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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Cuidados com a saúde dos idosos no verão





O verão iniciou em 21 de dezembro e desde então os termômetros estão nas alturas, o que para os idosos pode ser muito prejudicial em decorrência de alterações no sistema nervoso e circulatório.

De acordo com a SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) este período requer mais atenção e cuidado para que os idosos mantenham-se com saúde e qualidade de vida.

Os idosos reagem de maneira diferente ao calor e à baixa umidade. Com o avanço da idade, sofrem alterações naturais nos mecanismos de controle térmico do organismo e de envio de estímulos cerebrais relacionados à sede, o que propicia quadros de desidratação.

Alterações no sistema circulatório

Na terceira-idade, o organismo humano reduz a sua capacidade de regular sua própria temperatura, por isso, as trocas de calor, que normalmente levam o sangue para todas as partes do corpo e aquecem os tecidos, ficam prejudicadas fazendo com que os idosos sintam mais frio do que os jovens.

A percepção de calor dos idosos fica alterada, fazendo com que eles acabem sentindo frio mesmo expostos à altas temperaturas. Para esquentar o corpo, os idosos optam por usar roupas mais pesadas e grossas que comprometem a hidratação do organismo.

Por que faço tanto xixi se bebo pouca água?

A soma é muito desigual: pouca água e muita eliminação. O organismo não tem como compensar tal desequilíbrio.

Com o passar dos anos, nosso sistema nervoso central diminui ou deixa de enviar para o corpo, os estímulos nervosos responsáveis pela sensação de sede e pelo controle da urina. Isso faz com que os idosos bebam pouca água, mesmo no verão, e urinem com bastante frequência.

O problema é que bebendo pouca água e perdendo nutrientes e sais minerais através da urina e do suor, os idosos ficam desidratados. A consequência disso é mal-estar e cansaço: A soma é muito desigual: pouca água e muita eliminação. O organismo não tem como compensar tal desequilíbrio, daí a desidratação e a sensação de mal-estar.

Hipertensão x desidratação

Comum em mais de 40% dos idosos, a doença se caracteriza pela alta da pressão arterial, causando mal-estar e perigo de problemas cardíacos, caso não seja controlada.

O problema, não está nas alterações metabólicas que a hipertensão causa, mas nos medicamentos usados para controlá-la. Os remédios mais eficazes para hipertensão são diuréticos e, por isso, fazem com que os idosos urinem ainda mais, perdendo muito líquido e podendo causar desidratação grave.

Em idosos com diabetes, a taxa de açúcar - quando não controlada -, altera a absorção de líquidos pelo organismo, fazendo com que ele, em um processo de autocompensação, tente diminuir o nível de diluição do sangue para fornecer a água necessária à manutenção de suas funções vitais.

Pacientes diabéticos, quando expostos à altas temperaturas, tendem a perder uma quantidade de água ainda maior do que a causada pela doença e isso faz com que os riscos de desidratação sejam bastante perigosos. Além da exposição ao calor, os idosos perdem ainda mais água, não sentem sede e, por isso, não fazem a reposição de líquidos. O resultado não poderia ser outro a não ser a desidratação.

Cuidado redobrado durante as atividades físicas, pois o aumento da temperatura corporal e da transpiração podem causar hipertermia (popularmente chamada insolação) e desidratação grave.




Como amenizar os efeitos do calor nos idosos e passar o verão com saúde e qualidade de vida:


-Evite usar roupas pesadas no verão, isso dificulta ainda mais a troca de calor do corpo. Use roupas leves, de algodão e com cores claras.

-Tome muita água (em média 2 litros por dia), mesmo sem sentir sede e mantenha uma garrafa com água sempre perto. Sucos, chás e água de coco também podem ser utilizados, pois tem melhor aceitação pelos idosos...

-Mantenha os ambientes arejados/ventilados.

-Use óculos de sol e bonés/chapéus.

-Evite atividade física, em especial ao ar livre, na parte mais quente do dia (entre 10h e 16h).

-Utilize protetor solar e tome banho em temperatura mais fresca.

-Evite tomar cafeína e álcool, pois são bebidas que contribuem para desidratação.

-Evite refeições "quentes". Dê preferência a alimentos como frutas, verduras, legumes pois são fontes de vitaminas, minerais e fibras, além de serem mais refrescantes. Sorvetes também devem ser consumidos. Alimente-se a cada 3 horas.

-Faça o controle médico de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, mas fique atento às mudanças que devem ser feitas no tratamento durante o verão.






sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Conheça médico que salvou 50 milhões de vidas com receita caseira


Norbert Hirschhorn teve papel-chave na definição das medidas certas do soro caseiro, considerado "o avanço médico mais importante" do século 20

A fórmula, hoje, é mundialmente conhecida: uma solução simples de açúcar, sal e água. Uma mistura que pode ter salvado até 50 milhões de pessoas.

Encontrar um equilíbrio entre esses elementos foi o feito essencial dela, e o médico Norbert Hirschhorn teve um papel-chave na descoberta das medidas certas na preparação do soro caseiro.

Um caso emblemático: depois de dois dias sofrendo diarreia, um bebê egípcio de três meses não tinha forças nem para levantar a cabeça e mamar no peito da mãe.

Médicos temiam pelo pior: a diarreia grave é uma das principais causas de morte em países em desenvolvimento.

Com um tratamento simples, pouco mais de quatro horas depois ele estava bem o suficiente para retomar a amamentação - tudo graças a uma solução barata de açúcar e sal.

Hirschhorn descreve a transformação causada pela terapia de reidratação oral como incrível.

"Você entra em uma sala e a criança ou o adulto está perto da morte. Eles têm olhos fundos, respiram acelerado, a pele e as unhas estão azuladas", conta.

Ver alguém se recuperar é "como ver Lázaro voltar dos mortos - um milagre", diz ele.

Medida certa

Hirschhorn se envolveu em pesquisas sobre terapia de reidratação oral em 1964.

Ele prestava serviço militar nos Estados Unidos no serviço público de saúde e foi enviado para o que é hoje Bangladesh, que padecia de uma grave epidemia de cólera.

A cólera causa diarreia grave e pacientes rapidamente perdem muita água e sais. Os infectados ficam extremamente desidratados e podem entrar em choque e morrer em poucas horas.

Na região, até 40% dos moradores que não tratavam cólera estavam morrendo.

À época, o tratamento de reidratação era administrado por via intravenosa no hospital. Era caro, e muitas vezes, inalcançável para os que mais precisavam dele.

O objetivo era encontrar uma maneira de dar o tratamento por via oral e assim ajudar muito mais gente.

Outros haviam tentado no passado encontrar o equilíbrio certo de açúcar, sais e água para um tratamento oral. Hirschhorn trabalhava com o capitão Robert Phillips, que havia tentado ele próprio, sem sucesso, sua própria mistura anos antes. Vários pacientes morreram durante os testes.

Phillips estava muito receoso em deixar Hirschhorn realizar sua própria pesquisa.

"Ele já havia tentado a solução quando estava na Marinha em Taiwan e nas Filipinas, mas não acertou na medida, que era muito concentrada, e piorou as coisas", disse Hirschhorn.

O trabalho de Hirschhorn se baseou nos estudos de Phillips e de outro colega, David Sachar. Sachar havia mostrado que o corpo poderia transportar sódio assim que glicose fosse adicionada - algo fundamental no combate à desidratação.

Mas a medida correta era fundamental: a quantidade maior ou menor de qualquer um dos ingredientes poderia fazer com que a solução não apenas não funcionasse, mas causasse danos mais graves.

"As proporções são cruciais. Para obter a absorção ideal de água, você precisa da mesma quantidade de glicose e sódio", disse Hirschhorn.

Foi um estudo pequeno, de apenas oito pacientes, no qual a terapia de reidratação foi aplicada usando uma sonda nasogástrica, que provou que a combinação funcionava.

No hospital e em casa

Hirschhorn disse que havia descrença de que uma mistura tão simples pudesse ser tão eficaz. "Sua simplicidade era sua própria inimiga. Levou muito tempo, muito tempo para convencer os pediatras de que fosse segura."

A publicação científica Lancet descreveu a terapia de reidratação oral como "potencialmente o avanço médico mais importante" do século 20.

O Unicef, fundo da ONU para infância, disse que nenhuma outra inovação médica do século "teve o potencial de evitar tantas mortes em um curto período de tempo e custo tão pequeno".

Agora, a eficácia é mundialmente conhecida e usada por médicos em clínicas e em casas por pais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que a diarreia é a segunda principal causa de morte de crianças menores de cinco anos, responsável pela morte de cerca de 760 mil crianças por ano.

E qual é a sensação de saber que seus esforços ajudaram a salvar mais de 50 milhões de pessoas?

Hirschhorn conta a história de uma viagem ao Egito, muitos anos depois de seu trabalho clínico.

Durante uma conversa com um taxista, descobriu que o filho dele havia sido salvo por reidratação oral quando criança. O garoto cresceu para virar um jovem estudante, realizando seus próprios estudos científicos nos EUA.

"Essa troca", diz Hirschhorn, ainda visivelmente emocionado, "teve um impacto grande em mim, tanto quanto todas as estatísticas juntas".

http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/bbc/2014/08/04/conheca-medico-que-salvou-50-milhoes-de-vida-com-receita-caseira.htm