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segunda-feira, 2 de março de 2015

A Revolução da Longevidade com Alexadre Kalache - Café Filosófico TV Cultura


Quando é que a gente vai morrer? Essa é a pergunta que ninguém gostaria de responder. mas encará-la nos ajuda a planejar como é que a gente vai viver.  A boa notícia é que  a expectativa de vida cresce no brasil. teremos mais anos para viver, teremos tempo de envelhecer… Esse aumento na linha de vida, muda a composição das famílias. já não nascem tantas crianças e o número de pessoas que chegam à velhice aumenta cada vez mais. Nos retratos familiares, aparecem mais avós e menos netos.

Neste café filosófico, Alexandre Kalache, médico e estudioso da velhice, fala sobre a revolução da longevidade e como ela transforma o nosso jeito de ver e planejar a vida. Gravado em 20 de setembro de 2013.



E você, está se preparando para a velhice ou vai se deixar surpreender? - Palestra com Dr. Alexandre Kalache - Café Filosófico CPFL

Café Filosófico CPFL - gravado em Março de 2014.

Existe hoje um novo marco politico do envelhecimento ativo. estamos preparados individualmente e socialmente para a velhice?
Segundo o médico Alexandre Kalache, a velhice pode ser maravilhosa, uma vez que já não temos mais as pressões de construir uma carreira, criar filhos, dar conta de mil tarefas e demandas… Desde que você tenha boa saúde, renda suficiente, conhecimentos, apoio familiar e amigos, o tal do capital social.
Mas pode também ser uma etapa da vida com solidão, sofrimento, inseguranças. portanto, é fundamental se sentir protegido e amparado. mas no brasil a prevenção deixa a desejar.
Segundo Kalache, é necessário o desenvolvimento de uma cultura do cuidado, pois estamos sofrendo uma “síndrome da insuficiência familiar” e precisamos melhorar nossas relações intergeracionais.

Pesquisa contribui para índices menores de fragilidade na velhice

Quanto menor o nível educacional, pior é o desenvolvimento cognitivo e o estado físico do indivíduo.  E quanto maior a reserva neurológica – obtida por meio leitura, jogos e até mesmo palavras cruzadas, que ajudam a aumentar a atividade cerebral e a formar conexões neuronais – menor é a chance de demência. Este é o resultado das primeiras fases do projeto Fragilidade em Idosos Brasileiros (Fibra), realizado no Rio de Janeiro, e coordenado por Roberto Alves Lourenço, da FAPERJ. 




Países em desenvolvimento, como o Brasil, estão vendo crescer a expectativa de vida de sua população, que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu de 71,9 para 74,9 anos entre 2003 e 2013. “Estamos vivendo um processo de envelhecimento populacional importante, que tem sido muito acelerado no País”, afirma Roberto Alves Lourenço, geriatra e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Mas se, por um lado, a população vive mais, por outro, esse processo faz aumentar a incidência das doenças associadas ao envelhecimento. Observando isso, o projeto Fragilidade em Idosos Brasileiros (Fibra), realizado em todo o território nacional e coordenado por Lourenço no Rio de Janeiro, procura analisar como anda a saúde dos idosos fluminenses. Para isso, ele contou com subsídios do programa de Apoio a Projetos de Extensão e Pesquisa (ExtPesq), da FAPERJ.

“Envelhecer significa perder reserva funcional, massa muscular e agilidade. O envelhecimento começa aos 40 anos e geralmente por volta dos 65 anos, essa perda de reserva já percorreu um caminho importante”, explica. Por isso mesmo, o Fibra promove avaliações clínicas para que se consiga perceber os quadros de fragilidade antes mesmo que eles se manifestem. Para isso, o Fibra, que está sendo desenvolvido no Serviço de Geriatria Professor Mario A. Sayeg, da Policlínica Piquet Carneiro, da Uerj, analisa três fatores relacionados ao envelhecimento: prevalência da fragilidade e dos seus fatores associados; prevalência da demência e de seus fatores associados; e prevalência da perda de massa muscular e de seus fatores associados.

No Rio de Janeiro, foram avaliados pelo projeto 847 voluntários, acima de 65 anos, residentes da Zona Norte, escolhidos aleatoriamente pela equipe. Na primeira fase da pesquisa, realizada em 2009, os médicos visitaram cada um dos selecionados e os submeteram a um questionário para avaliar-lhes a aptidão mental e a alguns testes físicos, como o de velocidade de marcha.

“Nesse teste, o idoso teria que caminhar 4,6 metros, com o tempo cronometrado. Assim como o teste de força de pressão manual, em que se mede a força do indivíduo num aparelho chamado dinamômetro, a média de velocidade alcançada pode servir como indicador de importantes desfechos de saúde para o indivíduo”, explica Lourenço. E acrescenta: “Da mesma forma, quanto mais lenta e mais fraca a pressão manual, maiores são as chances de cair, de ser internado, e maiores os índices de mortalidade.”

De acordo com o resultado dos testes, o pesquisador e sua equipe indicaram aos idosos mais frágeis uma dieta rica em proteínas e aminoácidos e exercícios físicos para o fortalecimento muscular. “Nunca é tarde para a prática de exercícios; na velhice, eles são imprescindíveis para a saúde.” Nessa primeira fase, também foi avaliada a funcionalidade, ou seja, a capacidade de o idoso se alimentar sozinho, se locomover e realizar atividades corriqueiras no dia a dia.

O resultado dessa primeira fase indicou que o índice de prevalência de fragilidade física entre o grupo estudado foi de 9,2% e que esse índice está associado à escolaridade; quanto menor o nível educacional, pior é o desenvolvimento cognitivo e o estado físico do indivíduo. “Isso acontece porque esse baixo nível educacional geralmente está associado a piores condições socioeconômicas, a piores condições de moradia, de trabalho, de alimentação e à falta de tempo para a prática de exercícios físicos.”

A segunda fase do teste, realizada em 2011 na mesma clínica da Uerj, analisou a prevalência de demência no grupo selecionado. Testes cognitivos complexos, avaliados por neuropsicólogos e geriatras, analisaram o estado mental dos voluntários. No resultado, 16,9% dos idosos mais velhos e com menor escolaridade apresentaram pior desempenho. “Uma das hipóteses é que quanto maior a reserva neurológica – obtida por meio de estímulos culturais, como leitura, jogos e até mesmo palavras cruzadas, que ajudam a aumentar a atividade cerebral e a formar conexões neuronais – menor é a chance de demência. A interação social também ajuda muito”, acrescenta o pesquisador.

Os resultados da terceira fase do teste, para avaliação de perda de massa muscular, realizada em 2014, serão divulgados em meados de 2015, em dissertações de mestrado, teses de doutorado e em artigos de importantes revistas científicas, nacionais e internacionais. “Esperamos que o conhecimento proporcionado pelos resultados de nosso projeto de alguma forma contribua para que o aumento da expectativa de vida seja acompanhado de qualidade de vida, com índices de fragilidade cada vez menores”, finaliza Lourenço.


Fonte: FAPERJ: http://www.faperj.br/?id=2856.2.9

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Curso de Extensão da PUC - Fragilidades na Velhice: gerontologia social e atendimento

As inscrições para este curso, de 40 horas, estão abertas até o dia 11 de fevereiro. O curso tem duração de 3 meses e será realizado aos sábados, das 9 às 13 horas, de 21 de março a 13 de junho de 2015, em São Paulo, sob a coordenação da Profa. Dra. Beltrina Côrte.

O curso de extensão “Fragilidades na Velhice: gerontologia social e atendimento”, promovido pelo Programa de Pós em Gerontologia da PUC-SP visa fornecer instrumentos e referenciais analíticos para qualificar profissionais que trabalham, ou pretendem trabalhar, junto ao segmento idoso com subsídios teóricos, filosóficos e psicológicos. Referenciais que são de fundamental importância para o aprimoramento do atendimento da demanda crescente que acompanha o envelhecimento da população brasileira.

A estrutura didática do curso está dividida em 4 módulos. O primeiro, Envelhecimento e Velhices na Contemporaneidade, trata de questões relevantes do nosso mundo contemporâneo e da longevidade,  desde direitos, políticas, organização social, até o exercício de cidadania. O segundo módulo, Bioética, Longevidade e Envelhecimento, introdução os discursos sobre como e porque envelhecemos, bioética, o corpo como dispositivo de controle, e a eutanásia e distanásia. O terceiro módulo aborda a Atenção Multidisciplinar à Saúde do Idoso, desde os aspectos fisiológicos e patológicos do envelhecimento até as Intervenções multidisciplinares domiciliares e em instituições. E, o último módulo, o quarto, reflete sobre o Atendimento Psicogerontológico às Velhices Fragilizadas.

Há que se lembrar que no Brasil, o alto crescimento da população idosa é um dado significativo que deve ser avaliado não só pelo Estado, por meio de políticas específicas para os que envelhecem, mas pela sociedade como um todo. Daí a importância da qualificação.

Profissionais que trabalham com idosos, portadores de graduação nas áreas de psicologia, gerontologia, serviço social, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, medicina, direito, educação e interessados no tema que possuam diploma de graduação.


Turmas e Horários

Início: 21 de março de 2015

Término: 13 de junho de 2015

Dia da semana: sábados

Horário: das 9h às 13h


Local

O curso será realizado no campus da Vila Mariana, localizada na Rua Afonso Celso, 671/711 -
Vila Mariana - São Paulo/SP - CEP: 01303-050.


Informações

Maiores informações, inscrições e matrículas devem ser realizadas no atendimento do Campus Consolação – Unidade COGEAE, na Rua da Consolação, 881 - Consolação - São Paulo/SP. Telefone: (11) 3124-9600.

Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 12h às 20h30, e aos sábados, das 8h às 12h30. Central de atendimento telefônico: de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 8h às 13h


Inscrições e mais informações:
http://www.pucsp.br/pos-graduacao/especializacao-e-mba/fragilidades-na-velhice-gerontologia-social-e-atendimento#apresentacao


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Gerontofobia - você conhece?

O medo de envelhecer pode ser um problema. Entenda a gerontofobia

O envelhecimento faz parte do desenvolvimento do ser humano. Porém, para algumas pessoas, estar perto de idosos ou identificar em si mesmo marcas de que o tempo está passando –como rugas– pode ser assustador. A gerontofobia caracteriza a rejeição à velhice e, consequentemente, aos que que estão passando por ela.

De acordo com Marcelo Betinardi, psiquiatra do Instituto Abuchaim, em Porto Alegre (RS), os motivos que levam a essa recusa variam muito, já que dependem das experiências do indivíduo com a velhice e de como o idoso é tratado por quem está a sua volta ao longo dos anos.

“Um dos temores do ser humano é a morte, e a velhice é um prenúncio dela. Ao ver esse estágio da vida se aproximar, a pessoa percebe que há finitude e começa a negá-la, tentando não deixar que isso aconteça com ela, seja com exercícios físicos ou cirurgias plásticas, por exemplo”, diz.

Ainda, sem registro no CID-10 (Classificação Internacional das Doenças), a gerontofobia não é considerada diagnóstico. No entanto, é possível percebê-la na conduta do indivíduo.

“Chamamos de fobia porque é um medo excessivo e desproporcional ao risco oferecido por tal coisa. No caso, o envelhecimento. Pessoas que discriminam idosos, que estão preocupadas demais com a aparência, adultos que se comportam como jovens são exemplos. É claro que não podemos generalizar, pois um conjunto de fatores é que vai determinar se o que você tem é gerontofobia ou não”, explica Dinah Akerman, psiquiatra pela USP (Universidade de São Paulo).

A psicanalista e membro da SBPRJ (Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro) Maria Cristina Amendoeira cita o romance “O Retrato de Dorian Gray” (1890), de Oscar Wilde, para explicar esse temor: na história, um retrato do protagonista “envelhece”, enquanto o próprio Dorian Gray se mantém jovem.

“Não existe uma idade para despertar esse sentimento, que é inconsciente. Mas, a partir de certos momentos, quando começamos a perder pessoas próximas ou mesmo quando vemos nossos pais envelhecerem, e isso significa o nosso próprio envelhecimento, nos deparamos com o fim da ilusão de que a vida é eterna. Muitas pessoas não sabem lidar com as mudanças que cada fase traz, começam a pensar de forma fixa em como será a sua velhice, e é aí que está o problema”, fala.

A psicoterapeuta Maura de Albanesi diz que, apesar de não existir uma idade certa para a fobia se manifestar, alguns acontecimentos podem influenciar.

“Não é regra, claro, mas mulheres que estão perto dos 30 anos e ainda não casaram ou tiveram filhos começam a se achar velhas. Já para os homens, esse sentimento vem pelo lado profissional, quando não conseguem o status desejado. O que as pessoas precisam entender é que o que conta é o estado de espírito de cada um. Precisamos nos sentir ativos, sempre com algo a oferecer e compartilhar, seja com 30, 60 ou 90 anos”.

Assim como a maioria dos traumas e doenças psicológicas, o medo de envelhecer também só é caracterizado como um problema quando existe prejuízo psicossocial progressivo. Ou seja, quando a preocupação em ficar velho atrapalha a vida e prejudica o indivíduo.

Segundo os especialistas, o estigma ligado às pessoas mais velhas está diretamente relacionado à gerontofobia. “Basta observar como os idosos são tratados nas diversas partes do mundo. No oriente ou em tribos indígenas, por exemplo, são sábios; já no ocidente, são vistos como pessoas que dão trabalho, lentas…Isso tudo gera recusa porque ninguém que passar por isso”, diz Betinardi.

Diante de um cenário de medo de chegar à terceira idade, é preciso observar que, além de ser uma etapa do ciclo da vida, entrar na velhice traz mudanças, assim como qualquer outra passagem, como, por exemplo, da infância para adolescência, e assim por diante.

“A primeira vantagem que devemos perceber é que se chegamos à velhice, é porque estamos vivos. Todos os momentos de passagem têm coisas boas e ruins. O envelhecimento traz questões para serem vividas, afinal, você, muitas vezes, abre mão de espaço no trabalho para pessoas mais jovens, aprende a valorizar outros aspectos mais nobres do dia a dia e a cultivar mais as relações afetivas. E tudo isso só traz qualidade de vida”, fala Maria Cristina. “É preciso saber envelhecer”, completa.

Não deixe esse medo chegar

A psicóloga do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP), Lara Souza, aconselha a não pular fases da vida. Com isso, você evita a angústia de sentir saudade de algo que não viveu.

“Se você não vive plenamente cada momento, pode querer retornar e desenvolver um medo por não conseguir, afinal, aquele tempo já passou”, afirma.

Para tratar a gerontofobia, não existe remédio. A terapia ajuda, mas existem ações práticas para entender e ver esse temor longe de você.

“Envelhecer não significa adoecer. Desde cedo, é preciso colocar crianças e jovens em convívio com as outras idades para perceberem que é uma coisa natural. Muitos jovens vivem como se nunca fossem ficar velhos. Essa convivência com as outras gerações também mantém o idoso ligado aos acontecimentos atuais e faz parte de um envelhecimento sadio”, explica Maria Cristina.



Fonte: Coisa de Velho

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Vídeo: THE MIRROR - A jornada da infância à velhice no espelho do banheiro

O vídeo a seguir mostra a trajetória da vida de um menino desde a infância até a velhice. E tudo é mostrado através do espelho do banheiro.





quinta-feira, 17 de julho de 2014

Vídeo: Sentir-se jovem - Juca Chaves


Poesia: A Velhice - Olavo Bilac


Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...

O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres da fome e de fadigas:
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo. Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,

Na glória de alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Salsa Espetacular! - Idosa de 79 anos mostra suas habilidades no Britain´s Got Talent - vídeo

Um verdadeiro show que mostra as novas possibilidades na velhice.
Paddy tem 79 anos e decidiu se inscrever no programa “Britain’s Got Talent” para uma apresentação de dança.

Confira!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Dia 1º de outubro - Dia do Idoso


Hoje, dia 01 de outubro celebra-se o dia do idoso, mesmo dia em que no Brasil, há dez anos, foi criado o estatuto do idoso.
Que todos os idosos sejam tratados com carinho, respeito e dignididade não apenas hoje, mas todos os dias.
E que todos entendam o envelhecimento como um processo natural da vida de qualquer ser humano.


FELIZ DIA DO IDOSO!!!





segunda-feira, 20 de maio de 2013

Dica de Filme: E Se Vivêssemos Todos Juntos?


Um ótimo filme! Assisti ontem e já estou postando aqui como indicação. Para pensar no envelhecimento, na velhice, nas relações interpessoais, nos pré-conceitos e na sexualidade... Para rir e chorar...
Abaixo o trailler e a sinopse do filme.




Annie (Geraldine Chaplin), Jean (Guy Bedos), Claude (Claude Rich), Albert (Pierre Richard) e Jeanne (Jane Fonda) estão ligados por uma forte amizade que já dura há mais de 40 anos. Assim, quando a memória falha, a velhice mostra sua força e o fantasma da casa de repouso vem assombrá-los, eles decidem viver juntos. O projeto parece loucura, mas a convivência traz velhas lembranças, novas perspectivas e um novo desafio: viver em república com mais de 75 anos.


Título original: Et si on vivait tous ensemble?
Direção: Stéphane Robelin
Gênero: Comédia
País: França
Ano: 2012

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Francês de 100 anos bate recorde no ciclismo ao percorrer 100km





A velhice é encarada como um momento difícil da vida, em que a saúde sofre quedas consideráveis. Porém, sempre existe alguém que não concorda com esse pensamento, e desafia os limites do corpo até causar espanto. É o que fez o francês Robert Marchand, de 100 anos, que se tornou, na última sexta-feira, o centenário mais rápido a percorrer 100km de bicicleta, em um velódromo na cidade de Lyon (França), em 4h17m27s.

Apesar de dores nos braços e nas costas durante o percurso, o senhor de 51kg, que comprou sua primeira bicicleta aos 66 anos, dá o segredo da longevidade.

- Eu sou como todo mundo. Sei que estou chegando ao fim. Mas sou feliz de poder fazer tudo isso. Hoje tenho quase 101 anos e vou continuar a levar essa vida por prazer – disse.

Antes de começar a pedalar, Robert já havia se aventurado no boxe, na ginástica e no halterofilismo. E garante que nunca fumou na vida.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Estudos procuram fórmula para chegar bem aos cem anos



Ela andou de bicicleta até os cem anos, caminhou sozinha até os 115 e fumou até os 117. Costumava comer 1 kg de chocolate por semana e bebeu um copo de vinho por dia até sua morte, aos 122 anos.

A longevidade de pessoas como a francesa Jeanne Calment (1875-1997), a que mais tempo viveu, tem sido estudada por grupos internacionais e foi discutida durante o Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, que terminou no sábado (26) no Rio.

Genes? Dieta? Exercícios? Atitudes positivas? Vida social? A ciência já sabe que a genética responde por até 30% da longevidade.

O resto está associado a estilo de vida e fatores socioambientais, muitos dos quais passíveis de mudanças e adaptações.

Os pesquisadores entendem que a longevidade extrema, acima de 110 anos, é para poucos. Há 70 supercentenários no mundo (65 mulheres e cinco homens). Outros 400 alegam essa condição, mas não têm documentos que a comprovem.

Só no Brasil, já são quase 24 mil centenários, segundo o IBGE. Bahia (3.525), São Paulo (3.146) e Minas Gerais (2.597) são os Estados com a maior concentração.

PREPARO

Na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), um projeto reúne 245 idosos acima de 80 anos, sem queixas específicas, e os prepara para a chegada ao centenário. Ali, fazem exames, adequam medicações e recebem orientações sobre sono, memória, dieta e atividade física.

"Muitos dos nossos pacientes serão centenários a partir deste ano. Estamos avaliando o quanto é possível manter a sobrevida sem incapacidade física, mental, emocional e social", afirma a médica Maysa Seabra Cendoroglo, professora de geriatria e gerontologia da Unifesp.

E é possível viver muito e chegar ao fim com independência? "A busca por essa resposta vem sendo motivo de muitos estudos. As propostas apontam para a necessidade de se manter uma boa dieta, uma atividade física permanente e prolongada e um estímulo cognitivo", explica a médica.

Mas isso adianta mesmo para quem não tenha "bons" genes? "Sim. Pode ser que você não chegue aos cem anos, mas vai chegar aos 80, aos 90, ativo, independente. O que importa é fazer o máximo que eu posso até o finzinho."

Também é possível ser feliz aos cem anos, mesmo com doenças e após a perda de filhos, diz a psicóloga alemã Dagmara Wosniak, que fez um estudo com 56 centenários de Heidelberg. Quase metade deles vivia em instituições e 82% dependiam do auxílio de enfermeiras.

A extroversão, a cognição e uma rede social preservada (família e/ou amigos) foram os fatores mais associados à felicidade nessa fase da vida, segundo ela. "O otimismo aumenta a vontade de viver."

POLíTICAS

O aumento da longevidade também tem levado os especialistas da área a propor abordagens diferentes para cada grupo etário de idosos.

"Um idoso de 65 anos não é o mesmo de um com 80, que não é o mesmo de um de cem. Hoje colocamos tudo no mesmo saco", diz o médico Alexandre Kalache, que já dirigiu o programa de envelhecimento da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Para ele, o Brasil vai mal na execução de políticas que possibilitem um envelhecimento saudável, seja na prevenção de doenças que incapacitam o idoso seja em instrumentos que o protejam e que garantam seus direitos.

Resultados preliminares do estudo Sabe (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento), desenvolvido pela USP, já refletem um cenário nada cor-de-rosa. O trabalho monitora como os idosos de São Paulo estão envelhecendo.

Três grupos acima de 60 anos vêm sendo acompanhados. Um grupo começou a ser seguido em 2000, outro em 2006 e o último, há dois anos.

Segundo a médica Maria Lúcia Lebrão, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, os "novos" idosos parecem estar mais doentes, com menos mobilidade, por exemplo.

"A previsão é que as novas gerações de idosos sejam menos saudáveis. Temos ao nosso favor as novas tecnologias. Mas será que elas trazem mais qualidade de vida?"


http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1096774-estudos-procuram-formula-para-chegar-bem-aos-cem-anos.shtml