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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Instituto Butantan desenvolve anti-inflamatório capaz de aliviar dores crônicas


O Instituto Butantan trabalha no desenvolvimento de um potente anti-inflamatório capaz de aliviar dores de difícil controle, anunciaram pesquisadores do órgão. De acordo com Renata Giorgi, uma das integrantes da equipe envolvida no projeto, testes já comprovaram a eficácia do medicamento, que seria um avanço em relação aos produtos disponíveis no mercado atualmente e seria administrado oralmente.

"Descobrimos que algumas células dos glóbulos brancos detêm uma proteína capaz de inibir dor proveniente de processo inflamatório. Com a síntese de um pedacinho dessa proteína, a gente conseguiu que houvesse viabilidade de administração", disse a pesquisadora. Segundo ela, o tratamento de dores crônicas, de lesão de nervos, é difícil, pois algumas drogas, como morfina, perdem a efetividade com o tempo.

Ela destacou que o estudo é inovador ao sintetizar uma proteína, chamada ligante de cálcio S100A9, produzida pelo próprio organismo. "Isso demonstra que, em determinadas condições, o próprio organismo tem capacidade de controlar a dor", disse. Para fabricação do medicamento, os cientistas identificaram que apenas um pequeno pedaço da proteína é suficiente, o que viabiliza os custos de produção. "Em termos de proporção de dose, essa droga é mais potente", declarou Renata.

O Instituto Butantan, porém, fez apenas alguns testes básicos, e a pesquisa parte agora para os exames de toxicidade. "Antes de qualquer coisa, tem que ser realizado o estudo toxicológico. Estamos numa fase de programar o início desses estudos. Hoje em dia, leva algo em torno de 20 anos pra se comprovar a eficácia de uma droga e conseguir colocá-la no mercado como medicamento", destacou a pesquisadora. Os estudos, que iniciaram há dez anos, continuam ainda com testes em animais.

Serão feitos ainda levantamentos sobre o nível de tolerância do medicamento. "O paciente que é submetido à droga que tem efeito analgésico pode, à medida que vai sendo administrada, ficar tolerante ao medicamento. Então, tem que ser aumentada a dose para que se tenha o efeito desejado. Nós ainda vamos fazer esses estudos", informou a pesquisadora.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,instituto-butantan-desenvolve-anti-inflamatorio-capaz-de-aliviar-dores-cronicas,894609,0.htm

http://www.butantan.gov.br/home/laboratorio_especial_toxonologia_ampliada.php

terça-feira, 24 de julho de 2012

Reino Unido aprova prescrição de medicamentos por fisioterapeutas e podólogos


Fisioterapeutas e podólogos do Reino Unido poderão prescrever de forma independente a partir de 2014
O Departamento de Saúde do Reino Unido aprovou, nesta terça-feira (24), a prescrição de medicamentos por fisioterapeutas e podólogos. A medida foi anunciada pelo Ministro da Saúde, Lord Howe. A proposta garante aos pacientes do país acesso mais rápido a medicamentos para o alívio da dor e anti-inflamatórios.

Estes profissionais serão submetidos a treinamento e, em seguida, serão os primeiros do mundo a terem autonomia para a prescrição de medicamentos de forma independente.

Fisioterapeutas terão direito de prescrever medicamentos para problemas como dores crônicas e doenças respiratórias como a asma. Podólogos que tratam de pacientes com uma ampla gama de condições, incluindo úlceras do pé diabético e distúrbios artríticos no pé e tornozelo também estarão liberados para indicar terapias medicamentosas adequadas aos seus pacientes. Segundo o Departamento de Saúde, a medida irá ajudar os pacientes a responderem mais rapidamente aos tratamentos.

"Ao introduzir estas mudanças, pretendemos fazer o melhor uso das habilidades de fisioterapeutas e podólogos para permitir que pacientes se beneficiem de um serviço mais rápido e eficaz, sem comprometer a segurança", diz Howe. A presidente da Chartered Society of Physiotherapy, Helena Johnson, completa: "Dar a oportunidade a fisioterapeutas de prescrever de forma independente irá melhorar enormemente os cuidados que podemos fornecer no futuro. Os pacientes passarão a receber um serviço mais ágil e eficiente, o que significa que vão obter os medicamentos de que necessitam de imediato."

A proposta de expandir as responsabilidades de prescrição segue duas consultas públicas realizadas em 2011, além de recomendações subsequentes da Commission on Human Medicines. Fisioterapeutas e podólogos que completarem com êxito o Health Professions Council (HPC) aprovados em programas de educação e registrados no HPCregister poderão prescrever de forma independente a partir de 2014.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Tratamentos pouco invasivos contra dores na coluna ganham espaço


Há muito mais entre os remédios e as cirurgias para tratar as dores nas costas, problema que, segundo pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública, atinge um terço dos brasileiros adultos.

Os tratamentos pouco invasivos, feitos com agulhas ou incisões mínimas, estão ganhando espaço em consultórios e hospitais.

Segundo o médico fisiatra João Amadera, entre os 300 pacientes atendidos no centro especializado em tratamento de coluna aberto no fim do ano passado no Hospital do Coração, só um foi encaminhado para cirurgia.

Nos outros casos, fisioterapia e injeções de medicamentos diretamente no ponto de origem da dor bastam.

Outra opção é a "queima" de nervos que podem ter tido um crescimento anormal e se tornam fonte de dor. Depois disso, o paciente pode ser encaminhado para fisioterapia.
"O importante é quebrar o ciclo da dor e corrigir a postura", afirma Amadera.
Editoria de Arte/Folhapress
O exame físico detalhado e o histórico da dor dão pistas melhores sobre a origem do problema do que a análise isolada de exames de imagem, diz o neurocirurgião Joel Augusto Ribeiro Teixeira.

Para ele, ainda é comum uma visão simplista das dores da coluna. "Parece que sempre é hérnia de disco ou dor muscular. Ou se opera ou faz fisioterapia. Mas há muitos estágios intermediários", afirma o médico, coordenador do centro de terapias minimamente invasivas da coluna do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Teixeira diz que o tratamento da dor na coluna deve ser escalonado: primeiro é preciso tentar as terapias conservadoras, como o uso de remédios e fisioterapia. Os procedimentos minimamente invasivos vêm depois e, em último caso, a cirurgia.

No entanto, de acordo com o fisiatra João Amadera, muitos pacientes recebem indicação de cirurgia sem necessidade. "Menos de 5% das hérnias de disco precisam de cirurgia. Cerca de 90% são reabsorvidas sozinhas."

O comerciante de tecidos Marcos Antonio Pereira de Barros, 51, escolheu a terapia minimamente invasiva para tratar dores causadas por uma hérnia de disco que o incomoda há oito anos. "Já tinha tentado de tudo. Ficava com dor depois de ficar sentado ou em pé por mais de dez minutos do mesmo jeito."

Barros, que mora em Santa Cruz do Capibaribe (PE), se submeteu a duas sessões para receber injeções de medicamentos no HCor, em São Paulo. "O incômodo melhorou 85%. Estou fazendo pilates também."

Luís Eduardo Munhoz da Rocha, presidente do Comitê de Coluna da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, afirma que os tratamentos pouco invasivos têm indicações pontuais, e o mais importante é mudar hábitos e fortalecer a musculatura que sustenta a coluna. "Hoje está muito em voga o minimamente invasivo. Nem tudo é resolvido assim."