Mostrando postagens com marcador Parkinson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parkinson. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 2 de junho de 2015

Idoso 'dribla' o mal de Parkinson e retarda a doença pintando quadros

Luiz faz quadros no tratamento do mal de Parkinson  (Foto: Mariana Rodrigues/Prefeitura de Itanhaém)
Um idoso com Mal de Parkinson encontrou na pintura uma forma de reduzir os tremores provenientes da doença. Morador de Itanhaém, no litoral de São Paulo, ele descobriu uma habilidade e conheceu o prazer de pintar quadros, o que retomou sua autoestima, que tinha sido perdida com a doença. Os quadros do novo artista estão expostos no Centro de Itanhaém e se tornaram um exemplo de que é sempre possível viver melhor.

O aposentado Luiz Carlos Azevedo, de 77 anos, descobriu que tinha Mal de Parkinson há seis anos. “Eu descobri porque estava em uma festa e percebi que tremia. Um amigo falou que eu tinha que ir ao médico”, conta. O aposentado seguiu o conselho e confirmou que tinha o Mal de Parkinson, uma doença degenerativa que afeta o sistema neurológico, a coordenação motora e provoca tremores.

Luiz começou a fazer terapia no Centro Municipal de Reabilitação (CMR) há um ano. O aposentado tinha dificuldades para escrever e não conseguia assinar o próprio nome. A terapeuta ocupacional Fernanda Luppino iniciou atividades de escrita e logo descobriu que o idoso tinha aptidão para a pintura de quadros.

Fernanda começou ensinando movimentos amplos e com pincéis mais grossos e, depois, passou para os traços mais finos e detalhados, até finalizar com a assinatura de Luiz. “Eu aprendi com a Fernanda me ensinando. Já fiz sete quadros”, afirma ele. As pinturas do idoso são sempre ligadas à natureza, flores e barcos na praia e o mar.

A pintura auxiliou Luiz no tratamento de Mal de Parkinson e os resultados começaram a aparecer aos poucos. Após mais de um ano de acompanhamento e pintura, ele nota as melhoras. “O tremor diminuiu bastante. Peguei gosto pela pintura. Eu acho que agora estou pintando bem, estou pintando melhor. Me agrada muito fazer isso“, diz ele.


Já a terapeuta explica que o Mal de Parkinson é uma doença progressiva e, por isso, o tratamento consegue retardar cada vez mais os sintomas e a piora do paciente. “Com as atividades, a doença progride mais devagar. Algumas habilidades motoras melhoraram”, afirma.

A questão emocional foi desenvolvida nas aulas de pintura. “É um processo difícil ver a perda de habilidades e da autonomia. Foi um processo importante expor o trabalho dele. Trouxe de volta uma autoestima, um processo de autonomia que vinha se perdendo com o curso da doença. Foi uma superação ele aprender a atividade com idade avançada e a doença", diz.
Luiz faz quadros no tratamento do mal de Parkinson (Foto: Mariana Rodrigues/Prefeitura de Itanhaém)
Quadros de Luiz retratam a natureza (Foto: Divulgação/Prefeitura de Itanhaém)
Pinturas do idoso estão expostas em espaço em Itanhaém (Foto: Divulgação/Prefeitura de Itanhaém)

Pessoas depressivas têm chances maiores de desenvolver Parkinson, diz estudo


Pesquisadores suecos relataram em novo estudo publicado na revista “Neurology” que pessoas com depressão são muito mais propensas a desenvolver doença de Parkinson anos depois. A pesquisa reforça a teoria de trabalhos anteriores mostrando que depressão e Parkinson estão ligadas.

A equipe da Universidade de Umea, na Suécia, mostrou que a depressão vem primeiro, e não o contrário.

“Vimos esta relação entre depressão e doença de Parkinson ao longo de um período de tempo de mais de duas décadas, de modo que a depressão pode ser um sintoma precoce da doença de Parkinson ou um fator de risco para a doença”, informou Peter Nordstrom, da Universidade de Umea, em um comunicado.

Para os cientistas, o estudo é forte porque seguiu toda a população sueca que tinha 50 anos até o final de 2005. A equipe de Nordstrom encontrou mais de 140 mil que foram diagnosticadas com depressão, entre 1987 e 2012. Eles compararam com pessoas semelhantes que não foram diagnosticadas com depressão.

Em seguida, verificaram para ver quem tinha a doença de Parkinson. A análise foi possível porque a Suécia tem um extenso banco de dados sobre a saúde dos seus cidadãos.

Mais de 26 anos depois, 1.485 das pessoas tinham sido diagnosticadas com mal de Parkinson. Cerca de 1% das pessoas que tiveram depressão em algum momento passou a desenvolver Parkinson, contra apenas 0,4% da população que nunca teve depressão.

Isso não significa necessariamente que a depressão provoca Parkinson, diz James Beck, vice-presidente de assuntos científicos da Fundação Americana da Doença de Parkinson, que não estava envolvido no estudo.

“Acho que a mensagem maior é que a depressão e a doença de Parkinson realmente andam de mãos dadas”, Beck disse à “NBC News”. “Nós já sabíamos disso, mas este é um estudo muito grande.”

Beck afirmou, ainda, que as pessoas que estão deprimidas precisam prestar muita atenção se desenvolver tremor ou outros sintomas iniciais de Parkinson. A maioria das pessoas esperam até que os sintomas fiquem mais evidentes antes de procurar ajuda médica.

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/pessoas-depressivas-tem-chances-maiores-de-desenvolver-parkinson-diz-estudo-16223564

domingo, 12 de abril de 2015

Abril - Mês de Conscientização da Doença de Parkinson

Abril é o mês de conscientização do Parkinson. E ontem, dia 11/04 foi o Dia Mundial da Doença de Parkinson. Um bom momento para aprender mais sobre a doença e compartilhar conhecimento.
Assista o vídeo abaixo:



Mais informações: www.vivabemcomparkinson.com.br

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Tratamento Gratuito para Pacientes com Parkinson


O Ministério da Saúde através de suas políticas de saúde disponibiliza no Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos para a Doença de Parkinson. Estes medicamentos estão divididos em 2 grupos.

O primeiro grupo são medicamentos disponibilizados pelas Farmácias de Alto Custo das Secretarias Estaduais de Saúde sendo eles:

Amantadina 100 mg
Bromocriptina 2,5 mg e 5 mg
Cabergolina 0,5 mg
Entacapona 200 mg
Pramipexol 0,125 mg, 0,25 mg e 1 mg
Selegilina 5 mg e 10 mg
Tolcapona 100 mg

O segundo grupo de medicamentos é disponibilizado através dos postos municipais de saúde, sendo eles:

Biperideno 2 mg
Biperideno 4 mg
Levodopa + benserazida 200/50 mg
Levodopa + benserazida 100/25 mg
Levodopa + carbidopa 250/25 mg
Levodopa + carbidopa 200/50 mg

Fonte:
PORTARIA Nº 3.916, DE 30 DE OUTUBRO DE 1998
PORTARIA Nº 2.981, DE 26 DE NOVEMBRO DE 2009
PORTARIA Nº 4.217, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2010

http://www.vivabemcomparkinson.com.br/tratamento/tratamento-gratuito/

O que você sabe sobre a Doença de Parkinson?


Fonte: vibrarcomparkinson.blogspot.com

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Doença de Parkinson





A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa neurológica que pode causar tremores e lentidão. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que aproximadamente 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença. Só no Brasil, estima-se que cerca de 200 mil pessoas sofram com o problema. A cura ainda não foi alcançada, mas há estudos em nível experimental sobre o tratamento com células tronco.

A Doença de Parkinson (DP), descrita por James Parkinson em 1817, é uma das doenças neurológicas mais comuns e intrigantes dos dias de hoje. Tem distribuição universal e atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas. Estima-se uma prevalência de 100 a 200 casos por 100.000 habitantes.

Ela é causada pela deterioração de neurônios dopaminérgicos da substância negra cerebral e também pelo comprometimento de outras regiões, como o núcleo dorsal do vago, sistema olfatório e alguns neurônios periféricos. Fatores genéticos também devem ser considerados, principalmente em casos precoces (antes dos 50 anos), que são mais raros.

 O corpo fala - A Doença de Parkinson é caracterizada basicamente por tremor de repouso, tremor nas extremidades, instabilidade postural, rigidez de articulações e lentidão nos movimentos. Há também outros sintomas não motores, como a diminuição do olfato, distúrbios do sono, alteração do ritmo intestinal e depressão.

Para diagnosticar o problema, é preciso estar atento. A doença pode iniciar entre 10 e 15 anos antes dos sintomas se evidenciarem. Quem apresenta tremores deve procurar ajuda médica, pois eles também podem ser causados por outros motivos e por efeito colateral de alguns medicamentos. A constatação do problema é feita por exames neurológicos e pela avaliação do histórico do pacientes. Inicialmente, a ressonância magnética e a tomografia podem ser realizadas com o intuito de descartar outras doenças. Feito isso, pode-se partir para os radiotraçadores PET e SPECT, que avaliam a função dos neurônios dopaminérgicos.

Pensando em qualidade de vida – Caso a doença seja constatada, o tratamento deve ser feito à base de medicamentos, com o intuito da redução da progressão de sintomas. A escolha do medicamento mais adequado deverá levar em consideração fatores como estágio da doença, a sintomatologia presente, ocorrência de efeitos colaterais, idade do paciente, medicamentos em uso e seu custo.

Pacientes com incapacidade funcional causada pelos sintomas parkinsonianos também podem se beneficiar de programas terapêuticos de reabilitação, envolvendo fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte psicológico e familiar, buscando evitar e/ou retardar a perda de suas funcionalidade e habilidades motoras. Quando o paciente com Parkinson não responde bem aos remédios prescritos, há ainda possibilidade de alguns tratamentos cirúrgicos e com estimuladores cerebrais profundos.

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretriz Terapêutica do SUS para pessoas com Doença de Parkinson, publicado pela portaria nº 228, de 10 de maio de 2010, os medicamentos disponíveis no SUS para o tratamento são: Levodopa/carbidopa; Levodopa/benserazida; Bromocriptina; Pramipexol; Amantadina; Biperideno; Triexifenidil; Selegilina; Tolcapona e Entacapona.



Fonte: Blog da Saúde 


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Projeto da UEL estuda exercícios de reabilitação para o Parkinson


O projeto da Universidade de Londrina (UEL) estuda os melhores exercícios de reabilitação para as dificuldades causadas pela doença de Parkinson. O projeto é voltado para pessoas que têm a doença e que conseguem se locomover sozinhas/ sem o uso de cadeira de rodas, para que possam participar de todas as atividades. O atendimento é gratuito.
Uma ótima iniciativa.
Abaixo o vídeo da reportagem.


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Entrevista Paulo José - " Carrego o Parkinson no palco e na vida há 20 anos"


Entrevista publicada em dezembro de 2013.

Já lá se foram 20 anos! Era final de 1993, e eu jamais poderia acreditar que chegaria ao século XXI carregando esse Parkinson comigo. O mal de Parkinson foi descrito pela primeira vez por James Parkinson, em 1817. Ele se caracteriza pela falta de dopamina, um neurotransmissor produzido na substância nigra do cérebro, cuja ausência é responsável por discinesias, movimentos involuntários dos braços, pernas e cabeça, além de tremores. Há perda de expressão do rosto e da voz, sensação de carregar mais de 20 quilos em cada pé, mão trêmula de pedinte, cara de bobo ou de jogador de pôquer, redução na potência vocal, falta de equilíbrio e visão dupla. Enfim, uma doença degenerativa e incurável que pode ser de origem genética ou ambiental, não se sabe bem de onde vem, mas sabe-se para onde vai. É um prato cheio de sintomas que só tendem a piorar, principalmente quando se tem uma vida sem rotina.

Falta de rotina é da natureza do ofício de ator de teatro. O teatro é uma atividade noturna. O jantar ocorre só depois do espetáculo, vai-se dormir lá pelas 2 ou 3 horas da manhã e, quando as outras pessoas descansam, nos finais de semana, é quando mais se trabalha. O cinema também é assim. A atividade começa às 4 ou 5 horas da manhã, para tirar proveito da luz do sol. O filme é rodado das 7 horas da manhã às 6 horas da tarde. Isso sem falar das noturnas, que acabam às 6 horas da manhã. E tem ainda aquela participação na TV, com gravações externas de manhã e à noite. Com essa não rotina, nosso médico vem falar em vida saudável – a que horas, meu Deus do céu?!

Hoje já fumei dois cigarros. Quando tenho de dar uma entrevista, fico muito ansioso. O cigarro me acalma. Como diria o Mario Quintana: “Fumar é uma maneira disfarçada de suspirar”. Há 15 anos, recebi outro diagnóstico, de enfisema pulmonar. Não é câncer, mas mata. O pulmão enrijece, acaba-se sem ar. Fumo pouco, cinco cigarros por dia, no máximo. Às vezes, nenhum.

Descobri que tenho Parkinson em 1993. Estava fazendo um Você decide especial. Quis encerrar o ano com um superprograma, com orquestra sinfônica e três finais para o público decidir qual iria ao ar – normalmente, eram dois finais. Superestimei minha capacidade como diretor. Era um programa cheio de música clássica – Brahms, Beethoven, Mozart, Mahler –, executada pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal. Tudo era grandioso. Foi uma edição complicadíssima que me consumiu três dias e três noites, sem sair da ilha de edição. Entreguei a versão final uma hora antes do início do programa. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Menos o comandante, que afundou com o navio, proferindo suas últimas palavras: “My kingdom for a horse. White Horse… on the rocks” (uma brincadeira com o uísque White Horse e o trecho famoso, de Ricardo III, de Shakespeare: “Meu reino por um cavalo”). Alguém me deu um copo com uísque para comemorar. Ao primeiro gole, fiquei tonto e desmaiei. Me recuperei, fui para casa e, no dia seguinte, dormi 22 horas seguidas. Ao acordar, fui tomar o café da manhã. Meu corpo não obedecia a meu cérebro. Minhas mãos não faziam coisas simples como passar manteiga no pão ou escovar os dentes.

Recebi o diagnóstico  e me lembrei da  frase de Dante Alighieri, escrita na porta do Inferno, em A divina comédia: “Deixai toda  a esperança,  vós que entrais”
Fui parar num neurologista. O mal de Parkinson não aparece visualmente nos exames. É um diagnóstico por eliminação. Se não tem coágulo, não tem tumor, não tem nada, mas tem enorme dificuldade para meter a bola cinco na caçapa do meio, então… tem Parkinson. Recebi uma receita para tomar dois medicamentos. Perguntei: “Até quando?”. Ele fez uma pausa e disse: “Para toda a vida!”. Depois de um silêncio, falou como se batesse o último prego em meu caixão: “Você tem uma doença degenerativa, progressiva e irreversível”. Não havia o que dizer. “Lasciate ogni speranza voi che entrate”, frase de Dante Alighieri escrita na porta do Inferno. Significa: “Deixai toda a esperança, vós que entrais”. Me dei conta de que o médico também estava diante de uma enfermidade degenerativa, progressiva e irreversível: a velhice e a morte. “Todos temos essa doença, a decadência que começa antes dos 30”, consegui dizer.

Descobrir a doença não foi um choque. Sabia que ninguém morre de Parkinson, se morre com Parkinson. E ainda não tinha noção da gravidade. Com o tempo, os sintomas tornaram-se mais fortes. O enrijecimento geral, a perda de movimento. As pessoas mudaram comigo. Queriam me proteger. Ficaram com pena. Isso nunca me incomodou. Sou um sobrevivente. Tenho muita sorte por ter gente que gosta de mim.Tenho de ser grato por isso. E sou.

Sempre tive apoio da família, da minha mulher, Kika, dos meus filhos e dos meus pais (que ainda viviam no começo da doença) e de meus colegas, a começar pelo Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, na época vice-presidente da TV Globo). Este, isso era proverbial, não podia ver ninguém doente sem querer ajudar. Me chamou em sua sala, pegou um livro grosso, um Who is who da medicina. Ficou procurando no índice “par, par, Parkinson”. Por fim, disse: “O melhor lugar para tratar seu caso é o Instituto Presbiteriano, em Nova York. É para lá que você vai, falar com o médico Stanley Fahn. A Globo arrumará tudo”. O Boni mandou, eu obedeci. Nunca foi tão rápido tomar uma decisão. Era o Método Boni em ação. Fui muito bem tratado. Fiz toda a sorte de exames e voltei disposto a me cuidar.

Comecei a me tratar com o médico James Pitágoras. Ele monitorava a medicação de acordo com meu estado geral. Se você passa a tomar mais de um medicamento forte, tem de tomar outro para minimizar os efeitos nocivos do primeiro. Tem um ponto em que há a síndrome do uso prolongado do medicamento. Quando isso ocorre, ele começa a te dar justamente aquilo que pretendia atacar. Ficava com os sintomas do Parkinson mais aguçados. Ainda tenho problemas de equilíbrio. A medicação mexeu muito com minha libido. Ora ficava exacerbada, ora sumia. Tudo isso você vai ajustando enquanto toca a vida. “É com o andar da carroça que se ajeitam as melancias.”

Já passei diversos vexames por causa do Parkinson. Há dez anos, fui convidado para participar do programa de entrevistas Roda viva. Ficaria exposto em cadeia nacional. Fiquei nervoso. Então, fiz um coquetel de Levodopa (a principal medicação para tratamento do Parkinson) com um relaxante. O tiro saiu pela culatra. Fiquei com os movimentos mais acentuados. Perdi o controle da mão direita. O cartunista Chico Caruso desenhava o entrevistado. Ele me fez com seis mãos, parecia um polvo com cabeça de homem, de tanto que mexia os braços. Consegui dar a entrevista. Mas fiquei muito chateado.

Quando o efeito da medicação diminuiu, James Pitágoras me recomendou um novo tratamento. A novidade trazia os riscos de toda cirurgia com pequeno histórico. Fui parar num mestre em abrir cabeças, o Paulo Niemeyer Filho. Ele abriu a minha e colocou lá dentro uma espécie de marca-passo, conhecido como DBS, Deep Brain Stimulation (estimulação profunda do cérebro, na tradução do inglês). Niemeyer e sua equipe não me cobraram nada. A Globo cobriu a maior parte dos tratamentos.

Tive depressão muitas vezes. Houve um tempo em que tinha medo de dormir e não acordar. Às vezes, tenho medo de morrer. Não estou num daqueles momentos terríveis. Mas tampouco este é um período fácil. Quando acordo, tenho de fazer uma escolha. Decido sair da cama. Hoje será um dia melhor. Ao me deitar, não penso se o dia foi mesmo melhor. Só penso: “Amanhã será um outro dia”. Assim, sigo trabalhando e vivendo dia por dia.

“Nos últimos 20 anos, dirigi dez peças, participei de 19 filmes e 18 programas  de TV, entre  séries e novelas.  Em todos esses trabalhos, o Parkinson estava lá” (Foto: Bazilio Calazans/TV GLOBO)
Sempre trabalhei muito. Não me lembro de como é não ser ator. Comecei teatro amador na adolescência. Dos cinco irmãos, fui o único que se tornou vagabundo profissional. Minha mãe era uma espanhola, fluente em francês e professora de língua portuguesa. Era a pessoa que mais sabia poesias de cor. Meu pai, um engenheiro gaúcho que se formou no Rio de Janeiro. Fui criado entre gauchadas e poesia, entre Bagé e Lavras do Sul, no Rio Grande do Sul.

Quando decidi largar a faculdade de arquitetura, no 3o ano, foi um alvoroço em casa. Havia anos, eu fazia teatro amador. Percebi que tinha de tomar uma decisão: ou largava o teatro, ou ficava nessa mesmice amadora, meio artista, meio engenheiro. O coração falou mais alto. Contei para minha mãe que decidira ser ator. Ela disse: “Tu tens certeza, Paulo?”. Foi falar com meu pai. Ele me chamou. “Tu queres largar a faculdade?” “Sim, quero”, respondi. “Tu queres ser ator?” “Sim, quero”, continuei, com firmeza apreensiva. “Já estás decidido, não adianta argumentar?”, disse ele, bem sério. Diante da minha confirmação, sentenciou: “Então, vai embora daqui. Vai morar em outro lugar”, falou baixo e com firmeza. Senti que não tinha mais lugar na casa paterna. A grande surpresa – que me enche os olhos até hoje – estava reservada para o final. Já saindo da sala, parou e concluiu em tom quase secreto: “Tu vais morar no Rio de Janeiro ou em São Paulo”. Depois de uma breve pausa, arrematou: “E eu te ajudo”. Como se pode ver, sempre tive muita sorte.

Me casei quatro vezes. Tenho quatro filhos e dois netos. Meus primeiros três casamentos foram com atrizes: Dina Sfat, Carla Camuratti e Zezé Polessa. Estou há 15 anos casado com a Kika Lopes (figurinista e cineasta), que trouxe um filho já pronto para nosso casamento, o Tiago. A Dina Sfat é mãe das minhas três filhas: a Bel, a Ana e a Clara Kutner. Fiquei com ela por 14 anos. Dina era judia. Ela não frequentava as tradições, mas as tradições sempre a frequentaram. Então, também fui judeu por 14 anos. Meu quarto filho, o Paulo Henrique, é filho de Bethy Caruso.Como o filho, ela mora em São Paulo. Sempre estive com alguém. Gosto muito do casamento. Tanto que me casei quatro vezes.

Com a minha profissão também é assim. Estou sempre envolvido. Nunca parei de trabalhar. Nos últimos 20 anos, dirigi dez peças, participei de 19 filmes e 18 programas de TV, entre séries e novelas. Dirigi mais de 200 comerciais. Em todos esses trabalhos, o Parkinson estava lá. Ele tem sido meu companheiro de palco, de estúdio, de vida. Para atuar, fico extremamente calmo. Sei as falas, o que vai acontecer e tenho serenidade para encontrar soluções para quando fico com a mão boba. Todos os dias faço duas sessões de fisioterapia, aulas de voz, toco piano para exercitar os dedos, nado e tomo remédios, muitos, cinco vezes ao dia. Além do controle dos movimentos, minha luta agora é para preservar a voz, que já me rendeu um bocado de grana, mas está um lixinho.

No ano que vem, estarei na próxima novela de Manoel Carlos. Vai me ocupar de fevereiro a setembro. Ainda neste ano tenho alguns projetos para finalizar. Estou reescrevendo o curso de direção e atuação que criei na Globo em 1998. Sigo em breve para o Rio Grande do Sul com a peça que dirigi, Murro em ponta de faca. E trabalho na seleção de narrações para um audiolivro de poesias. Hoje, esses projetos são suficientes para me manter ocupado e não pensar na marvada.

O mais importante é que nunca deixei de ser bobo. Para citar nossa escritora (Clarice Lispector): “Ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar e, portanto, estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo nem sabe que venceu. É quase impossível resistir ao excesso de amor que o bobo provoca… O bobo é capaz de excesso de amor e só o amor faz o bobo”.

Fonte: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2013/12/bcarrego-o-parkinsonb-no-palco-e-na-vida-ha-20-anos.html


Caminhada pode amenizar sintomas da doença de Parkinson



Caminhadas regulares podem melhorar funções motoras, humor, cansaço, condicionamento físico e alguns aspectos das habilidades mentais de pessoas com doença de Parkinson, em gradação leve a moderada. A constatação foi obtida em estudo realizado por pesquisadores da Universidade Iowa, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Neurology.

De acordo com a pesquisa, uma caminhada rápida melhora a função motora e o humor em 15%, a atenção em 14% por cento, reduz o cansaço em 11% e aumenta o condicionamento físico e aeróbico em 7%. No teste de função motora, os participantes melhoraram a uma média de 2,8 pontos, que é considerado uma diferença clinicamente importante.

Portanto, o estudo indica que pessoas que possuem a doença, em gradação leve a moderada, que não têm demência e são capazes de caminhar de forma independente, podem seguir as orientações de exercícios recomendados para adultos saudáveis com segurança o que, segundo os pesquisadores, inclui 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada.

Fonte: SBGG - Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Marcha Parkinsoniana



Marcha em pequenos passos, marcha festinante ou marcha em bloco - encontrada nos pacientes com Parkinson (trato extrapiramidal). O paciente tem dificuldade para iniciar a marcha e após seu início ela segue com pequenos passos mas em velocidade mais rápida. O tronco fica inclinado para frente e é grande o risco de quedas por perda de equilíbrio.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

11 de Abril - Dia Mundial da Doença de Parkinson


Hoje, dia 11 de abril é celebrado o Dia Mundial da doença de Parkinson. A data foi escolhida em referência ao nascimento do médico inglês James Parkinson, responsável pela primeira descrição da doença em 1817.

A doença de Parkinson é uma afecção do sistema nervoso central que acomete principalmente o sistema motor. É uma das condições neurológicas mais freqüentes e sua causa permanece desconhecida. As estatísticas disponíveis revelam que a prevalência da doença de Parkinson na população é de 150 a 200 casos por 100.000 habitantes e a cada ano surgem 20 novos casos por 100.000 habitantes. Os sintomas motores mais comuns são: tremor, rigidez muscular, acinesia e alterações posturais. Entretanto, manifestações não motoras também podem ocorrer, tais como: comprometimento da memória, depressão, alterações do sono e distúrbios do sistema nervoso autônomo.

Estima-se que hoje existam cerca de 200.000 pessoas com Parkinson no Brasil.

Participe da Campanha Viva bem com Parkinson entre os dias 10 e 14 de abril






Venha nos visitar no Shopping Eldorado e conheça como é possível conviver com a doença, levando uma vida participativa na sociedade. Sua presença será a maior contribuição para nós.
A Campanha Viva bem com Parkinson tem o propósito de conscientizar a população e mostrar que é possível conviver de uma maneira saudável com a doença. A semana escolhida para isso é a que marca o Dia Mundial da doença Parkinson. De 10 a 14 de abril você é nosso convidado para conhecer algumas histórias de parkinsonianos, que irão demonstrar como é o seu dia a dia, por meio de uma casa de vidro, instalada no Shopping Eldorado.
No Brasil, há aproximadamente 200 mil pessoas que são portadoras de Parkinson, de acordo com estimativas do Ministério da Saúde. Apesar da doença não ter cura, um paciente pode ter um ciclo de vida normal. Um parkinsoniano pode realizar tarefas rotineiras e recomenda-se que ele participe de atividades recreativas, seja estimulado a praticar esportes, participar de terapias ocupacionais e fisioterápicas. Participe e contribua para que mais pessoas tenham acesso à Campanha Viva bem com Parkinson.

Quando: De 10 a 14 de abril de 2012.
Onde: Shopping Eldorado – A. Rebouças, 3.970, Pinheiros – SP.
Horários: 12h00 às 13h00 e 18h00 às 19h00


segunda-feira, 12 de março de 2012

Musculação atenua sintomas da doença de Parkinson, diz estudo


Um estudo que será apresentado em encontro da Academia Americana de Neurologia em abril aponta que a prática de levantar peso atenua os danos à coordenação motora provocados pela doença de Parkinson.

O teste clínico realizado por uma equipe da Universidade de Illinois, na cidade de Chicago, levou em conta as melhorias da atividade física em portadores da doença, acompanhados durante dois anos pelos pesquisadores.

No trabalho, foram comparados os efeitos da musculação com outras formas de exercício, como alongamentos e técnicas de equilíbrio em 48 pacientes. Cada grupo de participantes se exercitou durante uma hora, duas vezes por semana, durante todos os 24 meses de estudo.

Os sintomas comuns à doença como rigidez no corpo e tremores foram medidos usando uma escala criada por especialistas (UPRDS, na sigla em inglês), que avalia a evolução da doença em seis, 12, 18 e 24 meses. As medidas foram feitas em épocas nas quais os pacientes não estavam tomando as medicações para controlar a doença degenerativa.

Tanto exercícios de equilíbrio e alongamento quanto musculação mostraram melhora na coordenação motora após seis meses, mas aqueles que levantaram pesos tiveram aumento de 7,3 pontos na escala UPRDS após os dois anos.

No período, aqueles que estavam fazendo somente exercícios de alongamento e de equilíbrio regrediram e voltaram ao estágio de coordenação que apresentavam no começo da experiência.

Os responsáveis pela pesquisa acreditam que a prática de exercícios de musculação pode ser benéfica para pacientes com Parkinson no longo prazo, mas estudos posteriores ainda são necessários.