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segunda-feira, 2 de março de 2015

Pesquisa contribui para índices menores de fragilidade na velhice

Quanto menor o nível educacional, pior é o desenvolvimento cognitivo e o estado físico do indivíduo.  E quanto maior a reserva neurológica – obtida por meio leitura, jogos e até mesmo palavras cruzadas, que ajudam a aumentar a atividade cerebral e a formar conexões neuronais – menor é a chance de demência. Este é o resultado das primeiras fases do projeto Fragilidade em Idosos Brasileiros (Fibra), realizado no Rio de Janeiro, e coordenado por Roberto Alves Lourenço, da FAPERJ. 




Países em desenvolvimento, como o Brasil, estão vendo crescer a expectativa de vida de sua população, que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu de 71,9 para 74,9 anos entre 2003 e 2013. “Estamos vivendo um processo de envelhecimento populacional importante, que tem sido muito acelerado no País”, afirma Roberto Alves Lourenço, geriatra e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Mas se, por um lado, a população vive mais, por outro, esse processo faz aumentar a incidência das doenças associadas ao envelhecimento. Observando isso, o projeto Fragilidade em Idosos Brasileiros (Fibra), realizado em todo o território nacional e coordenado por Lourenço no Rio de Janeiro, procura analisar como anda a saúde dos idosos fluminenses. Para isso, ele contou com subsídios do programa de Apoio a Projetos de Extensão e Pesquisa (ExtPesq), da FAPERJ.

“Envelhecer significa perder reserva funcional, massa muscular e agilidade. O envelhecimento começa aos 40 anos e geralmente por volta dos 65 anos, essa perda de reserva já percorreu um caminho importante”, explica. Por isso mesmo, o Fibra promove avaliações clínicas para que se consiga perceber os quadros de fragilidade antes mesmo que eles se manifestem. Para isso, o Fibra, que está sendo desenvolvido no Serviço de Geriatria Professor Mario A. Sayeg, da Policlínica Piquet Carneiro, da Uerj, analisa três fatores relacionados ao envelhecimento: prevalência da fragilidade e dos seus fatores associados; prevalência da demência e de seus fatores associados; e prevalência da perda de massa muscular e de seus fatores associados.

No Rio de Janeiro, foram avaliados pelo projeto 847 voluntários, acima de 65 anos, residentes da Zona Norte, escolhidos aleatoriamente pela equipe. Na primeira fase da pesquisa, realizada em 2009, os médicos visitaram cada um dos selecionados e os submeteram a um questionário para avaliar-lhes a aptidão mental e a alguns testes físicos, como o de velocidade de marcha.

“Nesse teste, o idoso teria que caminhar 4,6 metros, com o tempo cronometrado. Assim como o teste de força de pressão manual, em que se mede a força do indivíduo num aparelho chamado dinamômetro, a média de velocidade alcançada pode servir como indicador de importantes desfechos de saúde para o indivíduo”, explica Lourenço. E acrescenta: “Da mesma forma, quanto mais lenta e mais fraca a pressão manual, maiores são as chances de cair, de ser internado, e maiores os índices de mortalidade.”

De acordo com o resultado dos testes, o pesquisador e sua equipe indicaram aos idosos mais frágeis uma dieta rica em proteínas e aminoácidos e exercícios físicos para o fortalecimento muscular. “Nunca é tarde para a prática de exercícios; na velhice, eles são imprescindíveis para a saúde.” Nessa primeira fase, também foi avaliada a funcionalidade, ou seja, a capacidade de o idoso se alimentar sozinho, se locomover e realizar atividades corriqueiras no dia a dia.

O resultado dessa primeira fase indicou que o índice de prevalência de fragilidade física entre o grupo estudado foi de 9,2% e que esse índice está associado à escolaridade; quanto menor o nível educacional, pior é o desenvolvimento cognitivo e o estado físico do indivíduo. “Isso acontece porque esse baixo nível educacional geralmente está associado a piores condições socioeconômicas, a piores condições de moradia, de trabalho, de alimentação e à falta de tempo para a prática de exercícios físicos.”

A segunda fase do teste, realizada em 2011 na mesma clínica da Uerj, analisou a prevalência de demência no grupo selecionado. Testes cognitivos complexos, avaliados por neuropsicólogos e geriatras, analisaram o estado mental dos voluntários. No resultado, 16,9% dos idosos mais velhos e com menor escolaridade apresentaram pior desempenho. “Uma das hipóteses é que quanto maior a reserva neurológica – obtida por meio de estímulos culturais, como leitura, jogos e até mesmo palavras cruzadas, que ajudam a aumentar a atividade cerebral e a formar conexões neuronais – menor é a chance de demência. A interação social também ajuda muito”, acrescenta o pesquisador.

Os resultados da terceira fase do teste, para avaliação de perda de massa muscular, realizada em 2014, serão divulgados em meados de 2015, em dissertações de mestrado, teses de doutorado e em artigos de importantes revistas científicas, nacionais e internacionais. “Esperamos que o conhecimento proporcionado pelos resultados de nosso projeto de alguma forma contribua para que o aumento da expectativa de vida seja acompanhado de qualidade de vida, com índices de fragilidade cada vez menores”, finaliza Lourenço.


Fonte: FAPERJ: http://www.faperj.br/?id=2856.2.9

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Curso de Extensão da PUC - Fragilidades na Velhice: gerontologia social e atendimento

As inscrições para este curso, de 40 horas, estão abertas até o dia 11 de fevereiro. O curso tem duração de 3 meses e será realizado aos sábados, das 9 às 13 horas, de 21 de março a 13 de junho de 2015, em São Paulo, sob a coordenação da Profa. Dra. Beltrina Côrte.

O curso de extensão “Fragilidades na Velhice: gerontologia social e atendimento”, promovido pelo Programa de Pós em Gerontologia da PUC-SP visa fornecer instrumentos e referenciais analíticos para qualificar profissionais que trabalham, ou pretendem trabalhar, junto ao segmento idoso com subsídios teóricos, filosóficos e psicológicos. Referenciais que são de fundamental importância para o aprimoramento do atendimento da demanda crescente que acompanha o envelhecimento da população brasileira.

A estrutura didática do curso está dividida em 4 módulos. O primeiro, Envelhecimento e Velhices na Contemporaneidade, trata de questões relevantes do nosso mundo contemporâneo e da longevidade,  desde direitos, políticas, organização social, até o exercício de cidadania. O segundo módulo, Bioética, Longevidade e Envelhecimento, introdução os discursos sobre como e porque envelhecemos, bioética, o corpo como dispositivo de controle, e a eutanásia e distanásia. O terceiro módulo aborda a Atenção Multidisciplinar à Saúde do Idoso, desde os aspectos fisiológicos e patológicos do envelhecimento até as Intervenções multidisciplinares domiciliares e em instituições. E, o último módulo, o quarto, reflete sobre o Atendimento Psicogerontológico às Velhices Fragilizadas.

Há que se lembrar que no Brasil, o alto crescimento da população idosa é um dado significativo que deve ser avaliado não só pelo Estado, por meio de políticas específicas para os que envelhecem, mas pela sociedade como um todo. Daí a importância da qualificação.

Profissionais que trabalham com idosos, portadores de graduação nas áreas de psicologia, gerontologia, serviço social, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, medicina, direito, educação e interessados no tema que possuam diploma de graduação.


Turmas e Horários

Início: 21 de março de 2015

Término: 13 de junho de 2015

Dia da semana: sábados

Horário: das 9h às 13h


Local

O curso será realizado no campus da Vila Mariana, localizada na Rua Afonso Celso, 671/711 -
Vila Mariana - São Paulo/SP - CEP: 01303-050.


Informações

Maiores informações, inscrições e matrículas devem ser realizadas no atendimento do Campus Consolação – Unidade COGEAE, na Rua da Consolação, 881 - Consolação - São Paulo/SP. Telefone: (11) 3124-9600.

Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 12h às 20h30, e aos sábados, das 8h às 12h30. Central de atendimento telefônico: de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados, das 8h às 13h


Inscrições e mais informações:
http://www.pucsp.br/pos-graduacao/especializacao-e-mba/fragilidades-na-velhice-gerontologia-social-e-atendimento#apresentacao


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Fragility Fracture Network lança novo site


A Fragility Fracture Network (FFN) lançou um novo site - http://www.fragilityfracturenetwork.org. Rede internacional criada em 2011, a FFN é composta por representantes da Inglaterra, Austrália, Brasil, Espanha, Alemanha, Itália, Canadá, Japão, Líbano, Estados Unidos, Índia, Suécia, Áustria e Nova Zelândia.

O grupo tem por objetivo garantir que as pessoas acometidas de fraturas por fragilidade, devido à osteoporose e outras doenças ósseas recebam manejo adequado, desde prevenção de episódios ao tratamento, bem como gestão de acompanhamento incluindo a reabilitação e mudanças de estilo de vida, tais como a melhoria da nutrição e exercício físico, com finalidade de melhorar a saúde de pacientes e para a prevenção de novas fraturas.

Neste ano esteve no Brasil à convite da SBGG como palestrante do Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia (CBGG 2014), realizado em Belém do Pará, o presidente da FFN, o professor David Marsh (University College of London). Na ocasião o especialista apresentou dados sobre quedas e fraturas de fragilidade.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Os Benefícios dos exercícios de dupla tarefa e melhoria da funcionalidade e cognição de idosos.

O processo de envelhecimento é uma das conquistas da sociedade moderna. Aumentamos nossa expectativa de vida nos últimos 100 anos mais do que qualquer momento da história. Papaléo Neto (2006) relata que o processo de envelhecimento e sua conseqüência natural, a velhice, continuam sendo uma das grandes preocupações da humanidade desde o início da civilização. Mas foi no Século XX que se observou grande avanço no campo da ciência do envelhecimento, embora ainda haja uma longa estrada para elucidar os fenômenos do processo de envelhecimento, suas causas e conseqüências.

O Brasil será em 2030 o sexto país com maior número de idosos no mundo. O envelhecimento é um processo irreversível, inerente do ser humano. Sendo considerado um processo normal de qualquer ser vivo. Jacob Filho (2009) cita que o envelhecimento é um processo comum praticamente a todos os seres vivos que, no seu transcorrer, provoca modificações de ordem somática e psíquica que determinam alterações da relação do individuo com o meio que o cerca. Em síntese, o envelhecimento pode ser entendido como um processo de redução da reserva funcional, sem comprometer, na quase totalidade dos mecanismos, a função necessária para as atividades do cotidiano. A existência de uma limitação funcional evidente, mesmo em um nonagenário, deve ser entendida, portanto, como o efeito de um processo fisiopatológico, portanto de uma doença mais do que uma evolução atribuível ao processo natural de envelhecimento.
O Quadro abaixo é bem interessante que demonstra o “ciclo vicioso” que acomete muitos idosos.

Segundo Lisboa (2012) além de declínio físico, com alterações musculosesquelético, nervoso, somatossensorial, visual, vestibular e cardiorrespiratório, o processo de envelhecimento pode ser acompanhado pelo declínio das capacidades cognitivas, dependendo de seus hábitos de vida. Realizar tarefas simultâneas pode ser algo muito difícil para alguns idosos. Atividades como andar e conversar no celular, ou olhar para o sinal (semáforo) e caminhar pode ser uma tarefa quase impossível para alguns idosos. analisando o cotidiano das pessoas, o tempo todo estamos sujeitos a desempenharmos atividade de dupla tarefa (DT), seja no âmbito social, pessoal ou em atividades laborais

O desempenho da DT também é conhecido como “desempenho simultâneo” e envolve a execução de uma tarefa primaria, que é o foco da atenção e uma tarefa secundária executada a mesmo tempo (Teixeira & Alouche, 2007). Em geral as duplas tarefas realizadas no dia a dia são tarefas motoras associadas a tarefas cognitivas. Caso haja um prejuízo do desempenho da tarefa primária na execução da dupla tarefa, implica que não há automatização desta tarefa primária e essa piora no desempenho é denominada conseqüência da atividade dupla. Esse prejuízo na tarefa primária e/ou na tarefa secundária ocorre porque as duas tarefas competem por demandas similares para o seu processamento.

Geralmente, segundo Voos e Col. (2008), a realização da DT é mais difícil que a realização das tarefas isoladamente. Isso ocorre quando há interferência entre as tarefas, ou seja, ambas competem pela mesma classe de recursos de processamento de informação no sistema nervoso central (SNC). Nessa situação, há interação negativa entre tarefas: quanto mais atenção for alocada para a realização de uma tarefa, pior será o desempenho na outra. A demanda atencional reflete o grau de competição entre representações corticais sobrepostas das duas tarefas (hipótese do campo cortical). A eficiência na realização de uma das tarefas pode determinar o grau de interferência com a tarefa concorrente. Uma alteração cognitiva ou motora (ou em ambos), durante uma DT, pode ser um importante indicador do estado funcional em que se encontra o idoso (Amaral, 2012).

Atividades que envolvam exercícios de DT são importantes no processo de envelhecimento saudável. Programas específicos devem fazer parte da rotina de treinamento de idosos. Realizar exercícios com tarefas simultâneas (DT) como exemplo caminhar em linha reta, toda vez que o professor mostrar a bola verde o idoso deve continuar caminhando e olhar para cima e para baixo. Quando o professor mostrar a bola vermelha o idoso continua caminhando e olhar para lado direito e esquerdo (as atividades devem ser pré-acordadas antes de iniciarem os exercícios). Esse exemplo além de trabalhar o equilíbrio dinâmico, trabalha a marcha, cognição e sistema vestibular. O aprimoramento das funções fisiológicas e psicológicas são resultados de um sistema crescente e progressivo do treinamento de exercícios de DT (Amaral, 2012).

O Sistema Nervoso Central (SNC) apresenta diversas características, entre elas a plasticidade, que corresponde à capacidade de o córtex cerebral alterar a organização funcional como resultado da experiência. O estudo deste processo de neuroplasticidade serve de base para o processo de recuperação direcionando o tratamento e auxiliando na escolha da melhor conduta para restabelecer a função perdida (Ribeiro e Christovão, 2012)

Em nossa prática profissional percebemos o ganho dos idosos no quesito funcionalidade, redução de quedas e melhoria cognitiva quando os mesmo são submetidos aos exercícios de dupla tarefa. Esses ganhos são relatados pelo próprios idosos que comentam que melhoram muito em suas atividade diárias, que estão “mais espertos”, perdem menos o equilíbrio e se sentem mais seguros para sair, passear e realizar suas tarefas cotidianas.

Um estudo que orientei realizado por uma aluna do curso de especialização Marina Lisboa (2012) ela concluiu que os benefícios dos exercícios de dupla tarefa ultrapassam as questões cognitivas e de capacidade funcional. A melhoria da autonomia, diminuição de quedas e qualidade de vida foram constatadas ao longo do estudo.

É importante relatar que os exercícios de Dupla Tarefa devem fazer parte de um programa de exercícios físicos para idosos, que devem contar além dos exercícios de DT, exercícios de força muscular (musculação) e exercícios aeróbios.

Abaixo algumas sugestões de exercícios de DT:

• Caminhar em linha reta (distância de 10 metros) olhando para cima e para baixo falando os dias de semana. Voltar caminhando olhando para os lado direito e esquerdo falando os dias da semana de trás para frente (domingo, sábado, sexta-feira e etc).
• Caminhar em linha reta (distância de 10 metros) passando uma moeda de um bolso para o outro. Voltar realizando a mesma tarefa falando os meses do ano.
• Caminhar em linha reta (distância de 10 metros) passando uma bolinha em volta do corpo falando o maior número de frutas que lembrar. Voltar passando a bola em volta do corpo falando o maior número de cores. Estimular o aluno a não repetir as frutas e as cores.

Anderson Amaral

Mestrando em gerontologia, atividade física e saúde
Especialista em geriatria e gerontologia – Unati/UERJ
Especialista em Neurociências e Longevidade – Ipub/UFRJ
Pesquisador do Grupo de Estudos – LABFIT / UFRRJ
Coordenador da CEAFES

Referências Bibliográficas:

Amaral, A. – Os Benefícios das Atividades Físicas para um Envelhecimento Saudável – Ed. Apolo Cursos - Rio de Janeiro, 2012.
JACOB FILHO, W. Fatores Determinantes de um Envelhecimento Saudável – Envelhecimento e Saúde. Boletim Instituto de Saúde, no 47, Abril de 2009, São Paulo, pp. 27 – 32.
LISBÔA, M.M. – Exercícios de Dupla Tarefa e Melhoria da Cognição de Idosos Fisicamente Independentes – Monografia de conclusão de Curso de Especialização em Treinamento Personalizado e Funcional – UNIFOA, 2012
PAPALEO NETO, M. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2. ed. Rio de Janeiro, 2006, pp. 2 – 13.
RIBEIRO, A.P., CHRISTOVÃO, C.F. – Neuroplasticidade: Aprendizado Motor após AVE, Capitulo 2 do livro Reabilitação Motora no AVE, Ed. Rubio, 2012
TEIXEIRA N.B; ALOUCHE S.R. O desempenho da Dupla Tarefa na doença de Parkinson. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 11, n. 2, p. 127-132, mar./abr. 2007.
VOOS, M.C. e Col. Os Componentes Motor e Visual de uma Tarefa-Dupla devem ser Associados ou Isolados durante o Treinamento? Fisioterapia e Pequisa, 2008 15 (1), pp. 33 – 39.