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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Risco de osteomielite da mandíbula induzida por bifosfonatos orais utilizados por pacientes para osteoporose



Bifosfonatos orais representam a primeira linha de prevenção e de tratamento para osteoporose. Todavia, vários estudos relataram osteonecrose da mandíbula (ONM), também conhecida como osteomielite da mandíbula, como efeito colateral destes medicamentos. Embora o risco absoluto parece ser baixo, informações sobre dados do risco relativo ou atribuível são, de fato, limitadas. Pesquisadores japoneses publicaram, recentemente, no Bone, um estudo em que estimaram o risco de bifosfonatos orais causar ONM em pacientes com osteoporose e em uso destes medicamentos, comparados a pacientes em uso de outras classes de medicamentos para osteoporose.

Utilizando um sistema eletrônico de armazenamento de prontuários médicos e confirmação manual de ONM, foi conduzida uma coorte retrospectiva de pacientes em uso de medicamentos para osteoporose no Hospital Universitário de Kyoto entre Novembro de 2000 e Outubro de 2010. Para avaliar os riscos relativos (RR) de bifosfonatos orais causarem ONM, foi realizada uma análise de regressão logística e os odds ratios (OR) e intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram estimados. Além disso, análises de sensibilidade foram realizadas de acordo com o diagnóstico hierárquico.

No total, 4129 pacientes (59,6%) receberam bifosfonatos orais, enquanto que 2794 (40,3%) receberam outros medicamentos para osteoporose. O risco absoluto de ONM estimado variou de 0,46 a 0,99% (IC95% = 0,25 - 0,66 a 0,69 - 1,20) entre pacientes em uso de bifosfonatos orais e variou de 0,071 a 0,27% (IC95% = 0 - 0,17 a 0,022 - 0,33) entre pacientes tratados com outros medicamentos para osteoporose. Os riscos atribuíveis estimados de bifosfonatos orais como causa de ONM variaram de 0,38 a 0,81% (IC95% = 0,38 - 0,39 a 0,80 a 0,81). Os ORs (IC95%) ajustados para variáveis de confusão foram iguais a 5,0 (1,9 - 12,9) e 6,0 (1,3 - 26,1) apenas para casos confirmados. Em termos de riscos absolutos e atribuíveis, o risco de bifosfonatos orais causar ONM é considerado inferior a 1% em pacientes com osteoporose.

Os pesquisadores concluíram que bifosfonatos orais podem aumentar o risco de osteonecrose de mandíbula, comparados a pacientes tratados com outros medicamentos para osteoporose e o risco de efeitos colaterais deve ser sempre levado em conta.


Risk of osteomyelitis of the jaw induced by oral bisphosphonates in patients taking medications for osteoporosis: A hospital-based cohort study in Japan.


Yamazaki T, Yamori M, Yamamoto K, Saito K, Asai K, Sumi E, Goto K, Takahashi K, Nakayama T, Bessho K. Source Department of Oral and Maxillofacial Surgery, Graduate School of Medicine, Kyoto University, 54, Shogoin Kawahara-cho, Sakyo-ku, Kyoto 606-8507, Japan.

Abstract
Oral bisphosphonates (BPs) represent the first line of prevention and treatment for osteoporosis. However, several studies have reported osteonecrosis of the jaw (ONJ), also known as osteomyelitis of the jaw (OMJ), as a side effect of these drugs. Although absolute risk is suggested to be low, information to date on the relative risk or attributable risk has in fact been limited. Here, we estimated risk of oral BPs for OMJ in osteoporosis patients taking oral BPs compared with other osteoporosis drugs. Using an electronic medical records retrieval system and manual confirmation of OMJ, we conducted a retrospective cohort study of patients taking medications for osteoporosis at Kyoto University Hospital between November 2000 and October 2010. To evaluate relative risks of oral BPs for OMJ, logistic regression analysis was performed and odds ratios (ORs) and 95% confidence interval (CIs) were estimated. In addition, sensitivity analyses were performed according to hierarchical diagnosis. A total of 4129 patients (59.6%) were prescribed BPs while 2794 (40.3%) received other osteoporosis drugs. Absolute risk for OMJ was estimated to range from 0.46% to 0.99% (95% CIs: 0.25-0.66 to 0.69-1.2) among patients receiving oral BPs and 0.071% to 0.17% (95% CIs: 0-0.17 to 0.022-0.33) among patients receiving other osteoporosis drugs. The attributable risks of oral BPs for OMJ were estimated to range from 0.38% to 0.81% (95% CIs: 0.38-0.39 to 0.80-0.81). ORs (95% CIs) adjusted for confounding factors were 5.0 (1.9-12.9) to 6.0 (1.3-26.1) for confirmed cases only. In terms of absolute and attributable risks, the risk of oral BPs for OMJ is considered to be less than 1% in patients with osteoporosis. However, oral BPs may increase the risk of OMJ compared with patients treated with other osteoporosis medications and the risk of side effects should be kept in mind.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22917933

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Metade dos casos de dor de cabeça está ligada à mandíbula


 A dor é na cabeça, mas a causa pode estar na boca, ou melhor, na mandíbula. Especialistas estimam que 50% das cefaleias estejam ligadas a distúrbios da ATM (articulação temporomandibular).

Esses problemas podem causar dores de cabeça, às vezes confundidas com enxaqueca. E o caminho até o diagnóstico pode ser longo.

Segundo o dentista Paulo Conti, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP de Bauru, poucas pessoas associam a dor de cabeça à mandíbula.

Mesmo assim, um terço da população tem pelo menos um dos sintomas do distúrbio, como dor, estalo ou dificuldade para abrir a boca.

"Muitas vezes nem os médicos fazem essa associação. O paciente chega ao consultório do neurologista com dor e ele não imagina que o problema possa estar na ATM."

Ele preside a SBDOF (Sociedade Brasileira de Disfunções Temporomandibulares e Dor Orofacial), criada por ele há alguns meses para dar orientações sobre a ATM.

De acordo com o dentista Rodrigo Bueno, consultor científico da ABO (Associação Brasileira de Odontologia), a diferença entre a dor de cabeça da ATM e a da enxaqueca está na localização.

"A dor causada pelos distúrbios da ATM está mais na região lateral. E é tão aguda que a pessoa fica em dúvida se o incômodo é na cabeça, no ouvido ou nos dois."

Foi graças à dor de ouvido que a professora Marisa Rogati, 56, de São Paulo, descobriu, há dois anos, a causa de sua dor de cabeça, com a qual conviveu por quase 20 anos.

O otorrino disse que poderia ser algo relacionado à ATM, e a ortodontista confirmou a suspeita. "Nunca imaginei que a dor pudesse ter algo a ver com os dentes."

Desde os 35 anos, ela acordava com fortes dores de cabeça. "Achava que era o travesseiro. Saía um modelo novo e eu comprava." Como tratamento, usou aparelho ortodôntico por cerca de um ano.




DOSE DUPLA

Segundo a ortodontista Leda Losso, os problemas de ATM podem vir junto com a enxaqueca. "Mas solucionar os distúrbios da ATM já faz com que a pessoa lide melhor com a enxaqueca."

É o caso de Julieta Anazetti, 58, que tem enxaqueca desde criança, assim como outros membros da família.

"Depois dos 38 anos, as crises ficaram mais fortes e aconteciam de madrugada."

Julieta travava a boca ao ficar tensa, o que desencadeou os distúrbios da ATM. Hoje, usa uma placa no céu da boca que a impede de pressionar os dentes. O tratamento acabou com as dores na ATM e melhorou a enxaqueca.

"Em 20 anos fiz muitas tomografias e ressonâncias magnéticas e tomei remédios. Fui a vários médicos, que nunca suspeitaram da ATM."

Para quem convive com fortes dores de cabeça, o ideal, segundo Losso, é consultar também um ortodontista.



"Só faltou mencionar a atuação da fisioterapia, tão importante no quadro álgico e na educação e manutenção da melhora. Nos próximos post vamos falar um pouco mais sobre ATM, disfunções e tratamento fisioterapêutico."