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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Caminhada pode amenizar sintomas da doença de Parkinson



Caminhadas regulares podem melhorar funções motoras, humor, cansaço, condicionamento físico e alguns aspectos das habilidades mentais de pessoas com doença de Parkinson, em gradação leve a moderada. A constatação foi obtida em estudo realizado por pesquisadores da Universidade Iowa, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Neurology.

De acordo com a pesquisa, uma caminhada rápida melhora a função motora e o humor em 15%, a atenção em 14% por cento, reduz o cansaço em 11% e aumenta o condicionamento físico e aeróbico em 7%. No teste de função motora, os participantes melhoraram a uma média de 2,8 pontos, que é considerado uma diferença clinicamente importante.

Portanto, o estudo indica que pessoas que possuem a doença, em gradação leve a moderada, que não têm demência e são capazes de caminhar de forma independente, podem seguir as orientações de exercícios recomendados para adultos saudáveis com segurança o que, segundo os pesquisadores, inclui 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada.

Fonte: SBGG - Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Cérebro com sono ignora metade do mundo - matéria Revista Nature


Um novo estudo sugere que o sono altera nossa capacidade cognitiva da mesma forma que uma lesão cerebral


Você já ouviu falar de negligência hemiespacial ou unilateral? É uma síndrome causada por lesão cerebral que faz com que o paciente acabe perdendo a noção de um lado de seu corpo (e do espaço ao redor dele). Em casos extremos, por exemplo, a pessoa pode comer a comida de apenas um lado o prato, ou vestir apenas uma parte de seu corpo – tudo porque, aparentemente, ela não consegue prestar atenção no outro lado.

E na semana passada foi publicada uma pesquisa que sugere que, quando estamos com sono, acabamos agindo de forma parecida. Cientistas pediram que voluntários relaxassem em uma poltrona dentro de uma sala escura. Enquanto os participantes ficavam com sono, eletrodos transmitiam os padrões de suas ondas cerebrais para equipamentos capazes de medir o tempo de reação das pessoas. Com isso, era possível determinar quando o participante estava ficando sonolento. A partir desse momento, sons eram feitos do lado direito ou esquerdo do participante – que deveria apertar um botão correspondente a esquerdo ou direito assim que ouvisse o barulho, indicando sua localização.

Quanto mais sonolentos os voluntários ficavam, menos alertas eles estavam em relação a sons tocados em sua esquerda. “A pesquisa é empolgante. Sugere que nosso cérebro com sono se comporta como o cérebro de um paciente com lesão, que passou por um derrame, por exemplo”, conta o neurologista da Universidade de Oxford, Masud Husain.”Os resultados também indicam que os mecanismos cruciais do cérebro, que indicam a localização, interagem com os processos que nos mantêm alertas”, afirma.

Além de ajudar pesquisadores a entender melhor a negligência hemiespacial, o estudo também pode mostrar como os nossos níveis de consciência variam durante o sono.

Abaixo o link da pesquisa (em inglês):

http://www.nature.com/srep/2014/140528/srep05092/full/srep05092.html

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Hidrocefalia em adultos

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Diagnóstico precoce e tratamento correto podem curar e devolver qualidade de vida ao paciente e seus familiares

Hidrocefalia em adultos

Deficiência progressiva da memória, instabilidade para caminhar e dificuldade para reter a urina. Às vezes tidos como problemas “normais” em idosos, essas manifestações devem ser encaradas como alerta para a busca de ajuda médica: a presença dos três sintomas juntos pode indicar a hidrocefalia, doença altamente limitante provocada pelo aumento de líquido cefalorraquidiano (liquor) nas cavidades cerebrais chamadas ventrículos.

No Brasil há aproximadamente 11 mil novos casos em adultos por ano, atingindo igualmente homens e mulheres, principalmente a partir dos 65 anos. Mas, considerando que a doença é subdiagnosticada, o número é provavelmente maior.

A hidrocefalia ocorre quando o liquor, que circula pelo cérebro atuando como um sistema de proteção, não consegue ser reabsorvido. Normalmente, há cerca de 250 ml desse líquido circulando e sendo reabsorvido pelo cérebro de um indivíduo adulto, quantidade que se refaz em média três vezes por dia. Diferentemente da hidrocefalia infantil, em que ocorre a expansão da cabeça porque ainda não há consolidação óssea da caixa craniana, no adulto o liquor não reabsorvido acumula-se nos ventrículos, comprimindo estruturas cerebrais importantes e causando os três sintomas.

A hidrocefalia pode ocorrer pelo excesso de produção de liquor, causado por fatores como traumas cranianos, acidente vascular cerebral (AVC), tumores cerebrais, cirurgias cerebrais prévias e hemorragia das meninges. Também pode ser provacada quando há oclusão dos aquedutos (canais por onde circula o liquor), seja por defeito congênito ou por tumores - são casos mais raros e podem acometer pessoas de todas as idades.

A grande maioria das ocorrências de hidrocefalia em adultos idosos, porém, está associada à incapacidade do cérebro de reabsorver adequadamente o liquor, por razões ainda desconhecidas. É denominada Hidrocefalia de Pressão Normal Idiopática (sem causa definida), porque apesar do aumento dos ventrículos, a pressão do liquor é normal.

A hidrocefalia sem causa definida é também a de diagnóstico mais complexo, pois a tríade de sintomas característicos da doença (comprometimento de memória e/ou funções cognitivas, marcha irregular e incontinência urinária) está presente em outras doenças do idoso. "Mais de 90% dos pacientes que apresentam a tríade de sintomas têm hidrocefalia", diz o dr. Reynaldo André Brandt, neurocirurgião do Einstein e presidente da mesa diretora da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

“Trata-se de uma doença extremamente limitante. O paciente não consegue se locomover e fica preso ao leito, com incontinência que favorece infecções urinárias de repetição", observa o dr. Ivan Hideyo Okamoto, neurologista do Einstein.

Diagnóstico

O diagnóstico de hidrocefalia é feito pela história clínica e por exames de imagem que mostram os ventrículos aumentados. Quando há suspeita de HPNI, é realizado o teste terapêutico denominado Tap-Test. Inicialmente, o paciente passa por avaliação da memória cognitiva e por testes de marcha. No outro dia é submetido à punção de cerca de 30 ml de liquor retirado da coluna vertebral, o que reduz temporariamente a retenção nos ventrículos.

Os testes são repetidos após a punção. Se o paciente mostrar melhora nas funções que estavam afetadas, a HPNI fica caracterizada. "O Tap-Test é importante para a confirmação diagnóstica, pois aumenta a segurança na indicação de um procedimento cirúrgico para pacientes de mais idade", explica o dr. Okamoto.

O Einstein foi a instituição pioneira na aplicação do Tap-Test de forma sistematizada e sem a necessidade de internação. O paciente passa pela avaliação neuropsicológica e pelo teste de marcha e, no dia seguinte, retorna para ser submetido à punção do liquor. Alguns minutos depois é reavaliado para verificar se a resposta à punção foi positiva. "Fazer a reavaliação logo após a punção melhora significativamente a precisão do exame, já que o liquor pode voltar a se acumular nos ventrículos em cerca de duas horas", destaca o dr. Brandt.

Cirurgia eficaz e segura

A cirurgia de derivação ventrículo-peritoneal (DVP) é a indicação preferencial para o tratamento da hidrocefalia. Trata-se de um procedimento adotado já há muitas décadas com índices de eficácia e segurança superiores a 80%. Consiste na colocação de um cateter no ventrículo cerebral, ligado a uma válvula e a outro cateter, implantado na altura do pescoço e que chega até a cavidade peritoneal, na região do abdômen.

A válvula tem a função de regular o fluxo, abrindo toda vez em que há aumento dos ventrículos e drenando o excesso de liquor - levado através do cateter até a cavidade peritoneal. Os sintomas desaparecem por completo logo após o procedimento e os índices de recidiva são extremamente baixos.

O avanço da tecnologia possibilitou a criação de válvulas reguláveis que, caso seja necessário, podem ser ajustadas sem procedimentos invasivos. Antes delas qualquer problema nas válvulas exigia que fossem substituídas com a realização de nova cirurgia.

A frequente confusão dos sintomas da hidrocefalia com os de doenças como Alzheimer retarda e, muitas vezes, impede a detecção da doença. Mas, com diagnóstico precoce e tratamento correto, a hidrocefalia pode ser completamente curada, resgatando a qualidade de vida do paciente e de sua família.

Fonte: Dr. Ivan Okamoto, neurologista - CRM:62356 e Dr. Reynaldo André Brandt, neurocirurgião - CRM: 13760​

Fonte: Einstein.com.br

terça-feira, 30 de agosto de 2011

AVE - Acidente Vascular Encefálico

Pra entender um pouco mais o que houve com o técnico Ricardo Gomes.
 
No Brasil, o AVE - acidente vascular encefálico (também chamado AVC - acidente vascular cerebral e popularmente conhecido como derrame) já provocou 84.068 internações no 1º semestre de 2011 e é considerado a maior causa de internações e morte no Brasil, segundo a Academia Brasileira de Neurologia. Acontece quando uma área do cérebro deixa de exercer as suas tarefas corretamente por conta de uma alteração no recebimento de sangue.
Quando existe um entupimento nos vasos do cérebro (AVE isquêmico), uma parte do órgão pode deixar de receber sangue. A falta de nutrientes nesse local leva à morte das células. Esse tipo de AVE responde por 80% dos casos e apresenta maior taxa de sobrevida, podendo deixar sequelas motoras e/ou neurológicas.
No caso de Ricardo Gomes, o AVE foi do tipo hemorrágico, ou seja, com vazamento de sangue causado por um rompimento de um dos vasos do cérebro. A hemorragia pode acontecer tanto em uma região profunda (central) do cérebro como na periferia.
Este tipo de vazamento representa apenas um quinto dos casos de AVE em geral e a maioria deles acontece na região mais interna do cérebro. Quando ocorrem na periferia do órgão (subaracnoide), 80% são causados por aneurismas. De maior complexidade, geralmente tem prognóstico mais reservado e menor taxa de sobrevida devido a gravidade.
"A mortalidade mundial por aneurisma é de 42% para os casos de AVC hemorrágico. Se for um AVC por crise hipertensiva, a taxa é de 32%", alerta o especialista Mirto Nelso Prandini, neurologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

AVC 1 (Foto: Arte/G1)

Pressão no crânio
Com o sangue derramando ao redor da área do vazamento, a pressão dentro do crânio aumenta. Com isso, células do cérebro podem morrer e o coração começa a ter dificuldade para enviar sangue com oxigênio para o local.
"Isso é ruim, pois quanto mais pressão, menos sangue entra nos lugares certos. Há a isquemia (falta de oxigênio) nos tecidos, o coração não tem mais força para bombear mais", explica o médico.
O sangue que vaza forma imediatamente um hematoma. O coágulo formado fora do vaso é uma defesa do corpo para conter o vazamento. “Ele ocorre fora do vaso, é diferente do entupimento dentro do vaso. Com o tempo o organismo pode absorver o coágulo e eliminá-lo”, explica Jamary Oliveira Filho, coordenador do Departamento de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia e professor da Universidade Federal da Bahia.
As hemorragias na região temporal (lateral) do cérebro são mais preocupantes quando ocorrem no lado esquerdo, já que existem chances de sequelas na fala e na compreensão. “O paciente passa a não entender o que dizem para ele, existe uma dificuldade de comunicação”, explica Jamary. Caso ocorra no lado direito, pode ocorrer alteração na visão.

"Tempo é cérebro"
Quem sofre um AVC costuma se queixar de dores de cabeça fortes, que chegam de repente. Muitas vezes um dos lados do corpo da pessoa pode ficar paralisado – é comum notar como a boca entorta ou como braços e pernas ficam fracos. Às vezes, o paciente também pode relatar perda de visão ou dificuldade para enxergar.
A partir dos primeiros sintomas, a ajuda médica deve ser buscada imediatamente. “Tempo é cérebro”, diz Jamary. “Se o atendimento for rápido, o indivíduo pode ter uma recuperação rápida, até mesmo sem sequelas.”
Para Félix Pahl, médico do Núcleo de Neurologia e Neurociência do Hospital Sírio-Libanês, a rapidez também vale para as cirurgias, quando necessárias. "O importante é que o tratamento seja o mais precoce possível e, em algumas situações, é preciso operar rápido."

Tratamento
O tratamento inicial inclui cirurgia em alguns casos e medicamentos que deverão ser tomados conforme prescrição médica e por tempo prolongado. Desde o início do tratamento, ainda no leito da UTI, a fisioterapia se faz necessária, estendendo-se para os cuidados domiciliares. O tratamento de reabilitação visa restabelecer o máximo possível, uma função perdida, evitar deformidades em articulações, reeducação de mobilidade nas atividades funcionais básicas (mudanças de decúbito, sentar e transferências), promover a conscientização corporal, estimulando o máximo possível o lado plégico (paralisado), melhora do equilíbrio em pé e reeducação da marcha, independência física, ou em casos irreversíveis, adaptar o paciente em suas novas limitações. É importante saber, que a recuperação deste paciente dependerá não só do tipo e extensão da lesão, mas também da colaboração e entendimento do indivíduo.
A terapia da aspirina (81 mg por dia ou 100 mg a cada dois dias) é recomendada para prevenção de AVCs em todos os homens que têm fatores de risco e em mulheres abaixo de 65 anos que têm risco, desde que os benefícios superem os riscos.


Fonte: http://www.g1.com/
Ação AVC, Academia Brasileira de Neurologia.