar a qualidade do sono.

Seguindo essas dicas fica muito mais fácil evitar dores nas costas.